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A Aparição - Parte 6

aleroz

Conteúdo da publicação

A notícia deixou de ser local antes mesmo que a pequena cidade entendesse o que estava acontecendo.

Primeiro foram os jornais da região.

Depois, os nacionais.

Em poucas horas, imagens de Aurora estavam sendo exibidas em televisões do mundo inteiro.

Uma garota albina.

Uma adolescente comum.

Flutuando alguns centímetros acima do chão.

Sem ferimentos.

Sem falar.

Sem demonstrar medo.

Sem tocar o chão.

As primeiras imagens haviam sido feitas de longe, ainda na floresta. Depois vieram as imagens dos policiais, dos médicos, dos soldados e dos equipamentos montados ao redor dela.

A pequena cidade começou a receber pessoas.

Jornalistas.

Curiosos.

Pesquisadores.

Religiosos.

Turistas.

Pessoas que queriam apenas vê-la.

Alguns chamavam Aurora de alienígena.

Outros diziam que ela era uma santa.

Nas redes sociais, começaram a chamá-la de Nossa Senhora da Aparição.

Outros preferiam um nome ainda mais simples:

A Criança Imaculada.

Imagens religiosas começaram a aparecer nas ruas.

Pessoas rezavam diante das barreiras militares.

Algumas choravam.

Outras apenas permaneciam em silêncio, olhando de longe.

Havia quem levasse flores.

Havia quem levasse velas.

Havia quem pedisse milagres.

E havia quem gritasse que aquilo não era humano.

Enquanto isso, os jornais começaram a investigar quem era Aurora antes daquela noite.

Descobriram sua escola.

Sua casa.

Sua família.

Fotografias antigas começaram a aparecer.

Aurora criança.

Aurora na escola.

Aurora com os cabelos brancos.

Aurora sorrindo.

Aurora vivendo uma vida absolutamente comum.

As reportagens também descobriram outra parte da história.

Ela era perseguida por outros estudantes.

Era ridicularizada por ser albina.

Havia relatos de humilhações, brincadeiras cruéis e perseguições.

Alguns dos adolescentes envolvidos ainda estavam na cidade.

Agora não queriam aparecer.

Alguns sequer saíam de casa.

Tinham visto Aurora naquela noite.

Tinham visto a garota que costumavam cercar na floresta.

Só que agora ela flutuava.

E eles não conseguiam esquecer aquela imagem.

Enquanto isso, uma enorme estrutura havia sido montada ao redor do local.

Uma barraca militar cobria parte da área.

Telas protegiam os equipamentos.

Geradores funcionavam continuamente.

Câmeras observavam Aurora vinte e quatro horas por dia.

Policiais davam entrevistas atrás das barreiras.

— Aurora não apresenta comportamento agressivo.

— Ela não tentou atacar ninguém.

— Ela permanece consciente.

— Não conseguimos determinar a causa do fenômeno.

As mesmas perguntas eram repetidas por jornalistas de todo o mundo.

Ela está viva?

Ela é humana?

O que aconteceu com ela?

Ela pode ser perigosa?

Ninguém sabia responder.

Mais soldados chegaram.

Mais veículos.

Mais equipamentos.

Mais médicos.

Mais pesquisadores.

Então chegaram com uma estrutura diferente.

Uma cápsula.

Grande o suficiente para acomodar Aurora.

Transparente em algumas partes, cercada por equipamentos e sistemas de monitoramento.

A intenção era simples.

Criar um ambiente completamente controlado.

A cápsula foi posicionada próxima à área onde Aurora permanecia.

Os militares tentaram aproximá-la.

Aurora não reagiu.

Tentaram conduzi-la.

Ela não resistiu.

Mas também não colaborou.

Quando tentaram fazê-la entrar, simplesmente permaneceu onde estava.

Flutuando.

Os soldados recuaram.

A cápsula ficou parada ao lado dela.

Aurora olhou para a estrutura.

Depois olhou para as pessoas.

E permaneceu ali.

Sem dizer uma palavra.

Do lado de fora das barreiras, centenas de pessoas observavam.

Algumas rezavam.

Algumas filmavam.

Algumas gritavam seu nome.

Outras gritavam que ela deveria ser deixada em paz.

No meio de tudo aquilo, Aurora parecia ser a única pessoa que não demonstrava pressa.

Ela apenas observava.

Como se estivesse vendo o mundo inteiro chegar até ela.

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Thoughts

  • OtavioBrandao

    Em poucas horas a menina ganhou nome de santa e ninguém perguntou nada a ela. Isso acontece rápido de verdade, basta uma imagem na tela e uma vela no meio-fio.

    Eu diria que os rapazes trancados em casa têm mais medo da multidão rezando do que da própria Aurora.

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  • Adenilson

    Fiquei pensando na família quando os jornais descobriram a casa. Aposto que tem repórter na calçada desde cedo e a mãe sem poder sair nem pra comprar pão.

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