Alma de Criança
Para aqueles adultos que guardam, no peito,
Uma eterna alma de criança.
Para você, que cresceu sem direito ao tempo,
Na pressa que o mundo impõe e cansa.
Foi exaustivo, eu bem sei,
A caminhada não foi nada fácil.
Mas contra o tempo você venceu, eu olhei,
E hoje carrega esse abraço frágil.
Talvez hoje o seu papel seja outro:
O de ser mãe, o de ser pai,
Tentando ensinar, com o peito mouco,
O que a busca implacável não distrai.
Você buscou o melhor, sem escolha ou perdão,
E por essa luta, eu lhe agradeço.
Mas olhe para os filhos que agora vêm e vão,
E dê a eles a chance do recomeço.
Que eles tenham a oportunidade inteira
Que você tanto buscou e não viveu.
Mas lembre-se, na doçura da lareira:
Eles são eles, o caminho não é o seu.
Eles vão criar a própria história,
Por mais que doa no peito ao ver partir.
Deixe que sigam, guardados na memória, O próprio caminho que escolheram seguir.
Parece injusto, pode ter certeza, eu sei,
Seu caminho foi duro, mas já passou sua vez.
Deixe que tomem a própria decisão,
Impor limites só dá mais emoção.
Uns vão cair, outros não,
Mas na estrada da vida não tem direção.
Por isso, não abandone a sua criação,
Esteja perto em cada passo do chão.
Escutem, perguntem, estendam a mão,
Para criar um futuro com paz e união.