Ela desculpa e ameaça o Luiz de morte na mesma frase, sem parar de mastigar. Hadria não perde tempo.
Capítulo 30: Fugindo às Escondidas
livro (trinta dias para a última lua)
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Ela desculpa e ameaça o Luiz de morte na mesma frase, sem parar de mastigar. Hadria não perde tempo.
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Luiz fez exatamente conforme Miriah havia ordenado, mas, ao chegar à cabana, encontrou Hadria descabelada e comendo. Ele ficou ali parado perto da entrada, observando-a e tentando achar as palavras certas. Afinal, ele a havia mordido e, após aquele episódio, não a via desde então. Hadria sentiu que era observada e ergueu os olhos em direção a Luiz.
Os cabelos alvos da garota balançavam com o vento, e uma fresta de luz iluminava seu rosto enquanto ela comia e o encarava de volta.
— Você está bem? — disparou Luiz, entrando pela porta e tentando puxar assunto, mas ela continuou mastigando sem desviar os olhos dele. Ele abaixou o olhar, envergonhado. — Me desculpa... — sussurrou.
— Tá, eu te desculpo. Mas se fizer aquilo novamente, vou rasgar a sua garganta — respondeu a garota com veemência e frieza, enfiando mais comida na boca. — E você, está melhor? — perguntou a menina.
Luiz deu de ombros e fez menção de entrar e abraçá-la em agradecimento pela misericórdia, mas a memória da mulher adulta de sua visão invadiu sua mente de repente. Ele recuou no mesmo instante. Muitas perguntas e dúvidas tomaram sua mente: Será que Hadria sabia da sua origem? Será que deveria contar a ela?, perguntou-se Luiz, enquanto caminhava para o interior da cabana.
— Então... Eu encontrei sua aia lá em cima, e ela me mandou ficar aqui até voltar — disse Luiz para Hadria, que ainda comia tudo o que via pela frente.
— Eu imaginei que fosse a Miriah que tivesse trazido essa comida toda. Ela trouxe justamente o que eu mais gosto — respondeu Hadria, sorrindo.
Luiz se acomodou perto dela e começou a comer também. Enquanto comia, Hadria contou sobre sua aventura na biblioteca. De repente, parou e o observou atentamente.
— Você está comendo? Você não deveria estar comendo esse tipo de comida? E o seu braço... Você está virando pedra... — ela baixou a voz, começando a falar como se fizesse um monólogo para si mesma. — Você deve estar sofrendo algum efeito colateral. Você é vampiro, está virando pedra por causa das Terras Negras, mas sugou o meu sangue — que é de bruxa negra —, e as Terras Negras vieram do abismo... Então... você está virando humano? — perguntou Hadria, encarando Luiz diretamente.
— Eu não sei... Sinto alguns sintomas estranhos, mas não sei o que estou me tornando... — declarou Luiz.
Hadria levantou-se num salto e anunciou:
— Vamos à Fonte do Lago Lilás para você tomar a água de lá. Fica no meio do Ninho, é uma fonte tão antiga quanto o nascimento do Ninho; os humanos que estão aqui a usam para se curar. Você está quase se transformando em pedra ou em humano; vamos curar você para que não vire um humano ou uma pedra. E, após isso, vamos buscar o colar azul. Eu já peguei o pergaminho enquanto você dormia, eu tenho um plano! — falou a menina, radiante, exibindo o documento antigo que pegara de dentro da mochila. — Vamos curar você primeiro, depois pegamos o colar azul. Olha, aqui tem um portal, usaremos ele para voltar para o seu castelo, que fica perto da Montanha Branca, e eu entrego o colar para Rowan antes da próxima lua. Vai dar certo e será rápido.
— E nós vamos caminhar para o meio do Ninho... carregando um pergaminho sagrado que você acabou de roubar da biblioteca das Bruxas Negras? — murmurou o príncipe, sentindo o terror gelar sua espinha. — Roubar um colar de um lugar que provavelmente é altamente protegido e voltar para o lugar onde tentaram me matar? — declarou Luiz com sarcasmo, enquanto seu coração começava a acelerar.
— Exatamente. Precisamos ir. Agora. — sentenciou a garota, ajustando a túnica de montaria similar à das moradoras que encontrara na cabana.
Ela vestia roupas novas, e Luiz percebeu que ali também havia roupas separadas para ele: calças de montaria e uma túnica similar à dos moradores das aldeias do Ninho. Miriah realmente pensa em tudo, pensou o vampiro.
— Hadria, nós não podemos ir. Miriah disse para ficarmos aqui até ela voltar.
— Onde ela está? — perguntou a garota, divertida.
— Acho que ela teve que resolver assuntos ao norte — disse Luiz.
— Então não tem problema! A gente vai resolver os nossos problemas e depois nos encontramos com ela. Vamos curar você primeiro — falou a garota, animada.
Luiz assentiu, sentindo-se dividido. Ele sabia que estava mudando; desde que bebera o sangue de Hadria, algo profundo e inexplicável havia sido alterado em seu interior. Precisava usar a água daquela fonte para estancar seja lá o que estivesse crescendo dentro dele, antes de qualquer transformação definitiva. As dúvidas e as perguntas que rondavam sua mente eram, naquele momento, muito mais aterrorizantes do que o medo de enfrentar a fúria de Miriah caso descobrissem que haviam desobedecido.
No plano de fundo de sua mente, a rota já estava traçada: após ajudar Hadria a encontrar o colar, entregá-lo a Rowan e garantir que ela estivesse segura na Montanha Branca, ele seguiria em direção às Terras Altas — longe dos dramas de sua família e dos perigos mortais de carregar o peso de uma herança de sangue puro. E Hadria estaria segura com suas aias.
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