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A audácia de prometer

joaogabriel21

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De promessas em promessas o ouvinte pode chegar a acreditar. Imagine que tudo é finito - e É - e agora o ser humano deseja prometer diante de sua finitude. Creia nas promessas de alguém que irá morrer e sua vida terá um quê de verdade, de sentido, de dor - fugir dela é negar a vida - negue se quiser, mas sua caminhada terá sido falha; incompleta; menos sentida pela alma. Ou espere chegar ao fim, mas aí não haverá mais tempo. Se a vida tem algum sentido, há de tê-lo a dor também - Dostoievski quem disse, arrume-se com ele. Novamente ao ponto do finito que deseja ser infinito. É algo como aquele momento no fim do dia onde o sol se põe, mas o Sol não é o cerne e, sim aqueles raios que se perdem em poucos instantes e, ao olhar novamente você os perde - e eles não voltarão nunca mais, assim são as promessas. 

Não espero cumprir tudo nessa vida. Espero conseguir viver bem e agir bem. Os antigos prezavam por essa vida, uma vida completa entre as dores e as felicidades. Cumprir a função do homem - homem ou mulher - é agir conforme o que é verdadeiro, ainda que ele sofra, ainda que as promessas não sejam cumpridas. Um pai que promete ao filho estar em todas as dificuldades; uma mãe que tenta a todo o custo amar o filho, mas erra às vezes e ama demais, impedindo que ele voe e caia; um filho que promete estar até o fim com seus pais e as circunstâncias levam-no para longe; um casal de jovens que prometem amar até o infinito, mesmo sendo finitos - que grande alma há nos apaixonados e nos pais que, mesmo sabendo dos limites de suas vidas, desejam perpetuar-se na realidade finita do outro. A matemática comprovou que existem infinitos maiores do que outros, por exemplo entre 1 e 2, há o 0,1, 0,11 e assim por diante os infinitos vão ficando maiores e as almas prometedoras?. Dessa forma, pode o homem ser capaz de fragmentar-se, compor-se em vários para caber na linha do tempo que segue sempre sem parar. Felizmente, o homem criado de forma limitada e mortal, promete, pois “é aquele que pensa” - o famoso Prometeu - , e sendo assim pode se perpetuar na vida alheia, de forma semelhante a um livro com dedicatória que perde seu remetente, mas ganha outras mãos e suas folhas continuarão a serem lidas. Como bons livros, que permanecem por anos, devemos tentar “ficar” nos outros - que seja algo bom, então -. Uma boa história. 

Por isso, prometa. Jure pela sua pequena vida para que ela cresça. Promessas são belas quando ambos sabem que não poderão ser cumpridas. Não minta. Mas prometa que irá prometer amores verdadeiros, nos quais se sabe que o que mais vale é o presente e não a ilusão de algo - talvez aqui esteja o belo disso. 


Thoughts

  • Ovid

    O pai que promete ao filho estar em todas as dificuldades faz essa promessa sabendo que vai faltar em alguma, e promete igual. Dá pra ver que você escreveu pensando em gente de verdade, e meu palpite é que a promessa que mais pesa no texto é a do filho que as circunstâncias levam pra longe dos pais.

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