O lugar dela na minha vida
Versão dela
A relação com a filha dele havia mudado.
Não de uma maneira repentina.
Foi acontecendo aos poucos.
Uma conversa aqui.
Um passeio ali.
Uma brincadeira.
Uma mensagem perguntando alguma coisa.
Eu nunca quis ocupar um lugar que não era meu.
Mas comecei a perceber que havia um lugar que poderia ser construído.
O meu.
Certa tarde, ela perguntou:
— Você vai continuar vindo aqui quando estiver trabalhando muito?
Sorri.
— Vou tentar.
— Promete?
Parei.
Eu não queria fazer promessas que não pudesse cumprir.
— Prometo que vou fazer o possível para estar presente.
Ela pareceu satisfeita.
Mais tarde, contei isso a ele.
— Ela está criando expectativa — falei.
Ele ficou pensativo.
— Eu sei.
— E isso me preocupa.
— Por quê?
— Porque eu não quero decepcioná-la.
Ele segurou minha mão.
— Você não precisa ser perfeita para fazer parte da vida dela.
Aquela frase me marcou.
Eu não precisava ser uma mãe.
Não precisava substituir ninguém.
Não precisava assumir uma função que não era minha.
Precisava apenas ser uma adulta confiável na vida de uma criança que estava aprendendo a me conhecer.
E, talvez, isso fosse suficiente.
Naquela noite percebi que construir uma família não significava apagar os lugares que já existiam.
Significava acrescentar novos.