O Deserto de Asfalto — O dia seguinte
Às dez horas da noite, a praça continuava tão vazia quanto na noite anterior. O asfalto escuro ocupava quase toda a extensão do terreno, sem uma árvore sequer para quebrar a monotonia da paisagem. Sob o único poste de iluminação, a barraca de Antônio parecia ainda menor, cercada por sombras e pelo silêncio que vinha das ruas próximas.
Ao fundo, a favela se espalhava pela encosta, com suas casas amontoadas, telhados improvisados e algumas janelas iluminadas. De vez em quando, ouvia-se um cachorro latir, uma motocicleta passar ou alguém chamar por outra pessoa de dentro de uma casa.
A placa de madeira continuava pendurada na estrutura metálica.
DEUS É GLORIOSO.
O S invertido permanecia lá, desafiando qualquer tentativa de leitura elegante.
Antônio estava atrás da churrasqueira, usando a mesma camisa azul de botões tortos. Tinha lavado a peça naquela manhã, mas o tecido já carregava novamente o cheiro de fumaça. Com uma pinça comprida, virava os pedaços de carne sobre as brasas, enquanto, de tempos em tempos, olhava para a rua na esperança de ver algum carro se aproximando.
Naquela noite, ao menos, havia movimento.
Um automóvel estava estacionado no meio da praça, a poucos metros da barraca. Era um veículo de aparência simples, com adesivos de uma distribuidora de bebidas e produtos alimentícios nas portas. O motorista, um homem de meia-idade, vestia uma camisa polo bem passada, calça jeans escura e sapatos que pareciam novos. Tinha um relógio grande no pulso e o cabelo cuidadosamente penteado.
Sentado numa das cadeiras de plástico, comia o segundo churrasquinho.
Antônio o observava de longe, satisfeito por ter alguém ali.
— Esse está bom — comentou o homem, retirando um pedaço de carne do espeto. — A carne é boa. O problema é que você não vende cerveja.
Antônio abriu um sorriso tímido.
— Fico feliz que tenha gostado, senhor. Mas eu não vendo cerveja, não.
— Eu já percebi. Por quê? Não tem geladeira?
— Não, senhor. E também sou evangélico.
O homem parou de mastigar e olhou para ele.
— Ah, pronto. Lá vem.
Antônio baixou os olhos, ainda sorrindo.
— É a minha fé, senhor. Eu não me sinto bem vendendo bebida alcoólica.
— Meu amigo, você está num ponto comercial, não numa igreja! — O homem apontou para a churrasqueira com o espeto. — Você quer vender ou quer converter as pessoas?
— Não quero converter ninguém, senhor. Cada um tem sua fé. Eu só tento viver de acordo com a minha.
— E de que adianta? Olha esse lugar. Você está sozinho, no meio de uma praça asfaltada, com uma favela ali atrás e nenhuma estrutura. Não tem banheiro, não tem cobertura, não tem mesa decente. Você acha mesmo que isso aqui é lugar para montar um negócio?
Antônio olhou ao redor, como se estivesse conferindo uma lista de coisas que já conhecia de cor.
— Eu sei que não é um lugar bom, senhor.
— Então por que está aqui?
— Porque é o único lugar que me deixaram ficar.
O homem soltou uma risada incrédula.
— Como assim, o único?
Antônio ajeitou um dos espetos na churrasqueira e começou a explicar.
— Eu trabalhava perto da feira. Tinha um carrinho melhor, um ponto que já conhecia. Mas o pessoal de lá não queria que eu ficasse. Diziam que eu atrapalhava a passagem, que minha barraca era feia, que fazia fumaça. Um dia, quebraram meu carrinho. Perdi muita coisa. Depois disso, tentei trabalhar em outros lugares, mas sempre aparecia alguém mandando eu sair.
— E você simplesmente aceita?
— O que eu posso fazer, senhor? Não tenho dinheiro para alugar um lugar. Não tenho como comprar outro carrinho. Aqui, pelo menos, consigo colocar a churrasqueira e vender alguma coisa à noite.
O homem limpou os dedos num guardanapo e olhou para a praça vazia.
— Você está errando no ponto de venda. Isso é básico. Ponto comercial é tudo. Você precisa estar onde as pessoas passam, onde existe movimento, onde o cliente tem motivo para parar. Não adianta colocar uma churrasqueira no meio do nada e ficar esperando que apareçam compradores.
Antônio assentiu.
— O senhor tem razão.
— E pare de concordar com tudo! — respondeu o homem. — Se você sabe que está errado, faça alguma coisa para mudar.
Antônio ficou quieto por um momento. Depois levantou os olhos para a placa.
— Eu estou tentando, senhor. Deus vai me ajudar.
O homem soltou o ar com impaciência.
— De novo Deus! Você coloca Deus em tudo. Pergunto por que você está num ponto ruim, você diz que Deus vai ajudar. Pergunto por que não vende cerveja, você diz que é crente. Pergunto por que não muda de lugar, você diz que Deus vai abrir uma porta. Você não consegue responder por conta própria?
Antônio apertou a pinça entre os dedos.
— Eu não sou um homem estudado, senhor. Não conheço essas coisas de negócio como o senhor conhece. Não sei falar bonito, não sei fazer conta complicada. O que eu sei é trabalhar e acreditar que Deus não me abandonou.
— Pois deveria aprender outra coisa além disso.
Antônio recebeu a crítica sem alterar a expressão.
— Pode ser, senhor. Mas, por enquanto, é isso que eu sei fazer.
O homem olhou para a placa e balançou a cabeça.
— E esse nome? “Deus é glorioso”. Você acha que alguém vai levar a sério um negócio com uma placa dessas? Ainda por cima com a letra errada.
Antônio acompanhou o olhar dele.
— Foi o que deu para fazer, senhor. Um rapaz pintou para mim. Eu queria uma placa que mostrasse a minha fé.
— Seu negócio precisa mostrar que vende churrasquinho, não que você frequenta uma igreja.
— Mas eu não sei separar uma coisa da outra, senhor. É a minha vida. Eu trabalho, acordo, durmo, faço as coisas... Deus está em tudo.
O homem fez um gesto de desaprovação.
— Você precisa separar a sua crença do seu negócio. O cliente não quer saber da sua religião. Quer comer, pagar e ir embora.
— Eu entendo, senhor. Mas também acho que a gente precisa trabalhar sem deixar de ser quem é.
Por alguns segundos, o homem não respondeu. Não parecia convencido, mas voltou a comer.
Antônio aproveitou o silêncio para colocar mais carne sobre a grelha.
— O senhor quer mais um?
— Não. Já comi dois. E, sinceramente, se você vendesse cerveja, talvez eu ficasse mais um pouco.
— Quem sabe um dia, senhor.
— Não existe “quem sabe”. Existe fazer ou não fazer.
Antônio assentiu novamente.
— Vou pensar nisso.
O homem terminou a água, colocou o copo vazio sobre a mesa improvisada e se levantou. Antes de sair, apontou para a barraca.
— Você parece ser uma pessoa boa, Antônio. Não estou dizendo que não. Mas bondade não administra negócio. Se continuar assim, vai ficar aqui para sempre.
Antônio olhou para ele com a mesma expressão tranquila.
— Obrigado pelo conselho, senhor. Que Deus abençoe o seu trabalho.
O homem balançou a cabeça, sem saber se ria ou se ficava irritado.
— É... Você e Deus.
Pagou pelos espetinhos, caminhou até o automóvel e abriu a porta. O veículo tinha o logotipo da distribuidora nas laterais, acompanhado de um número de telefone e de uma lista de marcas. Ligou o motor, manobrou cuidadosamente no meio da praça e saiu pela avenida.
Antônio acompanhou o carro com os olhos até as lanternas vermelhas desaparecerem na esquina.
Depois recolheu o dinheiro, guardou-o num pequeno recipiente de plástico e voltou para a churrasqueira.
— Deus é glorioso — murmurou.
Não havia ninguém para ouvi-lo.
Pouco depois, dois faróis iluminaram a praça.
Antônio ergueu a cabeça.
O Celta preto surgiu devagar, atravessando o asfalto irregular. O motor produzia um ruído discreto, mas reconhecível. O carro se aproximou da barraca e parou quase no mesmo lugar da noite anterior.
Daniel desligou o motor.
Por alguns segundos, permaneceu sentado, observando a churrasqueira através do para-brisa. Viu a cadeira quebrada, a placa torta e o homem de camisa azul que parecia não ter mudado nada desde a última noite.
Então abriu a porta e saiu.
Usava novamente o terno importado, impecavelmente ajustado, a camisa clara e o relógio reluzente. O cabelo estava arrumado, e o perfume chegou à barraca antes que ele terminasse de atravessar os poucos metros que o separavam dela.
Antônio abriu um sorriso.
— Olha só! Senhor Daniel! O senhor voltou!
Daniel ajeitou o paletó.
— Voltei, Antônio. Está vendo? Eu disse que você tinha potencial.
Antônio pareceu confuso.
— Potencial, senhor?
— Claro. Ontem eu conversei com você, expliquei algumas coisas sobre empreendedorismo, mentalidade, posicionamento... E hoje você já tem um cliente novo. Isso não é coincidência.
Antônio olhou para a cadeira vazia onde o outro homem estivera sentado.
— Ah, sim. Veio um senhor agora há pouco. Comprou dois espetinhos.
Daniel abriu os braços, como se acabasse de comprovar uma teoria.
— Está vendo? É disso que estou falando! Você precisa acreditar em si mesmo. Ontem eu te disse que você tinha as mesmas vinte e quatro horas que qualquer outra pessoa. A diferença está no que você faz com elas.
Antônio sorriu, genuinamente agradecido.
— O senhor tem razão. Eu fiquei pensando no que conversamos.
— E então?
— Pensei que preciso continuar trabalhando, melhorar as coisas que eu puder e não desistir. E agradeço a Deus por o senhor ter voltado aqui.
Daniel parou por um instante.
— A Deus?
— Sim, senhor. Porque o senhor veio ontem, conversou comigo, me deu uns conselhos. Hoje apareceu outro cliente. E agora o senhor está aqui de novo. Deus é glorioso.
Daniel decidiu não discutir. Pelo contrário, a interpretação de Antônio lhe pareceu conveniente.
— O importante é que você está começando a enxergar as oportunidades.
— Estou tentando, senhor.
— É assim que começa.
Daniel aproximou-se da churrasqueira e examinou a carne.
— Faz um para mim.
— Claro, senhor Daniel. Vai querer água também?
— Não. Hoje não.
Antônio preparou o espeto enquanto Daniel puxava a outra cadeira disponível. A estrutura rangeu quando ele se sentou. O paletó subiu ligeiramente nas costas, e ele tratou de ajeitá-lo, incomodado com o estado do assento.
— Você realmente precisa resolver isso aqui — disse, olhando para a cadeira. — Um cliente não pode sentar numa coisa dessas.
— Eu sei, senhor.
— E precisa mudar esse ponto. O homem que estava aqui agora há pouco falou a mesma coisa que eu falei ontem?
Antônio levantou os olhos, surpreso.
— O senhor sabia que ele ia falar isso?
Daniel riu.
— Não precisava saber. É evidente. Qualquer pessoa que entenda minimamente de negócios percebe que esse lugar é ruim.
— Ele falou mesmo, senhor. Disse que aqui é perigoso, que não tem movimento e que eu estou errando no ponto de venda.
Daniel apontou para ele com o indicador.
— Exatamente! Isso se chama validação. Quando pessoas diferentes identificam o mesmo problema, é porque você precisa prestar atenção. Não pode ignorar o que o mercado está dizendo.
Antônio entregou-lhe o espeto.
— O senhor e ele falaram quase a mesma coisa.
— Porque nós entendemos do assunto.
Daniel experimentou a carne e continuou:
— E sabe o que mais? Ele também deve ter percebido que você não vende cerveja.
Antônio arregalou os olhos.
— O senhor não vai acreditar. Ele reclamou disso também!
Daniel soltou uma gargalhada.
— Está vendo? Eu sabia! É uma questão básica de negócio. Você está perdendo dinheiro por causa de uma decisão pessoal.
— Ele também disse que eu precisava separar minha religião do meu trabalho.
Daniel apontou novamente para ele.
— Perfeito! O homem entende. O cliente está te mostrando o que precisa mudar, e você deveria ouvir.
Antônio ficou em silêncio, absorvendo as palavras.
Daniel continuou, cada vez mais animado com a concordância.
— Sabe, Antônio, uma das coisas que ensino nas minhas palestras é que o cliente é quem determina o crescimento de um negócio. Você precisa escutar o mercado. Não adianta ficar apaixonado pelas próprias ideias. Se o cliente diz que falta alguma coisa, você precisa avaliar.
— É verdade, senhor.
— E você tem uma vantagem enorme.
Antônio olhou para ele.
— Qual, senhor?
— Você está começando do zero. Não tem uma estrutura cara para manter, não tem funcionários, não tem aluguel comercial. Pode mudar tudo sem precisar desfazer um monte de decisões antigas.
Antônio olhou para a churrasqueira enferrujada.
— É... Mas eu também não tenho dinheiro para fazer quase nada.
Daniel mastigou devagar antes de responder.
— Isso é uma questão de mentalidade. Você está pensando no que não tem, quando deveria pensar no que pode fazer.
Antônio assentiu, sem saber exatamente como transformar aquela frase em alguma coisa concreta.
— Vou tentar, senhor.
— Tentar não. Fazer.
— Sim, senhor.
Daniel terminou o churrasquinho e limpou os dedos.
— E outra coisa: não adianta ficar dizendo que Deus vai ajudar. Você precisa tomar decisões.
Antônio permaneceu calado por alguns segundos.
— Eu entendo o que o senhor quer dizer. Mas eu converso com Deus porque é o que me dá força. Também converso com meu pastor quando tenho dúvidas.
— Seu pastor entende de negócios?
— Não sei, senhor. Mas entende de fé.
Daniel riu.
— Antônio, você está precisando de um consultor, não de um pastor.
O homem recebeu a frase sem demonstrar ofensa.
— Pode ser, senhor. Mas eu não tenho dinheiro para pagar um consultor.
Daniel ergueu o queixo, satisfeito por ter a oportunidade de repetir o que dissera na noite anterior.
— E é justamente aí que está o problema. Eu poderia te ajudar, mas você não tem condições de pagar pelo meu trabalho.
Antônio olhou para ele com uma espécie de admiração triste.
— Eu imagino que seja caro, senhor. O senhor deve trabalhar com gente muito importante.
Daniel ajeitou o relógio no pulso.
— Trabalho com empresários, profissionais liberais, investidores. Pessoas que entenderam que o crescimento exige investimento.
— Deve ser muito bom poder ajudar essas pessoas.
— É gratificante. Mas nem todo mundo está preparado para ouvir o que precisa ouvir.
Antônio olhou para a placa.
— Eu estou tentando ouvir, senhor.
Daniel seguiu o olhar dele e leu a inscrição.
— Pois comece por isso. Você precisa parar de usar Deus como resposta para tudo. Não vende cerveja porque é crente. Não muda de lugar porque não tem dinheiro. Não melhora a barraca porque espera que Deus ajude. Você percebe como tudo termina na mesma coisa?
Antônio respirou fundo.
— Eu não espero que Deus faça o meu trabalho, senhor. Eu trabalho todos os dias. Só acredito que Ele me dá força para continuar.
Daniel balançou a cabeça.
— Você sempre tem uma resposta.
— Não, senhor. Eu não tenho muitas respostas. Por isso digo que Deus é glorioso. É a única coisa de que tenho certeza.
Daniel ficou olhando para ele, sem saber se aquela frase era uma demonstração de fé ou uma maneira de encerrar a conversa.
Depois olhou para a churrasqueira.
— De qualquer forma, se você não começar a vender cerveja, eu não volto mais.
Antônio pareceu preocupado.
— O senhor não vai voltar?
— Não. Eu gosto de churrasquinho, mas também gosto de tomar uma cerveja de vez em quando. Se você quer conquistar clientes, precisa oferecer o que eles procuram.
Antônio baixou os olhos para a bandeja.
— Eu vou fazer o possível, senhor Daniel.
— O possível não basta.
— Vou conversar com meu pastor. E vou pedir a Deus que me mostre o que devo fazer.
Daniel soltou uma risada cansada.
— Lá vem Deus outra vez.
Antônio não respondeu imediatamente. Pegou o pano preso à cintura, limpou as mãos e olhou para o homem bem vestido sentado diante dele.
— Senhor Daniel, eu sei que o senhor entende mais dessas coisas do que eu. Sei que o senhor estudou, viajou, conheceu gente importante. Eu não tenho essas coisas. Não sei falar como o senhor fala. Mas, se eu fizer alguma coisa que vai contra a minha consciência, não vou conseguir trabalhar em paz.
Daniel franziu a testa.
— Então você prefere continuar pobre?
Antônio ficou quieto por um momento.
— Eu prefiro tentar melhorar sem deixar de ser quem eu sou.
A resposta pareceu irritar Daniel mais do que qualquer discordância anterior.
Ele se levantou, ajeitou o paletó e olhou para a barraca com uma expressão de quem havia acabado de constatar um problema insolúvel.
— Você é um caso difícil, Antônio.
O vendedor sorriu, constrangido.
— Pode ser, senhor.
— Eu estou tentando te ajudar. Estou te dando conselhos que as pessoas pagam caro para ouvir. Mas você insiste em colocar obstáculos no próprio caminho.
Antônio abaixou a cabeça.
— Obrigado pelos conselhos, senhor Daniel. Vou pensar em tudo.
Daniel pegou a carteira e pagou pelo churrasquinho. Depois ficou alguns segundos observando o dinheiro nas mãos de Antônio, como se esperasse que o homem compreendesse, naquele simples gesto, a diferença entre os dois.
— Pense mesmo. Porque, se continuar assim, vai ficar aqui para sempre.
Antônio guardou o pagamento.
— Deus é glorioso, senhor Daniel.
Daniel fechou a expressão.
— Boa noite, Antônio.
— Boa noite, senhor. Que Deus abençoe o senhor e seu trabalho.
Daniel caminhou até o Celta, abriu a porta e entrou. Antes de ligar o motor, olhou pelo retrovisor.
Antônio já havia voltado à churrasqueira.
Ajeitava os espetos, recolhia um pedaço de carvão que caíra no chão e conferia a carne para não deixar que queimasse. Sob a luz solitária do poste, a placa permanecia pendurada, com a letra invertida no meio da palavra.
Daniel ligou o carro.
— Esse homem nunca vai aprender — murmurou.
O Celta atravessou a praça e desapareceu na avenida.
Antônio continuou trabalhando.
Não sabia se venderia mais algum espeto naquela noite. Não sabia quando conseguiria comprar outro carrinho ou encontrar um ponto melhor. Não sabia sequer se, no dia seguinte, alguém voltaria a reclamar de sua presença.
Mas havia acendido a churrasqueira, preparado a carne e recebido dois clientes.
Para aquela noite, era o que tinha.
E, enquanto o fogo diminuía, voltou a olhar para a placa.
— Obrigado, meu Deus. O Senhor sabe de tudo.
Depois sorriu sozinho.
— Deus é glorioso.
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