Eita đ
A verdade sobre a sombra
PARTE I â A VERDADE
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Pensamento
Eita đ
ConteĂșdo da publicação
PARTE I â A VERDADE
Agora eu entendo.
Demorei muito para perceber,
mas certas verdades
sĂł aparecem
quando o coração jå estå cansado demais
para continuar se enganando.
VocĂȘ nunca me quis
da maneira que eu quis vocĂȘ.
Eu era o lugar
para onde vocĂȘ corria
quando a noite ficava pesada demais.
Quando alguém te machucava,
era para mim que vocĂȘ vinha.
Quando o mundo te rejeitava,
era o meu nome que vocĂȘ chamava.
Eu era o abrigo.
Mas apenas enquanto
a tempestade durava.
Quando o céu voltava a clarear,
vocĂȘ desaparecia.
E eu permanecia.
Esperando.
Acreditando que sua volta
era saudade.
Acreditando que sua presença
era amor.
Mas vocĂȘ voltava
porque precisava.
E eu confundia necessidade
com sentimento.
Confundia solidĂŁo
com amor.
Eu era apenas
a escuridĂŁo confortĂĄvel
onde vocĂȘ escondia suas dores
até encontrar uma luz melhor.
Eu era o coração
que vocĂȘ sabia
que sempre estaria ali.
E talvez tenha sido esse
o meu maior erro:
ter transformado permanĂȘncia
em prova de amor.
Eu te ofereci
lealdade,
sentimento
e verdade.
E vocĂȘ recebeu tudo isso
como se fosse algo comum.
Agora entendo
por que meus gestos
nunca pareciam suficientes.
Por que meu amor
sempre parecia pequeno demais.
Não era falta de esforço.
Era porque eu estava tentando
ser importante
para alguém
que jå tinha seu coração
em outro lugar.
Nele.
No homem que vocĂȘ ama.
E quantas vezes
eu senti isso?
Quantas vezes cheguei do trabalho
e, antes mesmo de entrar,
jĂĄ sentia que aquela
nĂŁo era a minha casa?
Quantas vezes deitei ao seu lado
com a sensação
de que vocĂȘ desejava
que fosse outra pessoa ali?
NĂŁo era o meu toque
que vocĂȘ queria.
NĂŁo era o meu beijo
que fazia falta.
Eu estava presente,
mas nĂŁo era eu
quem seu coração procurava.
Mesmo quando vocĂȘ dizia
que me amava,
alguma coisa dentro de mim
respondia em silĂȘncio:
nĂŁo Ă© verdade.
Talvez eu tenha querido acreditar.
Talvez amar vocĂȘ
tenha sido a maneira mais bonita
que encontrei
de mentir para mim mesmo.
E existem perguntas
que talvez eu nunca responda.
Quantas vezes vocĂȘs conversaram
para matar a saudade?
Quantas coisas aconteceram
pelas minhas costas
enquanto eu acreditava
que existia respeito?
Eu nĂŁo sei.
E hoje,
jĂĄ nĂŁo preciso saber.
Porque quando a confiança morre,
a verdade deixa de precisar
de testemunhas.
VocĂȘ nunca me perdeu.
Porque para perder alguém
Ă© preciso primeiro
ter se importado em tĂȘ-lo.
Eu nunca fui alguém
que vocĂȘ teve.
Fui apenas
uma sombra Ăștil
na sua escuridĂŁo.
E sombras,
como vocĂȘ sempre soube,
sĂł existem
enquanto sĂŁo necessĂĄrias.
Mas vocĂȘ esqueceu
de uma coisa:
até uma sombra pode partir.
(Lediuson Oliveira)
Thoughts
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PermalinkTransformar permanĂȘncia em prova de amor fica a martelar aqui. Muita gente conta os anos como se fosse argumento e sĂł muito depois percebe que contava sozinha.
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PermalinkCapaz que o mais duro ali seja ter acreditado que a volta era saudade. A gente inventa sentido pro que se repete, e repetição é barata.
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PermalinkSer abrigo só enquanto dura a tempestade e virar paisagem quando o céu abre. Jå vi isso de perto e ninguém percebe de fora.
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PermalinkFicar à espera e chamar-lhe saudade. Gostei muito desse pedaço, é o mais certeiro de tudo para mim.
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PermalinkGostei muito do fim, com a sombra podendo ir embora! Deu um respiro depois de tudo o que veio antes.
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PermalinkAposto que essa conta vocĂȘ jĂĄ tinha feito muitas vezes antes, e todo ano dava outro resultado. SĂł que dessa vez o cansaço chegou primeiro.
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PermalinkSer o lugar pra onde a pessoa corre quando a noite pesa e sumir quando clareia. VocĂȘ tem mais poemas sobre essa sombra Ăștil?
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PermalinkEita đ
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PermalinkChegar do trabalho e sentir logo na porta que aquela casa nĂŁo era sua me fez pensar em quanta gente vive assim anos a fio sem contar a ninguĂ©m. Aposto que esse pedaço foi o Ășltimo a ser escrito, muito depois do resto. Obrigado por trazer isto para cĂĄ, e por terminar com a sombra saindo pela porta.
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PermalinkPesado.
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