O que se tornou o amor?
Às vezes me pego pensando se ainda existem sentimentos verdadeiros ou se, em algum momento, nós simplesmente desaprendemos a amar. Talvez o amor ainda exista, mas tenha se tornado raro demais em um mundo que aprendeu a tratar pessoas como coisas descartáveis, sentimentos como passatempo e promessas como palavras que podem ser esquecidas assim que deixam de ser convenientes.
Vivemos em uma época em que tudo parece ter prazo de validade. As pessoas chegam, ficam enquanto é bom e vão embora quando deixa de ser fácil. Trocam de sentimentos como quem troca de roupa. Procuram constantemente algo novo, alguém novo, uma sensação nova. E, quando a novidade desaparece, acreditam que o amor acabou.
Mas talvez o amor nunca tenha sido sobre novidade.
Talvez amar seja justamente permanecer quando já não existe aquela euforia do começo. Seja olhar para a mesma pessoa durante anos e ainda enxergá-la como alguém que vale a pena conhecer novamente. Seja escolher a mesma mão para segurar depois de uma discussão, depois de uma fase difícil, depois de dias em que o mundo parece pesado demais.
Conquistar várias pessoas é fácil. Difícil é conquistar a mesma pessoa todos os dias.
Difícil é permanecer.
E talvez seja isso que tenha se perdido.
Até mesmo aquilo que um dia foi considerado sagrado parece ter perdido o significado. Promessas de uma vida inteira são feitas com a mesma facilidade com que são quebradas. Pessoas juram amor eterno sem sequer saber se estão dispostas a enfrentar os primeiros dias difíceis. O "para sempre" deixou de representar uma vida inteira e passou a significar apenas "enquanto fizer sentido para mim".
E eu confesso que não sei onde me encaixo nisso tudo.
Às vezes sinto que nasci na época errada. Como se existisse dentro de mim uma forma de amar que já não encontra lugar neste mundo. Enquanto tantos procuram quantidade, eu ainda procuro profundidade. Enquanto tantos têm medo de se entregar, eu queria encontrar alguém que não tivesse medo de ficar.
Não quero viver colecionando histórias. Não quero conhecer mil pessoas para esquecer todas depois. Não quero transformar sentimentos em números, nem confundir desejo com amor, carência com companhia ou paixão com eternidade.
Eu quero uma história.
Uma só.
Quero alguém que conheça todas as minhas versões e, ainda assim, escolha permanecer. Quero conhecer também todos os lados dela — os bonitos, os difíceis, os que ninguém mais conhece — e continuar escolhendo-a mesmo quando amar deixar de ser fácil.
Quero me casar. Quero construir uma família. Quero dividir uma casa, uma vida, problemas, conquistas, domingos preguiçosos, noites difíceis e manhãs comuns. Quero envelhecer ao lado de alguém e descobrir que a maior prova de amor não foi uma grande declaração, mas todos aqueles pequenos dias em que nós poderíamos ter desistido e não desistimos.
Quero chegar ao fim da minha vida e olhar para trás sabendo que amei uma única mulher com tudo aquilo que eu tinha para oferecer.
Talvez isso pareça antiquado.
Talvez pareça ingenuidade.
Talvez algumas pessoas leiam isso e pensem que estou vivendo dentro de uma história de romance que não existe mais.
Mas, sinceramente, eu prefiro ser considerado ingênuo por ainda acreditar no amor do que me tornar indiferente apenas para conseguir sobreviver em um mundo onde sentir profundamente parece ser uma fraqueza.
Porque eu ainda acredito.
Mesmo depois das decepções. Mesmo depois das perdas. Mesmo depois de perceber que amar alguém não é garantia de que essa pessoa ficará.
Eu ainda acredito.
E talvez essa seja a parte mais triste de tudo: viver em uma época que me ensinou a desconfiar de tudo, mas ainda carregar dentro de mim a esperança quase infantil de que, em algum lugar, exista alguém que também esteja cansada desse mundo superficial.
Alguém que ainda queira ficar.
Alguém que ainda queira construir.
Alguém que ainda acredite que duas pessoas podem escolher uma à outra não apenas enquanto tudo estiver bem, mas até quando a vida inevitavelmente deixar de ser bonita.
Porque, no fim, talvez o amor verdadeiro nunca tenha sido encontrar alguém perfeito.
Talvez tenha sido encontrar alguém imperfeito, alguém completamente humano, e ainda assim pensar:
"É com você que eu quero atravessar tudo."
E se isso for loucura, então talvez eu prefira ser louco.
Porque, em um mundo onde quase todo mundo parece ter medo de amar para sempre, eu ainda tenho medo é de passar pela vida sem ter amado alguém o suficiente para querer ficar para sempre.