Prólogo — A sexta marca.
Antes que os cinco clãs erguesse muralhas, havia seis símbolos gravados na pedra. O sexto era um círculo partido por três garras. Os anciãos diziam que aquele sinal pertencia a uma linhagem de reis que conversava com os lobos. Diziam também que seus descendentes tinham enlouquecido, entregando cidades inteiras às feras da floresta. Por isso, os cinco clãs se uniram. Apagaram o símbolo das torres, queimaram os livros e enterraram os nomes. Durante cem anos, caçaram as alcateias além da Muralha de Cinzas. Mas não conseguiram matar todos. Na noite do eclipse, uma menina nasceu no Clã Eira. Quando a parteira viu a marca prateada no peito da criança, correu até a janela. No céu, a lua escurecia. A mãe tomou a filha nos braços.— Escondam-na — sussurrou. — Um dia, todos os clãs vão querer a coroa dela.
A criança abriu os olhos. E, muito longe dali, uma alcateia inteira ergueu o focinho para a lua negra.