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Manuscrito das três faces

miguelv341
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Vagantes condenados: Rei das serpentes

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Vagantes condenados: Rei das serpentes

O pântano envolvia-se em uma névoa densa e negra, que se espalhava rapidamente, consumindo tudo à sua volta. Em questão de horas, aquele vasto território fora reduzido a uma terra seca e desolada, sem rastro de vida.

As pessoas, aterrorizadas, corriam em desespero, tentando escapar do avanço implacável daquela neblina mortal. Os gritos ecoavam pelo ar, à medida que a névoa ia alcançando os seres vivos, matando-os instantaneamente e os transformando em cadáveres ambulantes, que passavam a devastar tudo em seu caminho.

A grande cidade de Londres desapareceu naquela noite, tragada pela onda de destruição. Apenas o passado restou, como uma lembrança distante daquela catástrofe.

Em meio àquele cenário devastador, alguns personagens procuravam por alguém. Tepes, visivelmente frustrado, não conseguia localizar o paradeiro do velho, que provavelmente estaria dormindo em algum lugar dos pântanos. A companheira de Tepes, cansada da busca, questionava quanto tempo mais teriam de procurar pelo cunhado, que sempre fora o pior em se encontrar.

Mesmo diante de tamanho desespero e incerteza, os dois persistiam em sua jornada, determinados a encontrar o parente desaparecido. O mistério e a angústia pairavam sobre aquele cenário desolador, enquanto a busca prosseguia sem descanso.

Na fazenda isolada, a família Lablabe enfrentava uma situação desesperadora com a filha caçula, Maria. A jovem de apenas 12 anos havia sido acometida por uma doença misteriosa e extremamente agressiva, que a deixava de cama, atormentada por dores lancinantes.

Os pais, Sr. e Sra. Lablabe, observavam com angústia a filha lutando contra os intensos acessos de tosse que a sacudiam, deixando-a sem fôlego. "Haaaack! Ack... hum! Ahhhh! Kaaack!", os gritos de Maria ecoavam pela casa, rasgando o coração dos pais, que não sabiam mais o que fazer.

Finalmente, em desespero, eles convocaram o médico da região, o Dr. Silveira, que morava a quilômetros de distância. Quando o doutor chegou, encontrou uma cena desoladora. Maria ardia em febre, sua pele queimando ao toque. "Meu Deus, essa garota está em estado crítico!", exclamou o médico, iniciando imediatamente o exame.

Após minuciosa análise, o Dr. Silveira retirou sua maleta e começou a aplicar diversas agulhas pelo corpo da menina, em um procedimento delicado e demorado. Doze horas se passaram entre gemidos e gritos da paciente, até que finalmente os sons cessaram, dando lugar a um silêncio tenso.

Lentamente, o médico desceu as escadas, carregando um semblante sombrio. Os pais, ansiosos, o aguardavam com o coração na mão. "Então, doutor?", indagou o Sr. Lablabe. O Dr. Silveira baixou a cabeça, balançando-a lentamente. "Sinto muito, senhores... Infelizmente, não pude salvar sua filha."

Um grito de dor e desespero ecoou pela fazenda, a Sra. Lablabe caindo em prantos nos braços do marido. "Nãoooo!", lamentou-se o pai, enquanto o médico os observava com pesar. "Fiz tudo o que pude, mas a doença se mostrou implacável. Sinto muito pela sua perda."

O Sr. Lablabe acenou com a cabeça, engolindo as lágrimas. "Entendo, doutor. Muito obrigado por ter tentado." O médico assentiu, recolhendo sua maleta e se retirando da casa, deixando a família Lablabe mergulhada em profunda dor e luto.

O Dr. Silveira caminhava lentamente em direção à carruagem que o aguardava, com um semblante de profunda tristeza e frustração. Seus passos pesados refletiam o peso das dificuldades que enfrentava no exercício de sua nobre profissão.

Ao se aproximar da carruagem, seu assistente, o jovem Antônio, logo notou o abatimento em seu rosto e não hesitou em perguntar:

“Não conseguiu desta vez também, doutor?”

O Dr. Silveira suspirou pesadamente antes de responder:

“Não, Antônio. Essa já é a vigésima quinta paciente que eu perco por conta dessa maldita doença que tanto tem assolado nossa comunidade. É frustrante e desgastante ver tantas vidas serem ceifadas, apesar de todos os meus esforços.”

Antônio acompanhou o olhar melancólico do médico, compartilhando de sua dor e impotência diante da devastadora enfermidade que parecia não ter cura. Ambos embarcaram na carruagem em silêncio, carregados pelo peso da responsabilidade e do fracasso temporário, mas determinados a continuar a luta pela vida de seus pacientes.

“Mas será que eles possuíam alguma pista sobre a doença misteriosa que estava afetando a população local?”

“Infelizmente não, Jorge”, respondeu o médico com um suspiro de frustração. “Ainda não conseguimos encontrar a causa dessa doença que vem atormentando os cidadãos.”

“Que pena...”, lamentou Jorge, balançando a cabeça com tristeza. “É realmente preocupante não sabermos o que está causando isso tudo.”

“Sim, é muito grave. Mas não podemos desistir. Precisamos continuar investigando e fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para descobrir o que está causando essa epidemia!”, afirmou o doutor, com determinação.

Decididos a não perder mais tempo, eles subiram na carruagem e se dirigiram até a imponente mansão do rico proprietário das terras, na esperança de levar a ele as últimas informações sobre a doença que assola a região.

Conforme a carruagem se aproximava dos portões da mansão, o médico começou a sentir seu corpo tenso e seu coração acelerar. O nervosismo era quase palpável, e gotas de suor escorriam por sua testa, denunciando seu estado de ansiedade. Aquela não seria uma conversa fácil.

Ao chegarem diante dos majestosos portões, o cocheiro anunciou:

“Já chegamos, senhor!”

O doutor respirou fundo, tentando se acalmar, e respondeu:

“O-Obrigado, Jorge…”

Mas ao tentar descer da carruagem, ele perdeu o equilíbrio e quase caiu com a cara no chão, se não fosse a rápida reação do cocheiro, que o segurou a tempo.

“Cuidado, doutor! O senhor está bem?”, perguntou Jorge, preocupado.

“Estou... Apenas cansaço, nada demais” — mentiu o médico, disfarçando seu evidente mal-estar.

Após se recompor, o doutor se encaminhou em direção à imponente mansão, sua respiração cada vez mais ofegante a cada passo que dava. Aquela não seria uma tarefa fácil, mas ele precisava fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para tentar descobrir a causa daquela terrível epidemia que assolava a região.

Prestes a bater na porta, de repente, esta se abriu antes que ele tivesse a chance. Sentindo um arrepio correr pela sua espinha, uma voz baixa e sinistra ecoou pelos corredores da imponente mansão:

[ENTRE.]

As palavras reverberaram pelas paredes, fazendo seu coração gelar de medo. Cada célula de seu corpo gritava para que ele saísse dali imediatamente, implorando por sua segurança.

'Droga! Eu já vim aqui várias vezes antes, mas toda vez me sinto como se este lugar não fosse... humano!', pensou, tentando reunir coragem para prosseguir.

Suando frio, seus olhos escureceram e sua pele empalideceu. Sentia tonturas e mal conseguia manter o equilíbrio, até que finalmente desfaleceu, caindo desacordado sobre as escadas de entrada.

Aos poucos, a consciência do doutor foi retornando. Ao abrir os olhos, sentiu um peso sobre seu corpo e, tomado pelo susto, quase caiu do sofá onde estava deitado. Para sua surpresa, uma enorme cobra de nove metros jazia repousando sobre ele.

Ainda atordoado, o doutor não sabia o que fazer quando, de repente, uma figura adentrando a sala onde ele se encontrava chamou sua atenção.

“Vejo que já acordou, doutor”, disse a voz misteriosa, com um sorriso enigmático nos lábios.

O doutor engoliu em seco, temendo o pior. Aquele não parecia um lugar seguro, e algo lhe dizia que estava prestes a se envolver em uma situação muito perigosa.

No primeiro momento em que ele a viu, uma sensação inesperada tomou conta de seu ser. Pensamentos estranhos e intensos começaram a dominar sua mente, fazendo com que desejos ardentes de possuí-la naquele instante se apoderassem dele, quase o levando à loucura.

Sua respiração se acelerou e seu coração batia freneticamente enquanto ele lutava para manter o controle. Aquela mulher despertava nele uma paixão avassaladora, um anseio incontrolável que parecia consumir cada fibra de seu corpo.

De repente, uma voz suave e gentil o despertou daquele transe.

“Que bom que acordou, doutor!”

Ao se virar, assustado, ele viu um homem de aproximadamente 40 anos, vestindo um belo manto negro adornado com detalhes dourados. Sua expressão era serena e acolhedora, como se percebesse a intensidade das emoções que assolavam o médico.

O doutor piscou os olhos, tentando se recompor e retomar o controle de seus sentidos. Aquela mulher havia despertado nele algo que ele sequer imaginara ser capaz de sentir. E agora, com a presença daquele estranho, sentia-se ainda mais atordoado, como se sua mente e seu corpo estivessem em completa discordância.

“O-Olá, senhor Vlad!”

“Quando o senhor desmaiou, eu fiquei bastante preocupado com a sua saúde, doutor. Mesmo tendo 30 anos e estando na flor da idade, ficar sobrecarregado é muito perigoso, sabia? Você parece tão exausto, com aqueles olhos fundos e a pele pálida. É realmente importante que você cuide melhor da sua saúde.”

“Agradeço por sua preocupação, senhor Vlad, mas infelizmente eu não posso descansar! A epidemia está se espalhando por todo o país e meus pacientes precisam de mim. Tenho trabalhado incansavelmente dia e noite tentando conter o surto e cuidar de todos os doentes. É uma situação realmente desesperadora, mas não posso me dar ao luxo de parar.”

“Perdão por interrompê-lo, mas quero informá-lo de que uma pequena cidade ao sul daqui foi devastada por uma névoa estranha que surgiu nos pântanos que ficavam ao lado da cidade, levando todos os cidadãos à morte.”

“Uma grande tragédia, eu diria. Fico muito preocupado ao ouvir sobre isso. Aquela região é tão remota e isolada; deve ter sido devastador para a população local. Espero que os socorros cheguem a tempo de evitar que mais vidas sejam perdidas.”

'Por que sinto que ele está mentindo? Mesmo tendo visitado esse lugar frequentemente, ainda assim não consigo me acostumar com a atmosfera fria e melancólica emanando dele. Até mesmo sua aparência me assusta! Um homem com a pele esbranquiçada, cabelos negros e olhos que estão escondidos sob óculos escuros. Nem parece humano! Há algo de misterioso e perturbador nele, como se ele carregasse um segredo obscuro.'

“Caramba, doutor! Se continuar me olhando dessa forma, as pessoas vão começar a achar coisas!”

“Desculpe-me, não queria lhe incomodar com o meu olhar. Às vezes fico tão imerso em meus próprios pensamentos que nem percebo quando isso acontece. Mas prometo que vou prestar mais atenção daqui para frente. Me perdoe se isso o incomodou, senhor.”

“Ah! Não! Não precisa se preocupar com isso. Sentir o olhar penetrante de um jovem é sempre animador para mim! Na verdade, eu gosto quando as pessoas me observam com atenção. Faz-me sentir vivo e relevante. Então, por favor, sinta-se à vontade para me contemplar!”

O olhar malicioso de Vlad se intensificou enquanto ele se contorcia e lambia seus lábios com sua língua avermelhada.

"Aaa... Agradeço pelo elogio, senhor Vlad... mas... devo ir agora!"

"Ah, não tinha um relatório para me apresentar, doutor?", Vlad disse, lembrando o médico de sua obrigação.

Ouvindo isso, o médico parou, não podendo negar aquelas palavras.

"É mesmo, eu havia me esquecido. Obrigado por me lembrar", respondeu, resignado.

"Não tem de quê. Sente-se! Noite, sirva um chá para o doutor!", Vlad ordenou.

"Aqui, espero que goste", disse a criada, servindo o chá.

"Obrigado... hmm, muito bom", o médico agradeceu, tomando um gole do chá quente.

À medida que bebia o chá, o cansaço em seu corpo se dissipava, e sua mente se clareava.

"Minhas pesquisas usando os corpos dos infectados mostraram ser insuficientes. Infelizmente, eu ainda não consegui nenhum avanço, senhor", ele relatou a Vlad.

"É uma pena mesmo, doutor. Eu possuía muita expectativa em você. Que decepção", Vlad lamentou, embora seu tom de voz não soasse genuinamente arrependido.

"Eu sinto mu--", o médico começou a se desculpar, mas foi interrompido.

"Você deve estar muito cansado, doutor. Por que não descansa em um dos nossos quartos?", Vlad sugeriu, com um sorriso dissimulado.

"Agradeço pela gentileza, mas eu insisto...", o médico tentou recusar, mas seus protestos enfraqueceram e ele sucumbiu à exaustão, caindo novamente inconsciente.

"Que pena! Eu realmente achei que 'aquilo' estaria com ele. Achei que ele seria mais útil para nós", Vlad lamentou, embora seu tom de voz indicasse mais frustração do que compaixão.

Com um sorriso arrogante em seu rosto, Caninana impacientava-se à espera do despertar do ancião. "Quanto mais tempo vai levar para acordar aquele velho?", resmungou com impaciência.

Seu companheiro, mais cauteloso, respondeu: "Acalme-se, Caninana. Em breve ele acordará..." Mal acabara de falar e, inesperadamente, os grandes olhos luminosos do ancião se abriram nas profundezas dos pântanos, mudando o curso das águas com sua presença.

O despertar do poderoso ser antigo trouxe uma aura de mistério e expectativa. Sua antiga sabedoria e forças ancestrais agora se manifestavam, prontas para exercer sua influência sobre aquele ambiente selvagem e repleto de perigos. Caninana e seu companheiro sabiam que nada seria o mesmo após esse momento, pois o antigo guardião dos pântanos havia retornado de seu sono profundo.

Nas profundezas dos grandes pântanos, os olhos luminosos da antiga criatura se abriram lentamente, mudando o curso das águas estagnadas com sua simples presença. Elevando-se da lama e das raízes emaranhadas, a gigantesca cabeça da serpente mítica surgiu, seus chifres retorcidos brilhando sob a luz trêmula. As escamas negras e brilhantes do corpo escorregadio da cobra se revelaram, enquanto ela movia seu corpo com graça e poder primordial.

Conforme a criatura se erguia cada vez mais alto, terremotos começaram a sacudir a terra ao seu redor. O mundo inteiro parecia estremecer diante da força e magnitude daquela antiga presença. Mesmo não revelando toda a extensão real de seu corpo, que poderia facilmente se estender por milhares de quilômetros, a serpente optou por assumir uma forma menor e mais humanoide, com longos cabelos castanhos e olhos brancos opalescentes.

Sua estatura, embora menor que a forma original, ainda era muito superior à da maioria dos homens, chegando a cerca de 2 metros de altura. Trajando um sobretudo de couro preto que descia até o chão, a criatura tinha os braços e a parte superior do corpo amarrados atrás das costas.

Com apenas um passo majestoso, a serpente gigante parou diante da imponente mansão do senhor daquelas terras, dirigindo-se diretamente até a porta principal. Lá, foi recebida pelo próprio proprietário, que a cumprimentou com familiaridade.

"Olá, irmão. Faz tanto tempo que não nos vemos. Sentiu saudades?"

A serpente, em sua forma humanoide, respondeu de maneira lacônica: "Não."

O frio congelante dominou todo o ambiente, como se a própria natureza estivesse lamentando a cena que se desenrolava. As belas flores que antes embelezavam o lugar murcharam e se tornaram apenas pó, como se a vida houvesse abandonado aquele cenário.

[VLAD DRÁCULA TEPES! RETORNE AO PAI AGORA!]

A voz ecoou possante, carregada de autoridade e urgência. O céu escureceu em nuvens carregadas e trovões caíram, rompendo o silêncio gélido que se instalara.

"Primeiro de tudo, não. E, em segundo lugar, não use a fala divina, irmão. Não percebe que está destruindo o tecido da realidade?"

O tom de voz era firme, quase repreensivo. Era evidente a preocupação com as consequências das ações do irmão.

"Como queira."

A resposta foi seca, denotando certa relutância em ceder.

"Ótimo! Vamos entrar..."

A tensão no ar era palpável, enquanto os dois personagens adentravam a imponente mansão.

"Onde está aquela pirralha?"

A pergunta foi direta, revelando certa impaciência e um aparente conflito entre os envolvidos.

"Direto como sempre, irmão! Venha aqui, Caninana!"

A chamada ecoou pelos corredores, trazendo à cena uma bela mulher que saudou seu pai.

"Como está, meu pai?"

Sua voz carregava uma mescla de preocupação e certa familiaridade com a figura paterna.

"Estaria melhor se estivesse dormindo, garota."

A resposta seca e um tanto desinteressada indicava uma relação complicada entre os dois.

"O senhor nunca muda mesmo, não é? Já se passaram 300 anos desde a última vez que nos encontramos. O senhor lembra da última vez que conversamos?"

Suas palavras eram carregadas de um misto de resignação e tentativa de provocação.

"Sim."

A resposta curta e direta do pai sugeria uma relutância em aprofundar o assunto.

"Então lembra do que o senhor fez?"

Seu tom agora era mais incisivo, buscando uma reação mais contundente.

"Sim."

Mais uma vez, a resposta monossilábica parecia acentuar a distância entre os dois.

"Mesmo lembrando, ainda assim fala com uma naturalidade tão grande, pai!"

Sua voz denotava certa frustração diante da aparente indiferença do progenitor.

"Se pessoas de fora vissem isso, achariam que eu a puno injustamente e que sou um monstro... mas não é isso que você quer, pirralha, me fazer parecer um monstro?"

As palavras carregavam uma certa lucidez e um aparente entendimento das intenções da filha.

"... Hahahahaha, o senhor sempre foi muito inteligente. É impossível tentar ganhar do senhor com as palavras..."

Sua risada revelava uma aceitação, ainda que com certa resignação, da perspicácia do pai.

"Fique quieta, meu assunto é com essa coisa."

Com essas palavras, ele deu a ordem, e Caninana caiu inconsciente no chão, seguida pelos demais.

"Precisava colocar todos para dormir?"

A pergunta, carregada de uma certa surpresa, mascarava sua total falta de preocupação.

“Vejo que você já contaminou a minha filha com suas ideias, Drácula. Não posso aceitar que você a esteja influenciando de maneira tão negativa.”

“Ahhh... não é para tanto, irmão! Eu apenas quis mostrar a ela os prazeres e as diversões da vida. Nada demais, apenas um pouco de diversão inofensiva. Não vejo mal algum nisso.”

“Entre todos nós, você é realmente o único cujas motivações eu simplesmente não consigo compreender. Suas ações são tão imprevisíveis e impulsivas. Às vezes, me pergunto se você realmente tem algum senso de responsabilidade ou preocupação com os outros.”

“Ora, ora, meu caro irmão. Você sabe que eu apenas busco aproveitar a vida da maneira que considero mais prazerosa e empolgante. Não posso ficar preso a regras e obrigações o tempo todo, não é mesmo? Afinal, a existência é curta demais para desperdiçá-la.”

“Isso é o que me preocupa. Sua falta de limites e de preocupação com as consequências de seus atos. Temo pelo bem-estar de minha filha se ela continuar sob a sua influência negativa.”

Diante desse impasse, os dois irmãos continuaram sua acalorada discussão, cada um defendendo seu ponto de vista de forma intransigente.

“Então?”

“Então eu preciso de você, irmão.”

“O que você quer?”

“Ah, como você é direto ao ponto. Por que você não relaxa um pouco e vamos aproveitar as preliminares?”

Drácula esgueirou-se lentamente em torno do corpo de seu irmão, colocando suavemente suas mãos sobre os ombros dele. Então, inclinou sua cabeça, aproximando seu rosto do ombro de seu irmão, e deixou sua longa língua avermelhada deslizar pela bochecha dele em um gesto provocativo e sedutor.

“Afaste-se de mim.”

“Hmm…”

Com um movimento brusco, ele bateu o pé no chão, gerando uma vibração tão forte que cortou tudo em um raio de mais de dez mil quilômetros, deixando para trás uma grande e profunda cratera, devastando tanto a terra quanto o céu.

“Você sabe que isso vai causar um verdadeiro apocalipse, não sabe?”

“Nunca mais se aproxime de mim e da minha filha, Vlad. Isso é um aviso claro!”

“...Hum! Então isso foi uma ameaça... Porque se for, eu poderei sentir pena de você, irmão.”

“Você acha que não posso derrotá-lo?”

“Eu não acho, irmão... eu tenho certeza disso!”

A atmosfera ao redor deles ficou cada vez mais pesada e carregada com a pressão liberada durante a disputa. No entanto, a luta dos dois foi interrompida com o recuo de Vlad.

“É uma pena mesmo, irmão. Bom!”

Vlad afastou-se lentamente, deixando seu irmão inquieto com sua atitude.

“Saudades, até a próxima reunião~”

“Espere aí, irmão! Você me despertou por qual motivo egoísta?”, questionou Etherious, seus olhos estreitos cheios de suspeita.

“O quê?! Está insinuando que eu fiz tudo isso apenas para trazê-lo aqui e tentar ganhar tempo, enrolando você enquanto alguém rouba o seu grande tesouro?”, exclamou Vlad, indignado com a acusação.

As veias de Etherious começaram a saltar em seu pescoço até a testa, sua raiva palpável. “Seu maldito!”, rosnou, encarando o outro com fúria.

“É melhor você ir pegar o ratinho, irmão, do contrário você apenas irá perder sua tão amada relíquia! Hahahaha”, riu Vlad, debochado.

“Isso não acabou, Vlad”, ameaçou, desaparecendo de sua vista.

Etherious então se dirigiu às suas presas, em sua moradia.

“Pode parar de atuar, Caninana.”

“Como eu fui?”, perguntou a mulher, surgindo das sombras.

“Esplêndida, digna de recompensa”, elogiou ele.

“Eu vou cobrar”, avisou Caninana.

“Claro. Conseguiu Nosferatu, como ordenado?”, questionou.

Ela então estendeu a ele um objeto enrolado em um pano negro, amarrado com uma corda dourada. “Aqui está, meu senhor.”

Os olhos de Drácula brilharam com satisfação. “Ótimo! Haha... hahaha... hahahahahaha…” Sua risada ecoou pelas paredes.

Erguendo a mão, ele rasgou o espaço, abrindo um portal para um grande vazio macabro. “Vamos embora.”

Mas antes que Vlad pudesse se mover, Etherious apareceu, furioso: [Vlad!]

“Opa... O papai está bravo”, Vlad disse, ironicamente, antes que desaparecesse, deixando apenas rastros de destruição para trás.

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