Odeio campanhas eleitorais não porque a política seja desnecessária, mas porque, durante esse período, muitas vezes ela se transforma em um espetáculo que pouco se parece com o diálogo democrático que deveria representar. As ruas ficam tomadas por propaganda, os discursos se multiplicam e a comunidade acaba envolvida em disputas que frequentemente ultrapassam a discussão sobre propostas.
Uma das coisas que mais me incomoda é perceber que muitos candidatos parecem se aproximar do povo apenas durante a campanha. Nesse período, apertam mãos, visitam bairros, fazem promessas e demonstram interesse pelos problemas da população. Depois das eleições, entretanto, essa proximidade frequentemente desaparece, e o cidadão volta a encontrar dificuldades para ser ouvido.
Também me incomoda a sujeira deixada nas ruas. Panfletos espalhados pelas calçadas, praças e vias públicas transformam a propaganda política em resíduos que precisam ser recolhidos posteriormente. É contraditório defender uma cidade melhor enquanto se contribui para poluí-la durante a própria campanha.
Outro problema é a desproporção entre propostas e ataques. Em vez de explicar com clareza o que pretendem fazer, como pretendem fazer e de onde virão os recursos, muitos discursos concentram-se em acusações contra adversários. A população acaba recebendo mais conflitos do que informações necessárias para avaliar projetos e propostas.
A campanha também pode intensificar a polarização dentro da própria comunidade. Amigos, familiares e vizinhos passam a se enxergar como adversários por causa de preferências políticas diferentes. A divergência, que deveria fazer parte de uma sociedade democrática, transforma-se facilmente em hostilidade quando a política deixa de ser discussão de ideias e passa a ser uma disputa de identidades.
Por fim, incomoda-me a pressão simbólica criada pelo uso de camisas, adesivos e outros sinais públicos de apoio. Embora cada pessoa tenha liberdade para demonstrar sua preferência, considero problemática a ideia de que seja necessário tornar essa escolha visível para todos. O voto é secreto justamente para proteger a liberdade do eleitor e impedir que sua decisão seja condicionada pela pressão de outras pessoas.
Por tudo isso, as campanhas eleitorais me incomodam. Não porque eu rejeite a política, mas porque acredito que uma democracia deveria oferecer mais informação, propostas e diálogo, e menos sujeira, espetáculo, ataques e pressão social. O eleitor não deveria ser tratado apenas como alguém a ser conquistado durante alguns meses, mas como cidadão que merece ser ouvido e respeitado durante todo o mandato. #política