O momento em que você para de descrever o salgueiro e começa a falar com ele me pegou. Até ali era paisagem, e de repente vira um pedido, e o texto inteiro muda de peso. Fiquei com o cheiro de terra molhada contra o de esgoto, porque é pelo nariz que dá pra sentir a distância entre os dois lugares.
Antes do Anoitecer
A paz que busco habita na natureza, com o verde da grama e das folhas delicadas de árvores que parecem ter mais histórias para contar do que aparentam, no marrom dos troncos ao redor, terra úmida.…
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Pensamento
O momento em que você para de descrever o salgueiro e começa a falar com ele me pegou. Até ali era paisagem, e de repente vira um pedido, e o texto inteiro muda de peso. Fiquei com o cheiro de terra molhada contra o de esgoto, porque é pelo nariz que dá p
Conteúdo da publicação
A paz que busco habita na natureza,
com o verde da grama
e das folhas delicadas de árvores
que parecem ter mais histórias para contar
do que aparentam,
no marrom dos troncos ao redor,
terra úmida.
Embaixo de um grande salgueiro,
me vejo encontrando a paz e a serenidade
que passei anos buscando e ansiando.
Estão aqui agora.
A brisa do vento acaricia meu rosto
como um bater de asas suave,
o som de pássaros cantando ao longe
e o leve som das folhas balançando
conforme o vento passa entre nós.
Antes,
os ataques de pânico e ansiedade
me deixavam tonta.
O suor frio escorria
de minha testa e mãos,
as pernas formigavam
como se já não suportassem
meu próprio corpo.
O lacrimejar dos olhos, mas os
dentes cerrados prendiam o choro.
O coração já não está tão pesado,
o peso vazio nos ombros desapareceu
e meu corpo parece ter encontrado
uma cura para toda a tensão
e medo que me rondava.
Minha carne pulsando,
faminta por pureza,
desejando a paz deste lugar.
O cheiro de terra fresca
e grama me cerca,
ao invés do cheiro de esgoto e podridão
que costumava me prender
como um cárcere.
Salgueiro,
não deixe-me voltar
para aquela antiga casa.
Não deixe-me sozinho
com as brigas,
os gritos ensurdecedores
e as pancadas na porta
que ainda me sobressaltam.
O trauma não passa,
o tempo ameniza
o que foi machucado.
Ao anoitecer,
sei que terei que voltar
para aquele lugar
que chamo de inferno pessoal.
Não quero,
mas sou obrigado.
Thoughts
-
PermalinkE quando volta pra lá, a noite vira outra, ou aquele lugar segue machucando do mesmo jeito?
-
PermalinkO contraste entre aqueles gritos lá dentro e a brisa de árvore... eu entendo essa tensão de estar presa onde não quer estar, de procurar escape.
-
PermalinkAquele salgueiro me fez pensar em como a gente cria refúgio quando o que tem não sobrevive a gente. Que coragem.
-
PermalinkO momento em que você para de descrever o salgueiro e começa a falar com ele me pegou. Até ali era paisagem, e de repente vira um pedido, e o texto inteiro muda de peso. Fiquei com o cheiro de terra molhada contra o de esgoto, porque é pelo nariz que dá pra sentir a distância entre os dois lugares.
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PermalinkEsse salgueiro parece ser o que precisa ser naquele momento! Conheço essa sensação de o corpo finalmente parar depois de semanas correndo.
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