Os soldados finalmente conseguiram posicionar a cápsula ao redor de Aurora.
As estruturas metálicas foram fechadas uma a uma.
Portas selaram.
Travas foram acionadas.
Os equipamentos começaram a funcionar.
Aurora permaneceu no centro.
Flutuando.
Imóvel.
O interior da cápsula estava cheio de sensores.
Temperatura.
Pressão.
Radiação.
Frequência cardíaca.
Oxigenação.
Tudo funcionando.
— Iniciem o deslocamento.
A base começou a se mover.
As rodas giraram.
O motor aumentou de potência.
A cápsula deveria avançar alguns metros.
Não avançou.
— Acelera.
O motor respondeu.
Nada.
A máquina permanecia exatamente no mesmo lugar.
— Verifique o sistema.
— Tudo normal.
— Então mova.
Mais potência.
O motor rugiu.
A estrutura vibrou.
Mas não saiu do lugar.
Aurora continuava no centro da cápsula.
Sem sequer olhar para o motor.
Os técnicos tentaram novamente.
Dessa vez, aumentaram ainda mais a potência.
O som tomou conta da área.
O motor forçou.
Forçou.
E então—
CLAC.
Um cheiro forte de metal queimado tomou o ar.
O motor parou.
— Desliguem!
Fumaça começou a sair da parte inferior.
Um técnico correu até o painel.
— Fundiu.
— O quê?
— O motor inteiro.
Silêncio.
Um dos soldados olhou para Aurora.
Ela permanecia parada.
A cápsula ainda estava funcionando.
Mas então uma das estruturas de sustentação cedeu.
A cápsula inclinou.
Os soldados gritaram.
— Afastem-se!
A estrutura caiu.
A parte inferior bateu contra o chão.
O impacto levantou poeira.
Todos recuaram.
Por alguns segundos, ninguém sabia o que havia acontecido.
A cápsula estava caída.
Imóvel.
Os sensores continuavam ligados.
As luzes internas permaneciam acesas.
Aurora estava lá dentro.
Ainda flutuando.
A poucos centímetros do chão da própria cápsula.
Um soldado se aproximou.
— Aurora?
Nenhuma resposta.
Ele olhou para os instrumentos.
Tudo normal.
A cápsula não se movia.
O motor estava queimado.
A estrutura estava parcialmente danificada.
E Aurora continuava exatamente como antes.
Parada.
Flutuando.
Observando.
Como se nada tivesse acontecido.
Um dos pesquisadores finalmente falou:
— Ela não está presa dentro da cápsula.
O oficial olhou para ele.
— Como assim?
O pesquisador apontou para os sensores.
— Nós é que estamos presos aqui com ela.
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