Hipótese: um impacto pode alterar completamente o estado de um corpo.
Durante anos, acreditei que isso se aplicava apenas à física. Força, massa, velocidade. Causa e efeito. Tudo previsível. Tudo calculável.
Então conheci Ariel.
Observação empírica número um: ele não segue leis. Não as da física, muito menos as da decência. Despreza, humilha e finge não notar a presença de alguém que insiste em existir ao seu redor. Eu, no caso.
Variável constante: minha insistência. Desde o ensino médio, mantenho a mesma condição inicial — gostar de Ariel, mesmo sabendo que a resposta será sempre o desprezo. Um experimento falho, repetido inúmeras vezes, esperando resultados diferentes.
Até o dia do impacto.
Uma bola. Um erro de cálculo. Alguns minutos de inconsciência.
Resultado inesperado: algo mudou.
No jeito como passou a me olhar. No silêncio constrangido após minhas cantadas. No leve rubor que insiste em surgir onde antes só havia frieza.
Conclusão provisória: nem todo impacto é físico.
Alguns atingem direto o emocional. E, uma vez iniciado o experimento, não há
como interrompê-lo.