Das quimeras que colhi pelo mundo,
faço a rima cujo verso inundo
quando compondo sob um céu profundo,
urdindo a trama na qual vou a fundo.
Ávido amante da prosopopeia,
portadora da santíssima ideia,
e no mudo silêncio a carne estreia:
ser proscrito no rugir da alcateia,
ante o clarão da vaga boemia,
semeando o canto da poesia,
fitando o vazio que a noite trazia...
E quando enfim se empunha este cinzel,
cai nos ombros o peso do papel:
o duro fardo do último menestrel.