Eu estava sentado à mesa, tentando comer em paz, mas, aparentemente, Eithan tinha acordado com a única missão de acabar com a minha paciência.
Dei uma cotovelada nele por baixo da mesa.
— Para de ocupar meu espaço, imbecil.
Resmunguei, empurrando-o para o lado.
Eithan:
— Você que está me empurrando desde que sentamos aqui!
ele respondeu baixinho, devolvendo o empurrão.
Revirei os olhos.
Que inferno. Nem durante o jantar esse garoto consegue ficar quieto.
Entretanto, quando a filha da senhora Martinez começou a falar sobre a mochila que estava no nosso quarto, minha atenção se voltou para ela.
— Meninos, amanhã eu começo a ir para a escola...
ouvi-a dizer.
Eu ia responder alguma coisa, mas antes que eu falasse o Eithan falou que buscava pra ela.
A garota olhou para mim.
E, por um breve instante, foi como se o tempo tivesse parado.
Franzi a testa, apertando o garfo entre os dedos.
Antes que pudesse perguntar, a senhora Martinez interrompeu a conversa, repreendendo a filha por falar durante o jantar.
Observei a garota abaixar a cabeça e ficar quieta, mexendo na comida sem demonstrar muita expressão.
Por algum motivo, aquilo me incomodou.
Não que eu me importasse, é claro. Eu simplesmente achava desnecessário que ela ficasse daquele jeito por causa de uma repreensão.
Que ótimo. Agora até o silêncio dela está me incomodando. Maravilhoso, Neithan.
Soltei um suspiro e voltei a comer.
Eithan ficou sério.
Quando finalmente terminamos de jantar, levantei-me da cadeira e empurrei-a para trás.
Eithan pode deixar que eu pego a mochila dela já que eu acabei de comer primeiro
Eithan ergueu uma sobrancelha, claramente surpreso.
— Você?
Olhei para ele com irritação.
— Não, o papa. Claro que sou eu, idiota.
Ele segurou uma risada, e eu revirei os olhos antes de começar a caminhar em direção à escada.
No entanto, ao passar pela garota, parei por um instante.
Fiz uma pequena pausa, desviando o olhar.
E falei pra ela
— E... não precisa ficar quieta por causa do que aconteceu durante o jantar. Você não estava fazendo nada demais.
As palavras saíram antes que eu pudesse pensar direito.
Fiquei imóvel por um segundo, percebendo o que tinha acabado de dizer.
Droga. Estou ficando igual ao Eithan.
Limpei a garganta e voltei a assumir minha expressão habitual.
— Enfim, tanto faz.