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Capítulo 23 Luiz

BELADIA
Pensamento

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conto84

Na releitura fiquei presa na barriga da bruxa negra, já grande quando a rainha de luz bate nela. Desde o capítulo 19 esperando isso, e aposto que a criança híbrida é gente conhecida. É a Hadria?

Na releitura fiquei presa na barriga da bruxa negra, já grande quando a rainha de luz bate nela. Desde o capítulo 19 esperando isso, e aposto que a criança híbrida é gente conhecida. É a Hadria?

Conteúdo da publicação

livro ( trinta dias para a última lua)

Luiz agora estava em uma cela. A mulher estava amarrada com cordas mágicas brancas, circulando por todo o corpo; quanto mais força ela fazia para se soltar, mais apertadas elas ficavam. Ela estava sangrando, havia sido espancada. Suas garras estavam expostas e seus olhos, negros, revelando a resiliência da força física das bruxas negras. Ela estava ali no chão, mas uma lágrima negra descia pelo seu rosto, como se algo muito importante houvesse sido quebrado dentro dela.

Tudo ficou escuro novamente e Luiz apareceu outra vez dentro daquela cela, mas dessa vez a mulher não estava sozinha. Um bruxo de luz de meia-idade estava com ela; ele usava uma roupa imponente e uma coroa na cabeça. Foi ele quem fez a magia das cordas brancas em volta do corpo da bruxa negra, ele quem a castigava nesse momento com lances repetitivos de magia. Ela olhava com fúria para seu agressor, mas não havia lágrimas ou gritos.

— É para um bem maior. Depois que a criança híbrida nascer, nós teremos o poder, vamos dominar os dragões e acabar com a existência de todas as bruxas negras dos três continentes. Vocês são uma praga — dizia ele com autoridade e convicção.

Tudo ficou escuro novamente, revelando outro momento na cela com a bruxa negra amarrada. A barriga da bruxa negra estava grande, como se o dia do parto já estivesse perto. Uma bruxa de luz estava com ela; era alta, de cabelos longos e loiros, a aparência emanava uma pureza. Seu vestido reluzente branco e dourado brilhava com o contraste da penumbra da cela, sua aparência lembrava um ser evoluído dos livros que Luiz lera sobre as Terras Altas. Ela usava uma coroa fina na testa e golpeava repetidamente a bruxa negra com magia, ferindo o corpo dela até sangrar, sem se importar com o fato de a bruxa estar gerando outro ser. A bruxa negra olhava a sua agressora com fúria. A dor que sentia era dilacerante, mas ela não ousou chorar ou pedir por clemência; ao invés disso, sorriu maliciosamente para a agressora:

— Eu estou aqui... no entanto, é você que está insegura — sorriu a bruxa negra.

A bruxa negra percebeu que acertara o alvo com suas palavras. Uma fúria subiu ao rosto da agressora.

— Você acha que ele te amava? — dizia a mulher. — Nunca existiu amor, sempre foi um plano para o bem maior. Você foi ingênua e tola, traiu todo o seu clã. Você não tem mais um reino; é uma rainha destronada, banida, caçada pelos seus iguais... Vai ter uma morte lenta e dolorosa assim que a criança nascer. Será uma nova era para os bruxos de luz.

A bruxa negra amarrada não disse mais nada, apenas olhava para a sua agressora e sorria, enquanto recebia feixes de magia que chicoteavam seu corpo. No fundo da sua escuridão, consentiu que aquilo que fora dito era uma verdade.

Tudo ficou escuro novamente, e Luiz estava no alto, como se levitasse acima de um castelo antigo cercado por uma cúpula de poder. Um imenso dragão expelia chamas na cúpula — o mesmo da planície que o olhou com curiosidade, reconheceu Luiz —, a cúpula brilhava com uma luz fraca, tentando não ceder. Mais seis dragões, montados pelas suas cavaleiras, apareceram em voo sincronizado e começaram a expelir fogo sobre a cúpula. Por um momento ela aguentou, mas a fúria dos dragões era tremenda. Ela explodiu, e os dragões agilmente entraram no pátio do castelo e começaram a incendiar tudo. As bruxas saltaram e, com velocidade feroz, iniciaram uma luta violenta corpo a corpo com os cavaleiros de luz. Eram muitos cavaleiros de luz para apenas seis bruxas negras.

O primeiro dragão posicionou-se diante de uma estrutura do castelo e começou a expelir fogo até derreter as pedras; de lá saiu a bruxa que estava presa, envolvida pelas cordas mágicas, com as mãos sobre a barriga que já era proeminente e montando no dragão.

Três bruxas  e três dragões fizeram uma barreira para proteger as outras quatro que tentavam fugir. Mais à frente, duas bruxas montadas em seus dragões ficaram para retardar o combate dos bruxos de luz que as seguiam; Uma violenta luta começou no céu.  A noite se iluminava com os feixes de luz e o céu ganhava rajadas de fogo escarlate expelido pelos dragões. Foi um resgate só de ida para as cinco bruxas e cinco dragões,  que ficaram para dar tempo para as outras três voarem em direção ao reino demoníaco.

 

 

Thoughts

  • Ovid

    A bruxa negra sorrindo pra agressora com a barriga já grande, sem chorar nem pedir clemência, me fez pensar em quanto essa história muda de lado dependendo de quem conta a memória. Aposto que o Luiz sai dessa cela sem saber mais em quem confiar. Vinte e três capítulos é fôlego de verdade, obrigado por manter a série aqui, BELADIA!

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  • conto84

    Na releitura fiquei presa na barriga da bruxa negra, já grande quando a rainha de luz bate nela. Desde o capítulo 19 esperando isso, e aposto que a criança híbrida é gente conhecida. É a Hadria?

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