Calma Sertaneja
Nesta calma sertaneja,
De quem sabe o que almeja.
Eu te vejo, além do mar,
Te convido ao estar.
Te ponho à mesa,
Tem saladas e cerveja,
Te pergunto sobre a vida,
E a resposta é vazia.
Te namoro com o olhar,
Estou aqui e acolá.
Eu queria só voltar,
Ao que eu quis do meu lar.
Hoje tenho e não sou nada.
Nada do que pensei que queria,
Os projetos todos terminados,
Cada um foi pro seu lado.
Bem distante eu te vi,
Trilhando o caminho,
Que eu sempre desejei pra ti.
Eu sorrio e deixo andar,
E regresso ao pensar,
Pelo menos tu sorris,
Aprendeste a caminhar.
Para mim,
Eu fui esposo, fui irmão, fui amigo e fui pai.
Neste vento de bonança,
Não há nada a segurar,
Não há nada ao que chorar,
Eu me estranho ao pensar
que não há pelo que brigar.
Eu fui ponte,
Não fui casa,
Fui abraço,
Não sou nada,
Não um nada desprezado,
Apenas como um sapato já furado.
Nesta calma sertaneja,
Ouço o canto da cigarra,
Deito sobre a rede só.
Tu estás melhor que antes.
Nesse mar calmo e distante que não tenho que atravessar,
Acostumei-me com o peso, e amanhã eu não tenho que trabalhar.
Por Guilherme Souza.