Ela aprendeu cedo
a não pedir para ser escolhida.
Talvez por isso sorria
quando, por dentro,
está cansada de ser deixada para trás.
Ela sente demais.
Ama demais.
Espera demais.
E, no fim,
sempre acaba se perguntando
por que nunca parece ser suficiente.
Ela olha para outras pessoas
e enxerga nelas tudo aquilo
que acredita não ter:
a beleza que prende olhares,
a presença que faz alguém ficar,
a importância que não precisa ser implorada.
Então ri de si mesma
e diz que não se importa.
Mas se importa.
Importa quando percebe
que foi fácil substituí-la.
Importa quando alguém muda com ela
e ela passa noites procurando
onde foi que errou.
O pior é que ninguém vê.
Ninguém vê quantas vezes
ela engole o choro
para não parecer carente.
Quantas vezes diz “está tudo bem”
quando tudo dentro dela
está pedindo para ser abraçado.
E talvez essa seja a parte mais triste:
ela não queria ser perfeita.
Só queria ser suficiente
para alguém olhar nos olhos dela
e pensar:
“Dessa vez, eu vou ficar.”
Mas ela continua aprendendo
a sobreviver às despedidas.
Com o coração cheio
de coisas que nunca disse
e uma esperança pequena,
quase morta,
de que um dia alguém perceba:
por trás de toda essa força,
sempre existiu apenas
uma menina querendo
ser escolhida sem precisar implorar.