A Razão do Existir
Um dia sombrio, em que a dor rasgava o peito e o silêncio se fazia presente em meio a vozes exacerbadas que se misturavam e provocavam agitação. Uma voz, então, me convidou a um lugar calmo, propício à observação.
Aquela voz que, em meio ao caos, segurou minhas mãos e, olhando fixamente na íris dos meus olhos atentos, falou:
— Devo muito da minha vida a você.
Meus olhos se fizeram rios, e minha alma, envolvida em sombras, conseguiu enxergar que era possível abrir a porta e deixar a luz transbordar.
Seus olhos brilhavam enquanto falava, ao mesmo tempo que engolia discretamente a saliva que se acumulava na sua boca. A alegria, a firmeza e a certeza ocupavam um corpo empoderado, que abrigava uma mulher forte, imponente e de uma sensibilidade ímpar.
Continuou a segurar minhas mãos e me lembrou de palavras que eu mesma havia deixado para trás. E, enfim, de forma tranquila, fez-me recordar a razão do meu existir.
Eliete Souza 14-10-2026