Permaneço sentada, enquanto a pergunta anterior se mantém sem resposta. Perfeitamente acordada, sem saber ao certo se existe lucidez. Olho para o lado, instintivamente, como se a enxergasse na sombra de pequenas flores. Lágrimas se acumulam, deixando a visão embaçada. Mais alguns minutos se passam, até a próxima palavra ser dita. Um desabafo sussurrado.
-- Perdoe-me por, na maioria das vezes, não saber o que estou fazendo. Ou pra onde estou indo. As estradas são desconhecidas, ou minha visão está turva demais para reconhecê-las?! Todos os dias sinto que acordo em uma emoção diferente e cada uma delas parece ter um corpo, um cheiro, uma vontade não expressada. O estranho é que a maioria grita a mesma palavra, enquanto as outras sussurram. Inaudível... Ou indecifrável. Ao menos, sigamos fingindo que é.
Mais silêncio. Frio. Escuridão.
Sigo imaginando que talvez a loucura tenha chegado a seu ápice.
Ao tocar em uma das flores, o vento gelado da noite percorre por minha pele exposta, como uma carícia acolhedora. As teimosas lágrimas escorrem, pesadas mas com certo alívio. Você me deu colo, consciência minha, findando qualquer outra pergunta que pudesse existir naquele momento.
Amanheceu...
#vulnerabilidade #poesiaexistencial #contosdamente #criseexistencial #autoacolhimento