Desconfio do Rosenberg ficar calado depois da ameaça dos impostos. Um homem assim não esquece um tiro na mão, e se calhar ainda aparece à porta ao meio-dia.
capítulo 1: onde tudo começou...
Pensamento
Desconfio do Rosenberg ficar calado depois da ameaça dos impostos. Um homem assim não esquece um tiro na mão, e se calhar ainda aparece à porta ao meio-dia.
Conteúdo da publicação
Meus colegas de faculdade têm grande interesse pelas histórias de minha juventude. Mas a historia que eles mais me interrogam nem é sobre mim, mas sim sobre o romance de meu pai e minha madrasta, que é bem peculiar, para dizer o mínimo. Vocês me questionam tanto sobre esse assunto, que estou perdendo a pouca paciência que nunca tive. Pois bem, resolvi contar essa história logo de uma vez, para pararem de perturbar meu escasso juízo. E aproveitar também para desmentir as histórias que circulam nas colunas de jornal.
19 de agosto de 1929, segunda - feira, às oito horas e ponto da manhã, Essex, o começo de tudo. Era verão, estava um calor insuportável, pelo pouco que me lembro. Meu pai, Phillips Winterboure, tinha saído de nossa casa para uma reunião com um de seus sócios da época, Jonathan Rosenberg. o encontro era a alguns quilômetros de nossa casa, já que meu pai sempre foi reservado e antissocial. E eu — infelizmente — não estava presente no momento em que aconteceu mais à frente, e nem tive a oportunidade de ouvi-la, ou seja, estou escrevendo esse livro a partir dos relatos deles e de terceiros.
Phillips chegou à casa dos Rosenberg às oito e meia da manhã — se acostumem, o Mr. Winterboure é pontual ao extremo — foi recebido pelos empregados da casa e ficou esperando no hall de entrada. mas de repente ouviu coisas estranhas
gritos
suplicas
choramingos.
meu pai, sendo sangue frio que é, não correu, não se desesperou, não questionou. ele subiu os degraus, os 18 ao todo, ele contou, e chegou ao segundo andar. ele ouviu que o som vinha do escritório do Mr. Rosenberg, gritos raivosos indescritíveis de uma voz masculina. ele atravessou corredor e parou em frente á porta de madeira, e a abriu.
ele se depara com a seguinte cena: Mr. Rosenberg está claramente desorientado, com a pele rosa, mostrando que ele bebeu mais do que devia e fervendo de ódio. no canto da sala, estava uma mulher de cabelos ruivos vívidos, encolhida, com lágrimas secas no rosto, e um hematoma do lado direito, mas com os punhos fechados. no imediato que meu pai abriu aquela porta, Mr. Rosenberg pegou uma garrafa de álcool, como se quisesse usá-la como arma
meu pai fez algo que ele raramente faz: agir por impulso.
ele empunhou o revolver que estava em seu paletó , e deu um tiro na mão do sujeito.
AHHHH!
— verdammtes englisch!
o rosto se contorceu em dor, a garrafa em sua mão caiu no chão e se estraçalhou em cacos de vidro. imediatamente ele trouxe sua mão esquerda à direita, para estacar o sangramento, enquanto se abaixava levemente.
— eu já não lhe disse para parar de beber tão cedo? disse meu pai, com voz calma e voz baixa, que não combinavam nada com a situação.
— o que diabos está fazendo Phillips? você não sabe de nada! ele gritava enquanto ainda estava com a mão direita na esquerda, tentando conter o sangue sem sucesso. essa irlandesa do diabo estava orando suas rezas tolas enquanto limpava meu escritório sem meu consentimento! tem documentos importantes aqui!
— e Mr. Winterboure para você — dizia ele com sua voz fria e cortante, cheia de desprezo. você frequenta a igreja, certo? você não aprendeu que o bem que quer que faça a você, faça primeiro aos outros?
o rosto de dor e fúria de Rosenberg ficou ainda mais furioso
— Quem é você para dizer uma coisa dessas? você nem a igreja frequenta!
— você tem um ponto. mas vejo que estou consideravelmente em maior posição de santidade nesse momento do que o senhor.
— ora seu...
enquanto ele falava, ele começou a vir em direção ao Phillips, em instantes meu pai novamente mirou seu revolver nele e disse:
— mais um passo e eu te enterro tão bem que nenhum policial da Scotland Yard irar encontrá-lo. ele pronuncia essas palavras com sua típica fisionomia seria absoluta.
ele olha para o canto da sala e olha para os olhos verdes daquela mulher ruiva e diz:
— senhora, peço-lhe que saia desse cômodo rapidamente.
Ela olha com desconfiança, firmeza e uma mistura de angústia e ódio. Phillips repete:
— saia.
Ela saiu do cômodo tropeçando.
— escute, Mr. Rosenberg — ele falava enquanto se aproximava. você acredita que depois que eu sair de sua casa, você iria á policia me denunciar. todavia...
Ele se aproximou ainda mais e apontou o revolver para o queixo do infeliz, por baixo.
— presumo que a policia não ficará muito feliz em saber que o senhor sonega impostos para coroa britânica.
Mr. Rosenberg arregala os olhos.
Phillips remove o revolver do queixo dele, e se vira, mas antes disso diz:
— tenha uma boa manhã.
E sai do cômodo.
Quem disse que meu pai não tem senso humorístico?
fora do cômodo, meu pai vê a mesma mulher do lado da porta de madeira, ouvindo a conversa de penetra dos dois.
— poderia saber seu nome? perguntava meu pai
a mulher se se vira á frente de Phillips
— Murdock, Constance Murdock. dizia minha mãe, com confiança e seriedade.
— belo nome. olha, Miss murdock, eu lhe aconselho que saia desta casa, pelo que me parece você já sofria maus tratos aqui. E depois disso, ele virá para te matá-la. A senhora tem algum lugar para ficar?
minha mãe me disse que nesse momento não achava meu pai uma figura de muita confiança, mas resolveu falar a verdade.
— não. E como eu poderia abandonar essa casa? essa foi a única família que me deu emprego, o resto me humilhou. de onde tirarei minha renda?
minha mãe descreve que meu pai suavizou os olhos e estava em hesitação neste momento. já meu pai fala que estava decidido.
— Miss murdock, tenho uma proposta, mas não sei se vai aceitar — ele pausa — eu tenho dez filhos, adotivos.
Eu gostaria de estar neste momento apenas para ver minha mãe com os olhos arregalados e o rosto de espanto, com certeza foi muito engraçado e constrangedor.
Phillips coça a nuca.
— minha ex-governanta, digamos que ela não deu conta do trabalho exaustivo. se por ventura a senhora quiser se candidatar, eu te espero em Winterboure House, rua 14 Blackwood Lane, vila Elmswood , Colchester, Essex, meio-dia em ponto.
Thoughts
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PermalinkDesconfio do Rosenberg ficar calado depois da ameaça dos impostos. Um homem assim não esquece um tiro na mão, e se calhar ainda aparece à porta ao meio-dia.
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PermalinkA narradora chamando a Constance de minha mãe, depois de abrir dizendo que a história é do pai com a madrasta, me deixou desconfiada. Meu palpite é que ela foi criada como filha desde bem pequena e os jornais da época contavam outra versão. Vai postar a continuação da chegada dela na Winterboure House?
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