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A Aparição - Parte 12

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Pensamento

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passaporteVencido

Com as minhas filhas é igual, elas sabem quem chegou por último no portão e quantos minutos depois. A filha dela contando que fica sozinha esperando pesou mais que o acampamento todo.

Com as minhas filhas é igual, elas sabem quem chegou por último no portão e quantos minutos depois. A filha dela contando que fica sozinha esperando pesou mais que o acampamento todo.

Conteúdo da publicação

Na manhã seguinte, a casa da psicóloga parecia exatamente como sempre.

Era uma casa agradável, típica de uma família comum. A cozinha recebia a luz suave da manhã pela janela. Havia uma mesa de madeira, algumas fotografias na parede, uma pia cheia de pequenas coisas da noite anterior e o cheiro de café recém-passado espalhando-se pelos cômodos.

Nada naquela casa lembrava o acampamento militar.

A psicóloga preparava o lanche do marido e da filha enquanto ele terminava o café.

— Você alimentou o cachorro?

O marido parou por um instante.

— Ainda não.

Ela olhou para ele.

— Você nunca alimenta esse cachorro.

— Eu ia alimentar.

— Claro que ia.

A filha, sentada à mesa, começou a rir.

O marido olhou para ela, depois para a esposa.

— Ele sobreviveu até agora.

— Porque eu alimento.

Ela fechou a mochila da filha e colocou o lanche dentro.

Ao olhar pela janela, percebeu alguns passarinhos no jardim.

— E você também não deixou semente no coletor.

— Esqueci.

— Você sempre esquece.

Ela apontou para o pequeno recipiente preso perto da janela.

— Eu gosto de observar os pássaros.

— Eu sei.

— Então deixa semente lá.

— Tá bom.

— Hoje eu compro.

Ela voltou a preparar as coisas.

Durante alguns segundos, tudo parecia tão banal que era quase difícil acreditar que, poucas horas antes, ela estava dentro de um acampamento cercado por soldados, pesquisadores e equipamentos que tentavam compreender uma garota que simplesmente flutuava.

A filha mexeu no pão dentro do prato.

— Eu não quero ir para a escola.

A psicóloga olhou para ela.

— Você vai.

— Não quero.

— Por quê?

— Porque não quero.

Ela respirou fundo.

— Eu busco você hoje.

A menina levantou os olhos.

— Você promete?

— Prometo.

— De verdade?

— De verdade.

A filha cruzou os braços.

— Você sempre fala isso.

A psicóloga parou.

— Como assim?

— Você fala que vai me buscar e demora.

O marido levantou uma sobrancelha.

Não disse nada.

A filha continuou:

— Eu fico sozinha lá.

A psicóloga olhou para o marido.

Ele apenas manteve a sobrancelha levantada, como se estivesse dando razão à filha sem precisar dizer uma palavra.

— Eu não demoro tanto assim.

A menina olhou para ele.

— Demora.

Ele assentiu discretamente.

A psicóloga soltou um pequeno suspiro.

— Está bem. Hoje eu vou buscar você na hora.

— Na hora mesmo?

— Na hora.

— Antes de todo mundo?

— Antes de todo mundo.

A menina finalmente pareceu satisfeita.

O marido pegou a xícara de café.

— Eu acho que ela ganhou.

— Você não ajuda.

— Eu só estou observando.

A psicóloga pegou a própria xícara e ficou alguns segundos em silêncio.

Sem perceber, olhou novamente pela janela.

Um pássaro pousou no coletor vazio de sementes.

Ficou ali por alguns segundos.

Depois foi embora.

Ela pensou em Aurora.

Semanas.

Já fazia semanas que a aparição permanecia no mesmo lugar.

Parada.

Flutuando.

Observando.

E, apesar de todo o aparato militar, dos cientistas, dos exames, das teorias e das pessoas que chegavam de todos os lugares para vê-la, nada havia acontecido.

Aurora continuava ali.

Como se estivesse esperando alguma coisa.

Ou como se não estivesse esperando absolutamente nada.

— Mãe?

Ela voltou o olhar para a filha.

— O quê?

— Você está me ouvindo?

— Estou.

— Então hoje você vai me buscar.

A psicóloga sorriu.

— Vou.

A menina pegou a mochila.

— Promete?

— Prometo.

Dessa vez, o marido levantou novamente a sobrancelha.

Ela olhou para ele.

— Nem começa.

Ele sorriu.

A filha saiu na frente.

A psicóloga ficou alguns segundos na cozinha, olhando pela janela para o jardim.

Depois pegou as chaves.

Naquela manhã, sua maior preocupação era chegar no horário para buscar a filha.

E, pela primeira vez em semanas, isso pareceu uma coisa muito importante.

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Thoughts

  • passaporteVencido

    Com as minhas filhas é igual, elas sabem quem chegou por último no portão e quantos minutos depois. A filha dela contando que fica sozinha esperando pesou mais que o acampamento todo.

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  • homeOfficeFake

    Pai que levanta a sobrancelha e não fala nada sabe de cor quantas vezes ela chegou atrasada na escola. Meu palpite é que ele tem até as datas.

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