Jéssika apanhou a bolsa e caminhou apressadamente em direção à saída do restaurante, sentindo o peso do olhar de Derek em suas costas. Assim que pisou na calçada iluminada, o celular em sua mão vibrou com uma mensagem de um número desconhecido:
"Ratos de biblioteca são criaturas muito fáceis de esmagar, Jéssika. Divirta-se com a sua amiga. Um carro meu já está te esperando no meio-fio para garantir que você chegue em segurança. Não me faça ir buscar você pessoalmente."
Um sedã preto de vidros escuros parou lentamente no meio-fio. Ignorando o veículo, Jéssika caminhou rapidamente até a esquina e pegou um táxi comum em direção à casa de sua amiga. No meio do caminho, ela recebeu uma mensagem de Lucas, o rapaz de quem estava a fim, perguntando se poderiam almoçar no dia seguinte, e ela concordou. Ela sabia que estava colocando Lucas em risco e, em silêncio, olhando para fora da janela, tomou uma decisão firme.
Na casa da amiga, resolveu pousar lá. Elas conversaram a noite toda, brincando e rindo, permitindo que esquecesse temporariamente o sufoco da máfia.
No dia seguinte, Jéssika foi ao encontro muito bem vestida. O almoço com Lucas fluiu de maneira leve, mas o mundo sombrio de Derek quebrou a bolha de segurança. O garçom aproximou-se e entregou um pequeno cartão preto com letras douradas e um ramo de rosas vermelhas. No cartão, estava escrito:
"O seu guarda-roupa está impecável hoje, mia -cara. Uma pena que escolheu se vestir assim para o homem errado. O almoço é por minha conta. Volte para casa assim que terminar. — D."
Olhando pela janela, ela viu Derek encostado em seu carro de luxo, observando-os.
A raiva a dominou: "Mas que merda, que porra ele quer? Não tenho nada com ele, que perseguição mais ridícula!" Em um impulso de fúria, Jéssika pegou Lucas pelo colarinho e deu um beijo bem forte em resposta à mensagem do cartão. Ao se afastar, ela avisou o rapaz:
— Se você ouvir ou vir qualquer coisa, não converse e nem olhe, simplesmente saia e fuja.
Ela pagou a conta e empurrou Lucas pela saída de serviço. Ao sair pela porta principal, o sedã de Derek já a esperava. Ela entrou no carro batendo a porta com muita força. Derek a levou para uma mansão isolada da máfia na periferia. Ele a encurralou e desceu do carro desafiando-a a contar tudo para o irmão Julian, alegando que Julian dependia dele. Jéssika, trêmula de ódio, deu um tapa na cara de Derek.
— Quer ficar comigo sob ameaças? É isso que você chama de conquista? Ridículo! — Xingando baixinho, ela entrou de volta no carro batendo a porta com muita força.
Lá fora, Derek apenas pediu a chave reserva para abrir o veículo. Jéssika deu uma risada sarcástica, mantendo o ódio no olhar, e sinalizou um "vai se ferrar" pelos lábios. Ficou sem fazer nenhum movimento, sem demonstrar medo, apenas de braços cruzados vendo como ele era ridículo com aquela pose de mandão. Quando ele abriu a porta, ela disparou: — Já que você me fez entrar nesse carro, me leve para casa.
Derek, intrigado com a audácia, entrou ao lado dela e ordenou ao motorista que a levasse. Durante o trajeto, Jéssika não deu ouvidos a nenhuma palavra dele. Ficou em silêncio olhando para fora da janela, sorrindo sarcasticamente por dentro, sabendo que nem tinha nada com Lucas e que não havia dado tempo de começar algo.