livro (trinta dias para a última lua)
O baque repentino na água quebrou o silêncio. Luiz afundou no líquido lilás, engasgando de imediato. Emergiu rapidamente, tossindo e assustado, debatendo-se na tentativa inútil de encontrar o fundo do chafariz com os pés. A bacia era profunda demais. De repente, sentiu um tranco brusco: algo o puxava com força para as profundezas da água.
Movida pelo instinto, Hadria tentou agarrá-lo para tirá-lo dali. Ao ver o vampiro desaparecer nas águas lilases, fez menção de mergulhar para salvá-lo. Contudo, a líder do esquadrão posicionou-se agilmente entre a garota e a borda de mármore. Com um empurrão violento, arremessou Hadria para longe da fonte.
— Parece que recebemos visitas — anunciou a bruxa, trocando olhares com as outras cinco guerreiras que, em um movimento tático e silencioso, fecharam um círculo ao redor da garota.
— Você parece muito bem para quem apanhou de um Bruxo do Sul — provocou Hadria. Ela exibiu um meio sorriso afiado enquanto se levantava da terra onde havia caído.
A líder do esquadrão e as outras cinco guerreiras ostentavam leves hematomas pelo corpo. Como a anatomia das Bruxas Negras possuía um fator de cura extremamente rápido, exibir marcas visíveis dias após o confronto evidenciava que a batalha contra o guerreiro solar havia sido uma verdadeira carnificina.
— O Bruxo do Sul está apodrecendo em nossa masmorra — rebateu a líder, estufando o peito com um ar triunfante. — E logo você irá para lá também. Espera... — Ela semicerrou os olhos para a garota e sorriu com desdém. — Você é só uma menina demoníaca. Não mantemos vermes como prisioneiros.
Hadria abriu um sorriso zombeteiro, assumindo imediatamente uma postura fluida de combate.
— Eu vou te dar uma surra por esse insulto. E não vou usar a minha magia contra você. Posso te derrotar no corpo a corpo — declarou Hadria, com precisão provocativa.
As Bruxas Negras caíram na gargalhada.
— Acho que precisamos ensinar uma lição de respeito a essa garotinha — rosnou uma das guerreiras.