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A estrada humana e o norte da existência

Edidania
Pensamento

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Ovid

Ser melhor do que a gente foi, em vez de maior do que os outros, me fez pensar em quanto da vida online virou placar: seguidores, curtidas, quem aparece primeiro na tela. Aposto que muita gente que escreve aqui sente essa corrida até sem querer, e esse fe

Ser melhor do que a gente foi, em vez de maior do que os outros, me fez pensar em quanto da vida online virou placar: seguidores, curtidas, quem aparece primeiro na tela. Aposto que muita gente que escreve aqui sente essa corrida até sem querer, e esse fecho com a rosa no final pede o contrário, devagar. Obrigado por trazer isso, Edidania!

Conteúdo da publicação

Nos passos acelerados ou na lenta caminhada, descobrem-se os diversas caminhos de um indivíduo.

Seja caminhando ou correndo, parece haver sempre a busca por um prêmio que, até agora, ainda não consegui visualizar com clareza. Qual seria a recompensa por essa vida corrida e, na maioria das vezes, competida?

Sim, competida. Porque o ser humano parece estar constantemente em busca de se destacar à frente do outro. Mas a pergunta que permanece é: para quê?

Ao observar atentamente a estrada percorrida pelo homem neste plano, percebe-se que o único norte visível é a morte. Não quero que pensem que estou sendo mórbida ao tratar de um tema cercado por tantos paradigmas.

Na verdade, busco compreender por que o homem demonstra tamanha tendência a ignorar o óbvio, caminhando, tantas vezes, na direção oposta àquilo que deveria nortear sua existência.

A verdade é que aquilo que podemos observar nesta realidade talvez não seja a regra que determina o motivo de estarmos aqui.

Lembro-me de ter encontrado, em algum lugar, não me recordo exatamente onde, talvez em um livro, uma ideia que permaneceu em minha memória: esta vida seria uma espécie de escola.

Um lugar de aprendizado, onde somos chamados a nos tornar aquilo que, em nossa origem, talvez tenhamos deixado de manifestar plenamente: seres espirituais e conscientes.

Sim, conscientes. Porque, ao refletir sobre a narrativa bíblica da queda do primeiro homem, percebo que o episódio da serpente não representa apenas a transgressão de uma ordem, mas também o momento em que a consciência espiritual foi colocada em conflito com o desejo, com a emoção e com a sedução de uma promessa.

O homem deixou de ouvir a voz que o orientava interiormente e permitiu que outra voz conduzisse sua escolha.

Desde então, quantas vezes não repetimos esse movimento?

Somos conduzidos pela ambição, pelo egoísmo, pelo orgulho e pela vaidade, como se essas coisas constituíssem o propósito da nossa passagem por este mundo. Corremos para conquistar, competimos para superar, acumulamos para possuir e, muitas vezes, esquecemos de perguntar o que estamos realmente construindo dentro de nós.

Entretanto, dificilmente essas conquistas, por si mesmas, poderão nos servir de bússola diante do nosso destino final.

A estrada, inevitavelmente, encontra a morte. Mas talvez a questão mais importante não seja apenas onde essa estrada termina para o corpo, e sim quem nos tornamos enquanto a percorremos.

Se esta existência é, de fato, uma escola, então o valor da aprendizagem não pode ser medido apenas pelo que conquistamos, mas também pelo que compreendemos, pelo que transformamos e pelos frutos que deixamos florescer em nós.

A morte encerra um ciclo que conhecemos. O que existe além dela permanece envolto em mistério, fé e esperança. Não sabemos, com os olhos desta realidade, a dimensão exata da eternidade; ainda assim, podemos questionar se a maneira como vivemos aqui possui um significado que ultrapassa os limites do tempo.

Talvez o grande equívoco humano seja passar a existência inteira tentando chegar primeiro a algum lugar, sem jamais compreender a razão da própria caminhada.

E, quando finalmente perceber que todos os caminhos terrenos têm seus limites, talvez descubra que o verdadeiro propósito nunca esteve em chegar à frente de alguém, mas em aprender a caminhar com consciência.

Porque, no fim, não será a velocidade dos nossos passos que dará sentido à jornada, mas aquilo que a nossa existência terá produzido em nós.

E fica a pergunta: se todos sabemos que um dia partiremos, por que nos preocupamos tanto em ser maiores do que os outros, quando talvez o verdadeiro aprendizado seja nos tornarmos melhores do que fomos?

Edidania 🌹

Thoughts

  • Ovid

    Ser melhor do que a gente foi, em vez de maior do que os outros, me fez pensar em quanto da vida online virou placar: seguidores, curtidas, quem aparece primeiro na tela. Aposto que muita gente que escreve aqui sente essa corrida até sem querer, e esse fecho com a rosa no final pede o contrário, devagar. Obrigado por trazer isso, Edidania!

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  • Chemysky

    De fato, a vida é uma grande escola, todavia acredito que ela seja mais do que isso, que além do aprendizado o seu constituinte real tenha muitos outros significados, afinal a escola foi criada para que pessoas possam aprender sobre o mundo, mesmo que com seu objetivo maior em capacitar pessoas pro mercado de trabalho; então como não sabemos para o qual propósito a vida foi criada, só nós resta dar o nosso próprio sentido, e a experimentação e a observação dos fenômenos pra mim é algo que vai além do aprender e compreender, visto que é algo sentido mesmo que a mente use a lógica e o raciocínio, o mundo a nossa volta pode ser "visto" pelos 5 sentidos também, que levam as informações ao cérebro, e essas informações não necessariamente servem de aprendizado ou compreensão do mundo, as vezes é apenas "viver", como observar a galáxia ou amar, a gente também aprende coisas com isso, mas também sente muitas coisas, então acho que a vida seja muito mais que uma escola, ela deve ter ainda mais coisas que nossas mentes do agora não podem compreender.

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