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A Princesa e o Fábulo

VictorRikelmy
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Capítulo 03 - A Segunda Tentativa Foi-se o príncipe errante por colinas ressequidas,

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Capítulo 03 - A Segunda Tentativa

Foi-se o príncipe errante por colinas ressequidas,

Onde o vento assobia lendas e embala noites perdidas,

Nas dobras do velho monte, o vento dança, sem partida,

Mas quem lhe rouba a fala traz a maldição por vida.

 

Subiu o moço solitário por trilhas há muito esquecidas,

Onde árvores mortas cochicham memórias adormecidas.

Em cada sopro nas pedras, a lembrança ressoava,

Velhos crimes e paixões, em canto que ecoava.

 

Ali, de pés bem fincados, envolto em sombra e vigília,

Ergueu aos céus seu pedido no idioma da arcaica magia:

- Oh vento que tudo escuta, oh sopro de velha heresia,

Dá-me a voz duma donzela que por amor jamais morreria!

 

O vento, em fúria dançante, arrancou-lhe a capa fria,

Sussurrou-lhe aos ouvidos: eis a minha cortesia!

E por puro jogo e riso, girando feito harpia,

Entrou dentro do frasco de vidro que ele trazia.

 

Desceu o monte o moço cansado, com o frasco que tilintava alegria,

Mas o coração em segredo pensava: mais que ousadia!

No salão de pedra escura, fingiu firmeza e simpatia:

- Aqui trago, velha bruxa: a voz da minha senhoria!

 

A bruxa, de olhos cerrados e com lenta feitiçaria

Pôs o frasco sobre a mesa, dentro de um círculo de sal e de magia.

Ascendeu três velas, soprou cinzas no centro da travessia,

E com seus dedos de raízes, destampou a ventania.

A voz saiu em assovios leves e cheios de melodia:

- Não chores, meu bem... não chores... farei teu pranto poesia...

 

O rei, de punho cerrado, fez estremecer a alvenaria:

- Isso é truque! É só vento e brisa vazia,

Quero voz de carne quente, não sopro de zombaria!

 

A bruxa então gargalhou, com riso que tudo partia:

- Isto é voz de cousa oca, de alma que nunca ardia...

É canto de corrente leve, de sombra que não existia!

A voz da tua esposa, príncipe, ainda falta neste dia...

 

O rei, rubro de ira, bradou e tremeu a galeria:

- Que truque danado... que truque safado!

Vai e traz-me a voz da tua esposa,

E a quero neste cesto encantado!

 

E com o dedo encurvado, apontou-lhe com ironia:

- Agora ouve com teus ossos: na tua próxima ousadia,

Quero a voz verdadeira, da mulher que tanto bem te queria!

Ou tua cabeça, por tua culpa, será a próxima que se partia.

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