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Calafrios de lembranças do passado ...

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Pensamento

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Ovid

A senhorinha chamar por ela logo depois do calafrio muda o peso da história inteira. Eu fiquei pensando nisso, o estacionamento apertado e de repente alguém com sacolas demais para ajudar, e a noite segue dali. Gostei muito de ver o jantar, o vinho e o li

A senhorinha chamar por ela logo depois do calafrio muda o peso da história inteira. Eu fiquei pensando nisso, o estacionamento apertado e de repente alguém com sacolas demais para ajudar, e a noite segue dali. Gostei muito de ver o jantar, o vinho e o livro virem todos depois disso. Obrigado por postar!

Conteúdo da publicação

Quando se aproximava do estacionamento do supermercado, sentiu os calafrios.

Veio uma onda de pavor, medo e lembranças ruins, tudo com apenas um calafrio. Apertou os passos e entrou no supermercado, foi até um cantinho, encostou na parede, fechou seus olhos, e começou a respirar e inspirar calmamente, várias e várias vezes, até não sentir mais o que estava sentindo.

Passados uns 10 minutos, ela abriu os olhos, e já estava se sentindo melhor, com suas mãos tremendo ainda, suando frio, começou a andar pelos corredores do supermercado, encontrou um carrinho e começou a pegar o que precisava.

Começando com o que ia fazer para jantar, ela queria comer uma massa e tomar uma taça de vinho, depois do dia que teve, ela precisava de um momento para relaxar, pegou os ingredientes para fazer um fettuccine alfredo com frango, era um dos seus pratos favoritos, depois foi até ao corredor de bebidas, escolheu um vinho seco, pegou também uns ingredientes para fazer um brigadeiro.

Olhou para seu carrinho e viu que já tinha pegado tudo que precisava para finalizar sua noite. Foi até o operador de caixa disponível, ensacou suas compras, pagou e quando estava indo em direção a saída, começou a suar frio nas mãos.

Até que escutou uma voz suave e baixinha, a chamar. Sentiu um grande alívio quando viu quem era, era uma senhorinha que morava perto de sua casa, viu que estava sozinha com tantas bolsas, a ajudou com as suas sacolas.

Então foram andando juntas, conversando, até em casa, a senhorinha morava uma rua antes, então ela a levou até em casa, onde sabia que seu neto o ajudaria com as compras e depois foi para casa. Ela morava no segundo andar, o primeiro andar era sua cafeteria e sua livraria.

Chegando lá, foi até as janelas, trancou, fechou as cortinas, depois foi até a porta principal, trancou e ativou o alarme. Subiu as escadas que ia para sua casa, trancou a porta, tirou seus tênis, deixando no canto da porta e foi até a cozinha, deixando as sacolas das compras em cima da mesa, ela foi retirando os ingredientes e pondo na pia, e o vinho colocou na sua geladeira, ela gostava do vinho gelado e não na temperatura ambiente. Foi até o armário da cozinha pegar as panelas que precisava e começou a preparar o jantar, dava para escutar sua barriga roncando de tanta fome que estava.

Enquanto sua comida estava no fogo, ia lavando as louças sujas, ela era do tipo de pessoa, que tinha que deixar tudo arrumado, antes de ir dormir. Depois de lavar a louça, foi até ao banheiro lavar o rosto e as mãos. Se olhou no espelho, se olhando, viu que estava pálida, e lembrou do que passou no estacionamento do supermercado, tinha anos que não sentia esse calafrio, a fazia lembrar de um trauma que passou no passado, não quis reviver o que passou então, lavou o rosto novamente, lavou suas mãos e retornou até a cozinha, sentiu o cheirinho do jantar ficando pronto, desligou o fogo, preparou seu prato, foi até a geladeira, pegou o vinho, abriu, pegou uma taça e foi até a sala de jantar, sentou na mesa e começou a comer.

Saboreando seu prato favorito, resolveu por uma música baixinha, para deixar o ambiente mais relaxante. Comeu devagar para saborear cada garfada, terminando, voltou na cozinha, lavou o restante da louça suja, deixando a cozinha arrumada, guardou o restante do jantar na geladeira, seria seu almoço de amanhã. Voltou até a sala e pegou um livro para ler, saberia que logo em seguida cairia no sono.

Começou a ler o livro, ela já estava na metade de um romance, até que sentiu suas pálpebras começaram a fechar, resolveu guardar o livro, já não conseguiria ler mais. Estava muito cansada, foi até o banheiro, tomou banho, colocou seu pijama, e foi deitar, até que adormeceu...

Thoughts

  • brunocosta

    Ó pá, eu também tranco tudo duas vezes quando o dia me corre mal. Li isto no banco do jardim depois do turno e fiquei a pensar nela.

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  • Rui_Salgueiro

    Gostei da parte do carrinho, ela a escolher o vinho e o brigadeiro depois daquilo tudo. Foi a minha filha que me mandou isto.

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  • Oliviamar

    Pensei que ela estivesse a fugir de alguém e afinal era o jantar dela e um livro. Eu ponho o vinho a arrefecer antes de arrumar o resto das compras.

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  • LivroDeCabeceira

    Rapaz, foi a segunda metade que ficou comigo, quando já não acontece mais nada e a gente continua ali dentro da casa dela. A louça lavada antes de dormir, o resto do jantar guardado pro almoço, o romance largado na metade porque a pálpebra pesou. Minha tia é assim, a casa arrumada senão ela não deita. Você tem mais contos sobre essa mulher da cafeteria?

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  • HoracioMelo

    Li isto às sete da manhã na cozinha. Ficaram-me os dez minutos dela encostada à parede, à espera que aquilo passasse. Já lá estive.

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  • GasparRibeiro

    Fiquei preso num pormenor: ela mora por cima da própria livraria e mesmo assim tranca janelas, cortinas, porta e alarme antes do jantar. Aquela senhorinha ainda volta a aparecer.

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  • AlmaTavares

    Ficou-me a maneira como ela tranca tudo ao chegar, janelas, cortinas, porta, alarme, e só depois tira os ténis. Fico com a ideia de que esta noite já estava ensaiada muito antes do estacionamento.

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  • Ovid

    A senhorinha chamar por ela logo depois do calafrio muda o peso da história inteira. Eu fiquei pensando nisso, o estacionamento apertado e de repente alguém com sacolas demais para ajudar, e a noite segue dali. Gostei muito de ver o jantar, o vinho e o livro virem todos depois disso. Obrigado por postar!

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  • versodemadrugada

    Ai, esse cantinho 😔

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Quando se aproximava do estacionamento do supermercado, sentiu os calafrios.

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