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Capítulo 15: O que eu fui e o que eu sou agora!

BELADIA
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livro ( Querida, Sorria!)

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BELADIA

O jogo virou, não é mesmo? Maraíra acabou de descobrir que é a verdadeira dona do tabuleiro! Chegamos até aqui, foi uma jornada intensa de autodescoberta e libertação. Antes de seguirmos, quero dar uma pausa e saber de vocês: o que estão achando do livro

O jogo virou, não é mesmo? Maraíra acabou de descobrir que é a verdadeira dona do tabuleiro!

Chegamos até aqui, foi uma jornada intensa de autodescoberta e libertação. Antes de seguirmos, quero dar uma pausa e saber de vocês: o que estão achando do livro até aqui?

O comentário de vocês é o combustível que move essa história! Me contem aqui embaixo o que acharam da evolução da nossa protagonista e de tudo o que ela passou nesses primeiros quinze capítulos. Leio todos com muito carinho.

Não esqueçam de curtir/votar no capítulo. Um grande abraço e até a próxima atualização!

Conteúdo da publicação

livro ( Querida, Sorria!)

Há muito tempo, movida pela insegurança e pela obsessão em ser amada, Maraíra havia contratado um detetive particular para seguir o marido. Agora, sentindo o cheiro da desonestidade, ela retomou o contato e contratou os serviços do profissional para investigar também a vida do padrasto e da meia-irmã, Júlia. Ela sabia que encontraria sujeira. Peça por peça, Maraíra estava construindo uma guilhotina de informações sobre sua própria família.

Em meio à papelada do velho contador, ela encontrou o testamento original de seu falecido pai. Nele, havia uma cláusula blindada: ao atingir a maioridade, Maraíra seria a legítima e única dona de todas as empresas. Em caso de casamento, o marido até poderia administrá-las, mas, se houvesse divórcio, a totalidade do patrimônio e o poder de decisão voltariam imediatamente para as mãos dela.

Pedro havia concordado e assinado o documento ao se casar. Na época, cega de amor e apatia, Maraíra nunca ligou para os negócios e confiou cegamente na administração dele.

Foi por isso que ele nunca quis o divórcio, concluiu ela, rindo sem humor. Se Pedro pedisse a separação, perderia um império. Setenta por cento do patrimônio voltaria para o controle absoluto dela, e os outros trinta por cento estavam trancados nas holdings nos paraísos fiscais... que, legalmente, também estavam no nome de Maraíra. Ele estava preso a ela.

Os dias que se seguiram a essa descoberta passaram com leveza e velocidade. O alívio de ter informações tão relevantes nas mãos transformou sua rotina. Maraíra agora acordava cedo, ora completamente envolvida em novos projetos de melhoria para a propriedade, ora na frente do computador fazendo cálculos e planos. Ela estava construindo uma horta e preparando um espaço de convivência com pedras para acender fogueiras nas noites frias. Havia escolhido aquele pedaço de terra isolado justamente pela semelhança com as paisagens do Parque Nacional de Yellowstone.

Ao entardecer, as grandes janelas do bangalô emolduravam a natureza como um quadro vivo e colossal. O céu se transformava em um espetáculo poético: tons de laranja incandescente e vermelho-cobre incendiavam o horizonte, derretendo-se lentamente em um violeta profundo e um dourado cálido que banhava os picos das montanhas. Era uma tela deslumbrante, que mudava de humor e de cores conforme a respiração da própria natureza.

Maraíra havia se acostumado a passar esses finais de tarde na varanda de madeira recém-pintada de branco. O espaço havia ganhado vida nova com diversos vasos de flores coloridas que adornavam os cantos, exalando um perfume doce e fresco. O destaque, porém, era o confortável balanço de madeira rústica, pendurado no teto por cordas firmes e forrado com almofadas macias. Era ali que ela se sentava para deixar seus pensamentos se organizarem, tomando café e observando o entardecer e os pássaros na revoada em direção à copa das árvores, procurando abrigo.

Embalada suavemente pelo balanço, Maraíra se pegou pensando em sua vida, em sua trajetória até ali e em como as escolhas que fez a deixaram naquele estado. Ela abrira mão de tudo o que era e do que gostava para se encaixar no mundo do marido e da família. Havia dominado a área de economia, estava em um emprego de que gostava e em plena ascensão profissional, mas uma esposa de um homem rico e de classe não trabalha fora de casa. Anos mais tarde, encantou-se por arquitetura e a estudou a fundo, mas também não pôde atuar; era "só mais um hobby", dizia Pedro. Ela até tinha um escritório, uma sala em um prédio comercial, mas nunca o usou de fato para o trabalho. Sempre fora uma marionete, agindo apenas de acordo com o que era conveniente para o marido e para a família.

Era sempre mantida em uma jaula dourada, com grades invisíveis. As regras eram claras: manter a discrição, ser uma esposa exemplar, não envergonhar a família, falar pouco, não ter amigos próximos. Ela havia crescido ouvindo sua mãe dizer, mesmo quando a filha queria chorar ou havia chorado minutos antes — sempre com uma voz firme e cortante, ostentando um sorriso cruel no rosto:

— Querida, sorria!

E, anos mais tarde, Pedro havia tomado essa frase para si. Antes de um evento social ou de negócios importante, ele aparecia vestido com um smoking feito sob medida, emanando uma aura imponente e controladora.

— Você está dopada de remédios — dizia ele, com um sorriso sádico. — Este evento é importante para mim. Homens bem-sucedidos têm mulheres bonitas e caladas, você entendeu? — Ele a segurava firme pelos ombros. — Querida, sorria! — e a encaminhava para fora do quarto. — Se algo der errado, vou quebrar as suas costelas mais uma vez.

Era costume de Pedro. Quando Maraíra não fazia estritamente o que ele ordenava, ele a machucava em lugares estratégicos, onde ninguém poderia ver. E naquela época, ela sentia que merecia ser machucada; sentia-se culpada por não atender às expectativas do marido. Era um ciclo de autodestruição que hoje ela compreendia com clareza: um relacionamento profundamente tóxico.

Ela jurou que nunca mais se permitiria ser colocada em uma posição de dependência emocional. Agora, iria se concentrar apenas nela própria. Depois de tantos anos vivendo e respirando a vida de outra pessoa, ela queria descobrir do que gostava, o que queria e até onde poderia ir. Esses últimos meses estavam sendo uma verdadeira jornada de autodescoberta. Maraíra sentiu orgulho de si mesma — e também um pouco de medo —, pois percebeu que poderia ser tão letal e fria quanto as pessoas de seu antigo círculo social.

A rotina ganhara um compasso vibrante. Vivi lhe deu uma carona até a cidade, onde Maraíra retirou seu jipe 4x4 comprado pela internet. Lá mesmo, ela renovou o guarda-roupa, cortando de vez os laços com os vestidos pálidos de antes, adquiriu novas peças de decoração e abasteceu a despensa com fartura de comida boa. A mente estava tão preenchida com os planos e o futuro que ela sequer se lembrava da dependência esmagadora que as bebidas e os remédios lhe causavam semanas atrás.

Havia tardes serenas em que o pequeno Manuel e o inseparável cachorro Tio Zé ficavam por lá, fazendo-lhe companhia pelo quintal. Os empreiteiros chegavam com o raiar do dia e partiam cedo, erguendo os projetos com agilidade. O bangalô, que um dia fora o palco de sua autodestruição, agora transbordava vida e movimento.

E, no meio de toda essa bela renovação, entre xícaras de café e gargalhadas sinceras, Maraíra e Vivi haviam se tornado grandes  amigas.

 

 

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  • BELADIA

    O jogo virou, não é mesmo? Maraíra acabou de descobrir que é a verdadeira dona do tabuleiro!

    Chegamos até aqui, foi uma jornada intensa de autodescoberta e libertação. Antes de seguirmos, quero dar uma pausa e saber de vocês: o que estão achando do livro até aqui?

    O comentário de vocês é o combustível que move essa história! Me contem aqui embaixo o que acharam da evolução da nossa protagonista e de tudo o que ela passou nesses primeiros quinze capítulos. Leio todos com muito carinho.

    Não esqueçam de curtir/votar no capítulo. Um grande abraço e até a próxima atualização!

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