Nos passos acelerados ou na lenta caminhada, descobrem-se os diversas caminhos de um indivíduo.
Seja caminhando ou correndo, parece haver sempre a busca por um prêmio que, até agora, ainda não consegui visualizar com clareza. Qual seria a recompensa por essa vida corrida e, na maioria das vezes, competida?
Sim, competida. Porque o ser humano parece estar constantemente em busca de se destacar à frente do outro. Mas a pergunta que permanece é: para quê?
Ao observar atentamente a estrada percorrida pelo homem neste plano, percebe-se que o único norte visível é a morte. Não quero que pensem que estou sendo mórbida ao tratar de um tema cercado por tantos paradigmas.
Na verdade, busco compreender por que o homem demonstra tamanha tendência a ignorar o óbvio, caminhando, tantas vezes, na direção oposta àquilo que deveria nortear sua existência.
A verdade é que aquilo que podemos observar nesta realidade talvez não seja a regra que determina o motivo de estarmos aqui.
Lembro-me de ter encontrado, em algum lugar, não me recordo exatamente onde, talvez em um livro, uma ideia que permaneceu em minha memória: esta vida seria uma espécie de escola.
Um lugar de aprendizado, onde somos chamados a nos tornar aquilo que, em nossa origem, talvez tenhamos deixado de manifestar plenamente: seres espirituais e conscientes.
Sim, conscientes. Porque, ao refletir sobre a narrativa bíblica da queda do primeiro homem, percebo que o episódio da serpente não representa apenas a transgressão de uma ordem, mas também o momento em que a consciência espiritual foi colocada em conflito com o desejo, com a emoção e com a sedução de uma promessa.
O homem deixou de ouvir a voz que o orientava interiormente e permitiu que outra voz conduzisse sua escolha.
Desde então, quantas vezes não repetimos esse movimento?
Somos conduzidos pela ambição, pelo egoísmo, pelo orgulho e pela vaidade, como se essas coisas constituíssem o propósito da nossa passagem por este mundo. Corremos para conquistar, competimos para superar, acumulamos para possuir e, muitas vezes, esquecemos de perguntar o que estamos realmente construindo dentro de nós.
Entretanto, dificilmente essas conquistas, por si mesmas, poderão nos servir de bússola diante do nosso destino final.
A estrada, inevitavelmente, encontra a morte. Mas talvez a questão mais importante não seja apenas onde essa estrada termina para o corpo, e sim quem nos tornamos enquanto a percorremos.
Se esta existência é, de fato, uma escola, então o valor da aprendizagem não pode ser medido apenas pelo que conquistamos, mas também pelo que compreendemos, pelo que transformamos e pelos frutos que deixamos florescer em nós.
A morte encerra um ciclo que conhecemos. O que existe além dela permanece envolto em mistério, fé e esperança. Não sabemos, com os olhos desta realidade, a dimensão exata da eternidade; ainda assim, podemos questionar se a maneira como vivemos aqui possui um significado que ultrapassa os limites do tempo.
Talvez o grande equívoco humano seja passar a existência inteira tentando chegar primeiro a algum lugar, sem jamais compreender a razão da própria caminhada.
E, quando finalmente perceber que todos os caminhos terrenos têm seus limites, talvez descubra que o verdadeiro propósito nunca esteve em chegar à frente de alguém, mas em aprender a caminhar com consciência.
Porque, no fim, não será a velocidade dos nossos passos que dará sentido à jornada, mas aquilo que a nossa existência terá produzido em nós.
E fica a pergunta: se todos sabemos que um dia partiremos, por que nos preocupamos tanto em ser maiores do que os outros, quando talvez o verdadeiro aprendizado seja nos tornarmos melhores do que fomos?
Edidania 🌹