A vela, o vinho e ele sem perguntar nada. Juro que pensei que ia ter cobrança naquela mesa e veio só abraço.
A Aparição - Parte 20
Pensamento
A vela, o vinho e ele sem perguntar nada. Juro que pensei que ia ter cobrança naquela mesa e veio só abraço.
Conteúdo da publicação
A psicóloga saiu do carro devagar.
Estava derrotada.
Não apenas cansada.
Derrotada.
Durante semanas, sua vida havia sido aquele complexo, aquelas barracas, os exames, os relatórios, os soldados, os equipamentos, Aurora.
Agora estava voltando para casa.
E sabia que, para sua filha, talvez não houvesse diferença.
Para ela, a mãe tinha escolhido ficar com Aurora.
A menina não entenderia.
Não naquela noite.
Talvez demorasse muito para entender.
A psicóloga caminhou até a entrada.
O marido a acompanhou.
Ele tocou de leve seu ombro.
Um pequeno sorriso.
Não era um sorriso de felicidade.
Era apenas uma tentativa de dizer que estava ali.
Ele não entendia o que Aurora era.
Ninguém entendia.
Mas entendia uma coisa.
Aquilo era grande demais.
Estranho demais.
Complexo demais.
Talvez simplesmente estivesse além da compreensão humana.
Ele não precisava resolver Aurora naquela noite.
Precisava cuidar dela.
— Preparei uma coisa para você.
Ela olhou para ele.
— O quê?
— Você vai ver.
Entraram.
A casa estava meio escura.
O marido acendeu uma vela sobre a mesa.
A luz pequena ocupou o ambiente.
Ele pegou uma garrafa de vinho.
Serviu uma taça para ela.
— Ainda está quente.
Ela olhou para a mesa.
Risoto de cogumelos.
Uma salada simples ao lado.
Era uma das comidas que ela gostava.
Ela segurou a taça.
Bebeu um pouco.
Sorriu.
Os olhos estavam cheios de lágrimas.
Mas ela não chorava.
Ainda.
O marido sentou diante dela.
Os dois ficaram em silêncio.
Não havia necessidade de conversar.
Ele serviu o risoto.
Depois olhou para ela.
Sorriu apenas com os olhos.
— Bom apetite.
Ela tentou responder.
Não conseguiu.
As lágrimas começaram a cair.
Primeiro algumas.
Depois muitas.
Ela abaixou o rosto.
O corpo perdeu a força.
Desabou.
O marido levantou-se imediatamente e foi até ela.
Não perguntou o que havia acontecido.
Não perguntou se ela tinha encontrado respostas.
Não perguntou por que ela estava chorando.
Apenas a abraçou.
Ela encostou a cabeça em seu ombro.
Ele passou lentamente a mão pelos cabelos dela.
Depois pelas costas.
Sem pressa.
Sem dizer nada.
Ele sabia que ela estava sofrendo.
Não precisava saber exatamente por quê.
Sabia o que a filha estava passando.
Sabia o que a esposa estava passando.
E não julgava nenhuma das duas.
Apenas ficou ali.
Enquanto o risoto esfriava sobre a mesa.
A vela queimava lentamente.
E, do lado de fora, o mundo continuava tentando descobrir o que era Aurora.
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Thoughts
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PermalinkA vela, o vinho e ele sem perguntar nada. Juro que pensei que ia ter cobrança naquela mesa e veio só abraço.
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PermalinkUai, semanas no complexo com a Aurora e em casa tem risoto de cogumelos ainda quente esperando. Esse marido segura a casa sozinho desde que ela foi pra floresta, né, e aposto que ninguém agradece ele.
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