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Tela Branca

waxveil
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Este inverno ardente queima minhas bochechas, deixando-as coradas. O frio percorre meu corpo, espinha abaixo, e me arrepia até os ossos. Sinto a gripe de longe. Mas... Ver-te assim, nesta tela…

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Este inverno ardente queima minhas bochechas, deixando-as coradas.

O frio percorre meu corpo, espinha abaixo, e me arrepia até os ossos.

Sinto a gripe de longe.

Mas...

Ver-te assim, nesta tela branca — agora pintada com seus grandes cabelos vermelho-escuro, como chamas sobrevoando os céus —, encanta-me.

Seus traços russos marcam o rosto que a tela me entrega, nítidos mesmo à distância, enquanto seus olhos verde-acinzentados

— com um centro de ouro adormecido — se apertam num sorriso, como se este fosse o melhor momento de sua vida.

Sorria, meu amor. Sorria para mim.

Quero atravessar esta tela, passar a mão pela tinta ainda fresca e encontrar você do outro lado.

Quero te ouvir rir, sentir seu cheiro, ver seu sorriso sem moldura.

E então — não importa como — a tela se abre.

Você está aqui. Seu cheiro me envolve, e o inverno recua.

O frio ainda bate na janela, mas não entra.

A tristeza não te alcançará enquanto eu estiver aqui, meu amor.

Não a deixarei tocar em você, nem se apossar de alguém tão precioso.

Fique nos meus braços neste final de tarde —

a luz doura o quarto, e o ouro dos seus olhos desperta;

o mundo lá fora desacelera —

e deixe essa mente cansada descansar.

As expectativas não pesam mais sobre você agora.

Eu te protejo.

Quero te abraçar até o amanhecer, sentir o verão chegando, substituindo este inverno congelante.

Estar ao seu lado é tudo o que quero.

Talvez não seja mais a gripe que cora minhas bochechas — é você.

A felicidade está em seus braços, meu amor.