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A razão do existir

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A Razão do Existir

Um dia sombrio, em que a dor rasgava o peito e o silêncio se fazia presente em meio a vozes exacerbadas que se misturavam e provocavam agitação. Uma voz, então, me convidou a um lugar calmo, propício à observação.

Aquela voz que, em meio ao caos, segurou minhas mãos e, olhando fixamente na íris dos meus olhos atentos, falou:

— Devo muito da minha vida a você.

Meus olhos se fizeram rios, e minha alma, envolvida em sombras, conseguiu enxergar que era possível abrir a porta e deixar a luz transbordar.

Seus olhos brilhavam enquanto falava, ao mesmo tempo que engolia discretamente a saliva que se acumulava na sua boca. A alegria, a firmeza e a certeza ocupavam um corpo empoderado, que abrigava uma mulher forte, imponente e de uma sensibilidade ímpar.

Continuou a segurar minhas mãos e me lembrou de palavras que eu mesma havia deixado para trás. E, enfim, de forma tranquila, fez-me recordar a razão do meu existir.

Eliete Souza 14-10-2026

Thoughts

  • contoBreve

    Gostei da saliva engolida no meio da fala. Detalhe pequeno que deixa a mulher forte de carne e osso.

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  • lelezinha

    Que encontro 🥹

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  • Ovid

    Assinar e datar no fim dá ao texto jeito de registro, de coisa guardada com dia certo pra não se perder. Eu faria o mesmo com uma conversa dessas: tem frase que a gente só consegue usar de novo se lembra exatamente quando ouviu.

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  • juh2012

    Ela vem agradecer e quem sai salva é a narradora. Aposto que essa dívida começou numa coisa pequena que você disse anos atrás e nem lembra mais de ter dito.

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