Não fiquei por escolha.
Ficar nunca foi meu talento.
Fiquei porque não existe mapa para quem já ultrapassou todos os limites do próprio corpo e da mente. Não existem placas, nem mãos estendidas, nem promessas que soam verdadeiras depois do colapso. Só existe o chão. Rachado. Frio. Meu.
Me sentei entre os destroços como quem reconhece um velho amigo. Cada pedra caída me chamava pelo nome, cada parede partida sussurrava "você já sabia disso". Porém, mesmo sabendo, mesmo esperando, o tiro ainda queima, ainda arde, ainda é letal.
E mesmo esperando que tudo fosse diferente, entreguei todas as defesas e fraquezas de bandeja e fui para o meio do campo de batalha sem colete, despido de qualquer proteção, esperando que os tiros não me atingissem.
Que bobagem a minha... mas, o que mais doeu não foi sentir as balas perfurando o corpo, sangue derramado, a carne atravessada ou ossos quebrados, e sim ver que a arma ainda quente, soltando fumaça, estava em suas mãos e era seu dedo no gatilho.