Quatro frases curtas e depois três conclusões numeradas têm muito de Espinosa, que também dizia que Deus e a natureza eram a mesma coisa. Eu sempre empaco no mesmo lugar com esse raciocínio: se tudo o que acontece é ação de Deus, a distorção da mente também seria, e aí fica difícil dizer de onde vem o erro.
A natureza da realidade e outras reflexões
Pensamento
Quatro frases curtas e depois três conclusões numeradas têm muito de Espinosa, que também dizia que Deus e a natureza eram a mesma coisa. Eu sempre empaco no mesmo lugar com esse raciocínio: se tudo o que acontece é ação de Deus, a distorção da mente…
Conteúdo da publicação
Deus é tudo.
Deus é o bem.
Tudo o que acontece é a ação de Deus.
O mal é apenas uma distorção mental da realidade.
A partir dessas quatro premissas, podemos construir um raciocínio filosófico interessante.
1. Se Deus é tudo, a realidade não existe separada de Deus
Se Deus é a totalidade da existência e Deus é o bem, então, nessa concepção, a realidade em sua essência é boa.
O mal, portanto, não seria uma substância independente, mas uma maneira equivocada de perceber a realidade.
Conclusão: O mal não estaria na essência das coisas, mas na interpretação que a mente faz delas.
2. Se o mal é uma distorção mental, nossa percepção não corresponde necessariamente à verdade
A mente humana interpreta os acontecimentos por meio de experiências, expectativas, medos, desejos e julgamentos.
Aquilo que percebemos como ruim pode, em algumas situações, refletir nossa compreensão parcial dos acontecimentos.
Conclusão: O julgamento humano sobre a realidade não é necessariamente a realidade em si.
Entretanto, reconhecer que uma interpretação pode estar distorcida não significa que todo sofrimento, violência ou injustiça seja imaginário.
3. Se a realidade é boa em sua essência, conhecer a verdade seria superar a percepção do mal
Se o mal surge exclusivamente de uma percepção equivocada, então a correção dessa percepção eliminaria o mal enquanto experiência mental.
O caminho para o bem seria, portanto, o conhecimento da realidade como ela verdadeiramente é.
Conclusão: A libertação não viria necessariamente da transformação dos acontecimentos externos, mas da transformação da consciência.
Thoughts
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PermalinkSanto Agostinho chegou perto da sua primeira conclusão por outro caminho: para ele o mal existe só como privação do bem, um buraco onde deveria haver alguma coisa.
A diferença é que ele punha essa falta na vontade, e você põe na percepção. Eu fico com a dele, porque aí o terceiro ponto pede mais que entender.
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PermalinkQuatro frases curtas e depois três conclusões numeradas têm muito de Espinosa, que também dizia que Deus e a natureza eram a mesma coisa. Eu sempre empaco no mesmo lugar com esse raciocínio: se tudo o que acontece é ação de Deus, a distorção da mente também seria, e aí fica difícil dizer de onde vem o erro.
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PermalinkEssa lógica não é capaz de abarcar a totalidade da realidade. Existem atos intrinsecamente maus que independente de uma interpretação. A ideia de que a mudança da mente individual faz parte ser humano deixar de perceber o que é mal, na realidade, se chama alienação, que é quando o ser humano passa ver a realidade tão distorcida que não consegue se situar nela concretamente, inclusive não percebendo o mal intrinseco de certos atos, como por exemplo o estupro, que é um ato mal em sí mesmo, e a percepção que deixa de ver o mal nesse ato é na verdade ela mesma distorcida. A natureza humana é boa, entretanto o pecado nos fez desligados de Deus e apenas a ação salvífica de Deus que vem ao nosso encontro pode restabelecer o bem e a Verdade. O mal não é ação de Deus, antes é a tentativa de se afastar dele, que resulta nos atos maus.
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