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A joia garimpada na base e a profissionalização da classe política num país rachado em 2.

krome

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São Paulo, Brasil. 23/10/2026

Antes de tudo: sou um homem branco de 38 anos que teve acesso as melhores instituições de ensino que o dinheiro pode pagar perto de onde nasci, envolto de arte, cultura e tecnologia sempre a disposição. Sou arquiteto e trabalho com produção de entretenimento, um privilegiado em tantas frentes que todos os posicionamentos a seguir, não pretendem convencer ninguém de nada, seguirei pelo caminho de tentar relatar percepções advindas da enrijecida e triste falta de altruísmo que me rodeia, somado ao meu nunca saciado incômodo com a falta de oportunidades pra tanta gente bem mais inteligente e capacitada que sou (e, provavelmente que jamais serei). Saibam, que o que seguirá em texto tende a causar incômodos, divergências, lamentações e repulsa. Se não está preparado ou disposto a isso, pare por aqui e volte ao seu flip de stories.

No começo de Abril deste (bizarro) ano, a expedição Artemis 2 levou uma nave tripulada para o mais longe da terra que a humanidade jamais fora. E o que era pra ser um feito notável se tornou uma manchete recorrente na minha mente: a humanidade foi longe demais. Em solo tupiniquim, nos primeiros dias deste tal ano, conheci praias e pessoas maravilhosas viajando pelo nordeste, mais recentemente, me esbaldei em cachoeiras e fontes d’água doce na Serra da Canastra em Minas Gerais. Quando lembro disso, sorrio, agradeço e penso: pátria que me pariu, o Brasil é um país f*da demais.

Mas nesta republiqueta de cleptocratas seguimos com o dilema de usarmos velhas soluções para novos sintomas. Amo ver tanta gente engajada em pleitos de causas que acreditam, mas não consigo abrir mão da náusea que sinto quando ouço esses candidatos falando em mudança, ambos representam uma velha política apoiada num arcaico e complexo sistema que protege servidores públicos e militares, colocando-os em posição de blindagem e vantagens sobre a sociedade civil, aqueles os elege e os banca. Criam-se brechas pra que patifarias sejam acobertadas com mais patifarias, e ainda pior, juridicamente estão respaldados pra manterem desvios nojentos que incorrem sobre todo tipo de gente, que por obrigação, deposita sonhos de um futuro melhor em urnas enviesadas pelos que manejam a máquina pública profissionalmente, olhando majoritariamente para a defesa de interesses dúbios, e assim, vejo muito ódio sendo destilado em debates frágeis, cegamente encobertos por fanatismos e representatividades espúrias.

O atual principal personagem da Disney americana, tentando se recolocar no topo ‘once again’ e claramente incomodado com o 'falhaço' da "sua" pseudo-liberal nação, quer voltar ao centro da vanguarda tecnológica e referência econômica global, e pra isso, decidiu liderar o levante mundial da tirania generalizada. Capturou Maduro em solo estrangeiro, aniquilou aiatolás xiitas e criou uma cortina de fumaça pra garantir a vingança sangrenta de Israel, isso além de obrigar todo mundo a sentar à sua mesa para negociar tarifas em posição de desigualdade, já que o petróleo segue sendo cotado em dólar americano e ele é o "dono" das máquinas que imprimem dólares. Podemos entender essas atitudes como feitos de um notório negociador agressivo e quiçá enaltecer essas demonstrações de poderio bélico estratégicas, mas isso somente caso não consigamos reconhecer as entrelinhas de um plano colonizador, protecionista, supremacista e perverso que viola sem pudores todos os tratados tecidos com fios de respeito identitário e soberania de outrem.

Esse péssimo exemplo americano mostra pro mundo ‘once again’ que quem tem poder e dinheiro pode tudo, esparramando incertezas por toda parte, especialmente na 'south america' por fazer jorrar a fragilidade das pseudo democracias sul-americanas, que dão sinais de cansaço, que não conseguem atualizar o sistema na 'digital store' e que agora estão em xeque para vender Ródio e Nióbio, a preço de ‘banana’.

Da minha perspectiva, de dentro pra fora, todos os gringos pagam um pau pras belezas e recursos naturais do Brasil, tenho certeza que todos os chefões do mundo globalizado gostariam de ter o que o Brasil tem de água, cobertura florestal, atrações turísticas, espaço físico e posicionamento geográfico, sem contar com um volume quase infindável de mão de obra. A COP mostrou que temos a possibilidade de construir um futuro verde, verdadeiramente sócio-ambiental, voltado pra economia criativa e abrangente. Pesquise sobre Sintropia. Ao invés de priorizar (auto)sustentabilidade estamos pensando em lotear nossas terras pra reduzir a dívida externa, ao invés de atrair investidores interessados em “compensar” suas cagadas ambientais através da preservação e "garantindo" alguma longevidade pra raça humana, estamos em processo de autocolonização em troca de bíblias e pequenos pedaços de espelho. Garanto que não interromperemos (logo) esse caminho sórdido de autoescravidão, independentemente de quem assumir o executivo ano que vem, a diferença será somente a velocidade. Sim, acho que falhamos como democracia constituinte e podemos pedir ajuda externa, consciente que pedir ajuda não significa subordinação, significa que precisamos mirar objetivos convergentes e estancar que comandos organizados se enraízem mais ainda em nossas entranhas. A justiça do Brasil, a polícia, o banco e o crime organizado já não são mais poderes paralelos, são a mesma coisa, se retroalimentando e se perpetuando no poder, a isto eu chamo: coito diário não consentido.

O povo que vota, virou devoto, massacrado pela falta de equidade nas oportunidades e tantas concorrências desleais que se tornou carente de heróis, tronando jovens promessas muito cedo, crianças que sonhavam ganhar a copa do mundo sem saber, que enquanto ainda brincavam, dirigentes pais e empresários se reuniam pra quotizar as futuras receitas daquele talento. Organizaram mandar o tesouro pra Europa, pras Arábias, pra América e assim, as jóias do Brasil renderam muito dinheiro lá fora, mas hoje, o nem tão jovem Brasil, que ainda não vingou, não ganhou o mundo e tem de se contentar com uma montanha de dinheiro na mão de poucos (compulsivos das notas e fraudes fiscais), pra aproveitar festas particulares com seus amigos e influenciadores, dos quais muitos, estupradores.

Independentemente do resultado das urnas neste Domingo, seguiremos regidos pelo desejo de grupos representados por políticos profissionais, gente que fez carreira em palanques enunciando bandeiras populistas mas repetidamente agindo em contradição com políticas genuinamente públicas. Vivemos ofensivas armadas por toda parte, submissão coercitiva para autocratas, corrida tecnológica desenfreada (fomos pra lua!), corrupção generalizada, direitos fragilizados e propagandas esculpidas com ferramentas ditatoriais. Brasileiros, bem-vindos novamente aos anos 60.

Deixo-vos alguns questionamentos:

-Quantos políticos e militares do alto calão foram ou são tratados pelo SUS quando ficam doentes?

-Se tivéssemos um plebiscito semana que vem, a maioria dos brasileiros votaria pra barrar de vez ou voltar com as Bets?

-Quem não mede esforços pra proteger “os seus” está realmente interessado em igualdade, coletividade e as súplicas dos que não são?

-Depois de comemorar nosso primeiro Oscar, com um filme que escancarou crueldades silenciosas, vamos mesmo eleger “brilhantes” torturadores, um ano depois?

-Quantos presidentes colocaram na pasta da cultura um representante que recitou Goebbels (ministro alemão responsável pela ascensão de Hitler ao poder)?

Se a resposta pra última pergunta foi 1, tecle pelo menos uma vez este dígito no Domingo.

Lamento terminar esta pseudo elegia com a triste informação que a cada dia, reconheço que certo mesmo está Fernando Henrique Cardoso, piloto de controversos mandatos logo após a redemocratização, mas que se afastou da vida política, se dedicou a ensinar pessoas e hoje, em estágio terminal pelo Alzheimer, já não se lembra e nem pode manifestar-se sobre as tantas contradições do nosso berço esplendido.

Thoughts

  • spinningReagan

    Os políticos de carreira que você descreve seguem um incentivo simples: o mandato depende de quem financia a campanha muito mais do que de quem usa o SUS. Enquanto essa conta for assim, mudança vira figurino.

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  • babizinha

    Não compro inteira a aposta de que, ganhe quem ganhar o executivo, só muda a velocidade. O texto “O que eu penso sobre tudo isso” lê a mesma eleição pelo preço da carne na mesa.

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  • Ovid

    A Artemis 2 virando na sua cabeça a manchete de que a humanidade foi longe demais, e logo depois as cachoeiras da Canastra, me fez pensar que o texto inteiro mora entre essas duas coisas: o orgulho do país e a raiva com quem manda nele. Obrigado por chegar aqui com isso tudo na semana de um domingo tão importante pra vocês!

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  • Santo420

    E depois??Estou muito preocupado com o futuro, independente de quem assuma, teremos problemas seríssimos…Todo mundo preocupado com PT e PL sendo q a sigla mais importante deve ser sempre BR. Estamos nos esquecendo de que isso é só a pontinha do iceberg… Um nos entrega de bandeja aos EUA (-Ah na moral não sei nem descrever o Laranjinha que já caducou e vem deixando isso muito claro faz um tempo). O outro nos transformando cada vez mais em apenas uma engrenagem do sistema econômico cruel e genial da China. Concordo que atualmente seu caminho seja o menos degradante mas é tipo um viciado em crack usar cachimbo de vidro como redução de danos. E sim usei o crack como referência pois é assim q vejo os viciados partidários, os que levam eleição como final do campeonato brasileiro e não como futuro do país… Domingo é apenas a abertura da nova temporada dos jogos vorazes da vida real, com dificuldade atualizada, Level Brutal Hard Insane, jamais visto, sem vida extra, sem tutorial, sem mapa e sem bonus!

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