Eco das Vivências
Nada do que nos fere ou floresce no peito
é uma dor ou um riso de posse exclusiva.
A nossa ferida repete o mesmo defeito
da história de outra alma perdida e viva.
Tristezas escondidas, silêncios guardados,
pensamentos imaturos na sombra a espreitar,
são vírus antigos, no ar espalhados,
esperando uma brecha para atravessar.
O ontem e o amanhã dividem a mesma sina:
viver as histórias, as boas e as ruins.
Hoje o sol brilha, amanhã a neblina,
e o carrossel do tempo gira sem fins.
O silêncio de ontem que causava terror,
e o medo constante de não ter afeição,
cederam espaço para o verdadeiro amor:
aquele que nasce da própria aceitação.
O amor tem espinhos, feridas abertas,
como a flor que é bela, mas se não cuidar, vai furar.
Amores perdidos por vidas incertas,
o amor também é escuro, pesado e faz sufocar.
Entre o ódio de si e a paz que se alcança,
descobre-se a busca que nos faz caminhar.
Não é de homem, de irmã ou de aliança...
É o amor que, por si só, basta para amar.
Continue a busca, não perca a saída,
do amor que acredita, não pare a sonhar. Nessa nossa distinta e complexa vida,
ele ainda vai lhe encontrar.
Ou talvez esse amor já esteja contigo,
na paz do seu peito, no seu próprio olhar...
Não mude de rota, não busque um abrigo,
pois ele já existe, só falta aceitar.