O capítulo fecha com as duas lâminas se encontrando e eu fiquei com a mão no mouse querendo o próximo. Esse tipo de corte é o que segura série. E reparei que ela terminou de falar o 'to' depois do grito, ninguém deixou o voto pela metade. Ela completou a palavra com o salão já em pânico, e isso diz mais dela do que a espada. Aposto que aquele 'to' vai voltar cobrado.
Capítulo 03: A cerimônia
Yal estava prestes a retrucar, ou melhor, assegurar a sua noiva que não teria amantes de sua parte. Felizmente, antes mesmo das palavras saírem gaguejadas, um dos guardas bateu na porta.
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O capítulo fecha com as duas lâminas se encontrando e eu fiquei com a mão no mouse querendo o próximo. Esse tipo de corte é o que segura série. E reparei que ela terminou de falar o 'to' depois do grito, ninguém deixou o voto pela metade. Ela completou a
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Yal estava prestes a retrucar, ou melhor, assegurar a sua noiva que não teria amantes de sua parte. Felizmente, antes mesmo das palavras saírem gaguejadas, um dos guardas bateu na porta.
— Alteza — veio a voz do outro lado da porta, firme desta vez. — Está na hora.
O momento foi quebrado sem cerimônia. Yal fechou os olhos por um breve segundo, como se organizasse algo que não pôde concluir. Quando os abriu novamente, já não havia hesitação — apenas a postura que lhe era exigida.
— Claro — respondeu ele, sem desviar o olhar de Aras.
— Devemos ir — disse ela, com a mesma calma de sempre.
Yal assentiu.
Brevemente, pareceu que ele diria algo.
Ele deu um passo para o lado, abrindo espaço para que ela passasse primeiro.
Aras não hesitou.
A porta foi aberta, e imediatamente o mundo voltou a existir.
Damas, guardas, tecidos, movimento — tudo retomando sua ordem como se nada tivesse sido interrompido.
O corredor até o salão principal era longo.
As passadas de Aras eram medidas, suaves, perfeitamente treinadas. O peso do vestido não parecia incomodá-la. O véu acompanhava cada movimento com precisão.
Yal caminhava ao seu lado, em silêncio.
As grandes portas do salão se abriram com imponência.
O som ecoou.
E então, todos os olhares.
A nobreza reunida se ergueu quase em uníssono. Tecidos ricos, joias reluzentes, expressões controladas — curiosidade disfarçada de etiqueta.
Aras não olhou para ninguém.
Seus olhos permaneceram à frente.
Sempre à frente.
Yal, ao contrário, percebeu.
Não as pessoas — isso ele já conhecia.
Mas a reação.
Sussurros contidos.
Olhares demorados.
Expectativa.
Sobre ela.
Sobre eles.
O altar erguia-se no centro, elevado o suficiente para que todos vissem.
A figura do oficiante aguardava, mãos entrelaçadas, expressão neutra.
Formal.
Imutável.
Como a cerimônia exigia.
Aras subiu os degraus com sua delicadeza.
Parou no lugar designado.
Só então, seus olhos se moveram.
Não para a multidão.
Mas para Yal.
Uma observação rápida.
Precisa.
Como se confirmasse algo.
Ele tomou seu lugar ao lado dela.
Agora, lado a lado.
Sem distância.
Sem cartas.
Sem possibilidade de recuo.
— Estamos reunidos — começou o oficiante, a voz ecoando pelo salão — para formalizar a união entre suas altezas, sob os termos acordados e diante das testemunhas aqui presentes.
Não havia menção a amor.
Nem a escolha.
Yal manteve o olhar à frente.
Mas falou em tom baixo — apenas o suficiente para que ela ouvisse:
— Ainda acha que o resto não é relevante?
Aras não virou o rosto.
— Para a cerimônia? Não.
Uma pausa.
— Veremos.
O oficiante continuava.
Votos.
Termos.
Promessas formuladas, o de sempre.
Quando chegou o momento.
— Príncipe Yal — disse o oficiante —, aceita cumprir os deveres desta união conforme estabelecido?
— Aceito.
— Princesa Aras — a voz voltou-se para ela —, aceita cumprir os deveres desta união conforme estabelecido?
— Eu acei—
— ETERIANOS INVADIRAM O CASTELO!
— ...to.
A palavra não chegou a se completar.
O grito rasgou o salão.
Por um segundo — um único segundo — ninguém se moveu.
Como se a realidade tivesse falhado em acompanhar o som.
Então veio o caos.
— Protejam a família real! — um dos guardas bradou, a voz sobrepondo-se ao início dos gritos.
O som de metal sendo desembainhado ecoou em sincronismo.
Cadeiras sendo arrastadas.
Vestidos pesados dificultando movimentos.
Nobres tentando manter a dignidade enquanto o pânico lhes subia pela garganta.
Aras não se moveu.
Seus olhos não foram para a multidão.
Foram para Yal.
Ele já não estava olhando para o oficiante.
Nem para o salão.
Mas para as portas.
— Fique atrás de mim — disse ele, finalmente, a voz firme, sem espaço para contestação.
Aras não obedeceu.
— Desnecessário — respondeu, com a mesma calma de antes.
Aquilo fez com que ele a olhasse de lado, rápido.
— Não é um pedido.
— Também não é uma situação que exige proteção cega — retrucou ela, sem elevar o tom.
Outro som cortou o ar.
Desta vez, mais próximo.
Um impacto contra as grandes portas.
Madeira rangendo sob força externa.
Yal se moveu então.
Um passo à frente.
Entre ela e a ameaça.
— Alteza! — um dos capitães se aproximou rapidamente, visivelmente tenso. — Eles romperam o portão externo. Estamos—
Outro impacto.
Uma das portas principais cedeu parcialmente, abrindo-se em uma fresta violenta.
Gritos aumentaram.
E então—
O primeiro invasor atravessou.
Armadura escura.
Movimento direto.
— Eterianos — disse Aras, quase em tom neutro.
Yal não respondeu.
Já estava pegando a espada de um dos guardas ao lado, sem sequer pedir.
— Retirem-na daqui! — ordenou ele, sem olhar para trás.
Duas damas hesitaram.
Ninguém se moveu.
— Eu não vou sair — disse Aras.
Simples.
Definitivo.
O segundo invasor entrou.
Depois o terceiro.
Yal virou o rosto para ela novamente.
— Isso não é negociável!
Aras inclinou levemente a cabeça.
— Nada aqui é. Esse é o meu reino, não seu.
A princesa rasgou seu próprio vestido, sem o menor pudor.
O tecido cedeu com um som seco.
Não houve constrangimento de sua parte, quando o corpete se abriu.
A saia pesada, que antes arrastava pelo chão em camadas impecáveis, tornou-se apenas o necessário para movimento. As pernas agora livres. A postura — outra.
Yal percebeu no mesmo instante.
— Aras—
Tarde demais.
O quarto invasor avançava na direção do altar.
Aras deu um único passo à frente.
E então, agarrou a espada de Yal.
O loiro não tentou impedir, nem sequer deu tempo.
O eteriano levantou a arma.
Aras avançou.
O primeiro movimento foi um desvio.
Ela girou o corpo, deixando a lâmina inimiga cortar o vazio onde ela estivera um instante antes.
O segundo movimento—
foi direto.
O aço encontrou carne.
Um corte limpo.
Diagonal.
O invasor não teve tempo de reagir.
O corpo cedeu antes mesmo da mente compreender.
Sangue.
No mármore claro do salão.
No vestido agora rasgado.
Na lâmina que ela ainda segurava e em sua própria pele dourada.
Aras não recuou.
Não olhou para o corpo.
Não procurou aprovação.
Ela apenas ajustou levemente a postura.
E levantou a espada novamente.
Agora não havia dúvida.
Nem para os nobres.
Nem para os guardas.
Nem para Yal.
Ela não estava sendo imprudente.
Outro eteriano avançou.
Dessa vez, preparado.
Aras não atacou primeiro.
Esperou.
Observou o movimento dos ombros.
O deslocamento do peso.
A intenção antes da ação.
Quando ele veio—
ela já estava se movendo.
A lâmina dele desceu.
E a dela subiu.
O choque ecoou alto, metálico, firme.
Thoughts
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PermalinkO capítulo fecha com as duas lâminas se encontrando e eu fiquei com a mão no mouse querendo o próximo. Esse tipo de corte é o que segura série. E reparei que ela terminou de falar o 'to' depois do grito, ninguém deixou o voto pela metade. Ela completou a palavra com o salão já em pânico, e isso diz mais dela do que a espada. Aposto que aquele 'to' vai voltar cobrado.
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PermalinkAras para no lugar dela e só então move os olhos, 'não para a multidão, mas para Yal'. Uma conferida rápida antes de assumir seja o que for. Pra mim ela já tinha decidido ali em cima quem ia ficar atrás de quem, e aposto que o vestido rasgado depois surpreendeu todo mundo naquele salão menos ela. Obrigado por publicar isto, sids!
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PermalinkEla rasgou o vestido 😭
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