Boa noite. Parei quando ela diz que não quer nada construído sobre o que eles eram. Ele passou uns capítulos ensaiando o que dizer, e aposto que ensaiou tudo pra menina de dezessete. Agora vai ter que jogar esse ensaio fora e começar do zero com ela.
Capitulo 12 - A minha Resposta (versão dela)
Pensamento
Boa noite. Parei quando ela diz que não quer nada construído sobre o que eles eram. Ele passou uns capítulos ensaiando o que dizer, e aposto que ensaiou tudo pra menina de dezessete. Agora vai ter que jogar esse ensaio fora e começar do zero com ela.
Conteúdo da publicação
A pergunta dele me atingiu em cheio.
“Você realmente me amava?”
Eu poderia ter respondido imediatamente.
Poderia simplesmente olhar para ele e dizer:
Sim.
Mas aquela não era uma pergunta que merecia uma resposta tão simples.
Amor não era uma palavra para ser dita no calor de uma emoção.
Não depois de quinze anos.
Não depois de tudo o que havíamos vivido.
Aquela pergunta precisava de verdade.
Então respirei fundo.
Olhei para ele.
E comecei.
— Eu aprendi a amar com você.
Ele permaneceu em silêncio.
— Na verdade, acho que você foi uma das primeiras pessoas que me fez descobrir o que significava amar alguém de verdade.
Parei por alguns segundos.
As palavras pareciam sair de um lugar muito antigo dentro de mim.
— Eu aprendi que amar também era saber perdoar.
— Aprendi que amor não precisava ser feito apenas de palavras bonitas. Às vezes, eram os gestos que mostravam aquilo que as palavras não conseguiam explicar.
Olhei para a água.
— Mas eu também aprendi que amar alguém não significa aceitar qualquer coisa.
Ele continuava me ouvindo.
— Naquela época, eu ainda estava descobrindo tudo isso. Eu era jovem. Não sabia diferenciar amor de medo, saudade de dependência, desejo de necessidade.
Respirei fundo.
— Mas sim...
Minha voz ficou mais firme.
— Eu realmente amava você.
Ele abaixou os olhos por um instante.
Continuei:
— Eu amei cada versão sua que conheci.
Aquele garoto.
O homem que você estava tentando se tornar.
Até mesmo a versão sua que me machucou.
A versão que se afastou.
A versão que muitas vezes não me deu as respostas que eu precisava.
Eu amei mesmo quando você me confundia.
Mesmo quando eu não entendia suas atitudes.
Mesmo quando parecia que eu não significava nada para você.
E talvez esse tenha sido um dos meus maiores erros.
Eu amava você, mas ainda não sabia amar a mim mesma.
Por muito tempo, achei que amar significava insistir.
Esperar.
Perdoar.
Voltar.
Tentar novamente.
Até que chegou um momento em que eu simplesmente não conseguia mais suportar.
Foi quando alguma coisa mudou dentro de mim.
Eu precisei parar de olhar para você.
E começar a olhar para mim.
Foi então que comecei a viver.
Conheci histórias que nunca imaginei viver.
Passei por experiências que me fizeram descobrir partes de mim que eu sequer conhecia.
Descobri que podia ser desejada.
Que podia ser admirada.
Que podia ser escolhida.
Mas, acima de tudo, descobri que eu precisava me escolher.
Pela primeira vez, comecei a enxergar a mulher que existia além daquela menina que esperava por você.
Uma mulher que tinha vontades.
Medos.
Sonhos.
Erros.
Qualidades.
Defeitos.
Uma mulher que não precisava que alguém a escolhesse para provar que ela tinha valor.
E foi aí que compreendi uma coisa que demorou muitos anos para aprender:
Para amar você, eu precisava primeiro aprender a me amar.
Não foi fácil.
Eu precisei passar por perdas.
Por decepções.
Por momentos em que achei que não conseguiria continuar.
Precisei sentir tristeza.
Precisava entender que algumas pessoas chegam para ficar e outras chegam apenas para transformar alguma coisa dentro de nós.
E você me transformou.
Talvez não da maneira que eu imaginava aos dezessete anos.
Mas transformou.
Você me ensinou sobre saudade.
Sobre expectativa.
Sobre frustração.
Sobre perdão.
E, principalmente, sobre mim mesma.
Eu precisei conhecer outras histórias para entender que aquilo que sentia por você não era apenas um capricho.
Não era simplesmente porque você tinha sido meu primeiro grande sentimento.
Não era apenas desejo.
Não era somente a saudade de uma época que nunca mais voltaria.
Era amor.
Um amor que existiu.
Um amor que me machucou.
Um amor que eu precisei deixar ir.
E um amor que, mesmo depois de tantos anos, eu descobri que ainda carregava em algum lugar dentro de mim.
Ele respirou fundo.
Eu percebi que estava tentando processar tudo o que eu havia dito.
Então completei:
— Mas existe uma coisa que você precisa entender.
Ele levantou os olhos.
— Eu não sou mais aquela menina que você conheceu.
Parei.
— E não quero voltar a ser.
Minha voz não carregava mágoa.
Dessa vez, carregava certeza.
— Se ainda existe alguma coisa entre nós, eu não quero que seja construída sobre aquilo que éramos.
Olhei diretamente para ele.
— Quero descobrir quem somos agora.
O silêncio voltou.
Mas já não era o mesmo silêncio de antes.
Havia alguma coisa diferente entre nós.
Talvez porque, depois de quinze anos, finalmente tínhamos colocado em palavras aquilo que durante tanto tempo existiu apenas dentro da nossa cabeça.
Ele ficou alguns segundos olhando para mim.
Então perguntou:
— E hoje?
Meu coração apertou.
— Hoje... você ainda me ama?
Dessa vez, fui eu quem ficou em silêncio.
Porque aquela pergunta era ainda mais difícil.
Eu sabia o que havia sentido.
Sabia o que havia vivido.
Mas amar alguém depois de quinze anos talvez significasse algo completamente diferente.
Olhei para ele.
E percebi que talvez aquela noite ainda tivesse muitas respostas para encontrar.
Mas também muitas perguntas.
E algumas delas poderiam mudar completamente o rumo daquela história.
Thoughts
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PermalinkEsse capítulo abre com uma pergunta dele e fecha com outra pergunta dele, e no meio ela fala o capítulo inteiro. Eu fico do lado dela nessa, e aposto que tem gente aqui torcendo por ele. Quando começou a série, você já tinha decidido o que ela responde nessa noite perto da água?
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PermalinkEnganei-me, pensei que ele se calava outra vez quando a visse. Falou, e agora quem fica calada é ela, com mais razão.
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PermalinkGostei de ela amar cada versão dele, até a que a magoou, e na mesma conversa recusar voltar a ser a miúda dos dezassete. Guardo isto.
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PermalinkBoa noite. Parei quando ela diz que não quer nada construído sobre o que eles eram. Ele passou uns capítulos ensaiando o que dizer, e aposto que ensaiou tudo pra menina de dezessete. Agora vai ter que jogar esse ensaio fora e começar do zero com ela.
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PermalinkContava com o sim logo.
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PermalinkDesconfiei da firmeza dela. Diz que não é mais aquela menina, mas quando ele pergunta de hoje o coração aperta igualzinho.
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PermalinkCapítulo 12 e ela finalmente falou tudo! A pergunta sobre o passado ela conseguiu responder inteira, porque já sabia como aquilo terminou. A de hoje ainda não tem fim, e faz sentido ela ficar calada com o coração apertado. Fiquei pensando que é por isso que um reencontro assim assusta tanto: a gente só sabe falar direito do que já acabou.
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PermalinkArretado ver ela responder sem mágoa nenhuma! Aposto que a pergunta de hoje fica no ar mais um capítulo e quem acaba falando primeiro é ele, todo atrapalhado 😅
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