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A Aparição - Parte 5

aleroz

Conteúdo da publicação

Um dos pesquisadores aproximou o equipamento de medição.

— Vou verificar radiação.

O aparelho foi ligado.

Primeiro, nada.

Então começou a apitar.

Um sinal.

Depois outro.

Cada vez mais rápido.

O pesquisador afastou o aparelho.

O som continuou.

— Está saturando.

— Quanto?

— Não consigo medir.

Ele trocou o equipamento.

O segundo começou a apitar imediatamente.

— Esse também.

— Radiação?

— Sim.

O oficial ficou sério.

— Quanto?

O pesquisador olhou para o visor.

— Acima da escala.

— Isso é perigoso?

O homem demorou a responder.

— Em teoria, deveria ser.

Ele olhou para Aurora.

— Mas os níveis nos arredores dela continuam normais.

— E os seres humanos?

— Estamos todos normais.

Outro pesquisador conferiu os dados.

— Se isso estivesse irradiando como uma fonte convencional, ninguém poderia permanecer aqui.

— Então o que estamos medindo?

O pesquisador olhou novamente para Aurora.

— Eu não sei.

— Ela é uma fonte radioativa?

— Tecnicamente...

Ele respirou fundo.

— É como se estivéssemos diante de uma usina nuclear ambulante.

O oficial olhou para Aurora.

Ela continuava flutuando.

Quietinha.

Observando.

Sem demonstrar dor.

Sem demonstrar medo.

Sem demonstrar interesse.

Como se estivesse em um parque olhando pessoas passarem.

Um soldado aproximou-se do oficial.

— Senhor...

— O quê?

— Se ela é realmente isso tudo...

O oficial não respondeu.

O soldado olhou para Aurora.

Depois para a arma em seu coldre.

— Precisamos saber se ela é resistente.

— Não.

— Senhor...

— Eu disse não.

O soldado permaneceu imóvel.

Então, num impulso, sacou a arma.

— Abaixe isso!

O disparo ecoou pela floresta.

Aurora não se mexeu.

A bala atingiu seu corpo.

E caiu no chão.

Um pequeno som metálico.

Tic.

Silêncio.

Ninguém respirou por alguns segundos.

Aurora continuava flutuando.

Não havia ferimento.

Não havia sangue.

Não havia sequer uma marca em sua roupa.

Ela nem olhou para a bala.

Um soldado abaixou lentamente a arma.

— Eu...

Ninguém respondeu.

O médico se aproximou, sem acreditar.

— Isso não é possível.

O pesquisador olhou para os instrumentos.

— O impacto não alterou nenhum dos parâmetros.

— Ela sentiu?

— Não sei.

— Pergunte.

A psicóloga olhou para Aurora.

— Aurora?

A garota virou os olhos para ela.

— Você sentiu alguma coisa?

Silêncio.

Aurora voltou a olhar para os soldados.

O pesquisador pegou a bala do chão.

Ainda estava quente.

Ele ficou olhando para ela.

Depois para Aurora.

— Nós não estamos diante de uma doença.

O médico respondeu:

— Nem de uma mutação conhecida.

— Isso não é biologia.

O oficial permaneceu em silêncio.

Ao redor deles, dezenas de pessoas observavam a garota.

Equipamentos continuavam funcionando.

Sensores registravam números impossíveis.

Câmeras filmavam.

Médicos examinavam.

Psicólogos tentavam estabelecer contato.

Militares mantinham as armas abaixadas.

E Aurora...

Aurora apenas observava.

Flutuando alguns centímetros acima do chão.

Sem falar.

Sem fugir.

Sem atacar.

Sem pedir ajuda.

Como se todas aquelas pessoas fossem apenas visitantes de um lugar que ela conhecia.

Como se nada daquilo fosse estranho.

Talvez, para ela, realmente não fosse.

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Thoughts

  • Adenilson

    Esse pesquisador vai guardar a bala ainda quente no bolso e não mostrar pra ninguém, tenho quase certeza.

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  • Neidinha

    Ninguém tomou a arma do soldado depois do tiro, ele só abaixou. É bem assim mesmo, quem faz besteira continua de farda.

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