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A Aperição - Parte 3

aleroz

Conteúdo da publicação

A estrada de terra estava tomada por viaturas.

Policiais cercavam a entrada da floresta. Mais atrás, uma ambulância permanecia com as portas abertas. Homens do Exército haviam chegado pouco depois.

Aurora continuava no mesmo lugar.

Flutuando.

Poucos centímetros acima do chão.

Não havia cordas.

Não havia fios.

Nenhum equipamento.

Ela simplesmente permanecia ali.

Um policial se aproximou devagar.

— Aurora?

A garota levantou os olhos.

Não respondeu.

— Você consegue me ouvir?

Ela continuou olhando para ele.

O policial se agachou.

Estendeu a mão.

— Posso tocar em você?

Aurora não reagiu.

Ele tocou seu braço.

Parou por alguns segundos.

— Está quente.

Outro policial se aproximou.

— Pulso?

— Normal.

— Respiração?

— Normal também.

O segundo policial passou a mão pelo cabelo da garota.

— Pele normal.

Ele olhou para o colega.

— Não tem nada de diferente nela.

Um médico examinou Aurora.

— Pupilas normais. Temperatura normal. Saturação normal.

— Então por que ela está flutuando?

O médico olhou para os pés da garota.

— Não faço ideia.

Um soldado se aproximou.

— Posso tentar puxar?

O policial hesitou.

— Devagar.

O soldado segurou Aurora pelos braços.

— Vamos, menina.

Puxou.

Nada.

Tentou novamente.

Nada.

Aurora permaneceu exatamente na mesma altura.

O soldado fez força.

O corpo dela se moveu alguns centímetros para frente, mas continuou suspenso.

Quando ele soltou, ela voltou lentamente para o mesmo lugar.

— Ela é pesada?

— Peso normal.

— Então por que não desce?

Ninguém respondeu.

Outro policial se aproximou e segurou a cintura da garota.

— Aurora, eu vou tentar colocar você no chão, está bem?

Ela apenas olhou para ele.

O policial flexionou os joelhos e tentou abaixá-la.

Não conseguiu.

Não era como se alguma coisa estivesse segurando Aurora.

Não havia resistência.

Era pior.

Simplesmente não acontecia.

O corpo dela podia ser tocado.

Podia ser segurado.

Podia ser empurrado.

Mas o chão parecia não existir para ela.

O policial soltou a garota.

Aurora permaneceu suspensa.

O comandante olhou para o médico.

— Ela está machucada?

— Não.

— Está com dor?

— Não demonstra.

— Está consciente?

O médico olhou para Aurora.

Ela observava os policiais.

Depois os soldados.

Depois a ambulância.

Como uma criança tentando entender por que tanta gente estava olhando para ela.

— Está.

O comandante respirou fundo.

— Ela fala?

— Até agora, não.

— Tentaram perguntar o nome?

— Sim.

— E?

— Nada.

Silêncio.

Ao longe, um helicóptero se aproximava.

O comandante olhou para o céu.

— O Exército já mandou alguém?

— Já.

— E os cientistas?

— A caminho.

Ele voltou os olhos para Aurora.

— E ela?

O médico respondeu:

— Continua bem.

— Bem?

— Fisicamente, sim.

O comandante olhou novamente para os pés dela.

— Ela está flutuando há quanto tempo?

— Quase quatro horas.

O comandante ficou alguns segundos em silêncio.

— E não caiu nenhuma vez?

— Não.

— Dormiu?

— Não sabemos.

Aurora continuava olhando para todos.

Quietinha.

Sem medo aparente.

Sem raiva.

Sem curiosidade exagerada.

Apenas observando.

Um policial se aproximou novamente.

Dessa vez, colocou a mão sobre o ombro dela.

Aurora olhou para ele.

Ele sorriu discretamente.

— Você não precisa ter medo.

Ela continuou olhando.

O policial retirou a mão.

E percebeu que, pela primeira vez desde que chegaram, aquilo não parecia uma ocorrência policial.

Parecia outra coisa.

Uma coisa para a qual ninguém ali tinha treinamento.

O comandante finalmente perguntou:

— E se ela simplesmente continuar assim?

O médico olhou para Aurora.

— Quanto tempo?

— Para sempre.

Ninguém respondeu.

Aurora continuava flutuando.

Alguns centímetros acima da terra.

Como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo.

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Thoughts

  • HelenaSampaio

    Desde a primeira parte ela só observa, e agora com viatura, ambulância e Exército em volta continua igual. Desconfio que o perigo dessa história desce daquele helicóptero junto com os cientistas.

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  • OtavioBrandao

    Repara na ordem de quem chega: polícia, ambulância, Exército, e só por último os cientistas, ainda a caminho. Cada um faz a pergunta que sabe fazer, pulso, peso, se ela fala, e nenhuma serve pra nada.

    O policial que percebe que aquilo já não parece ocorrência é o único ali que mudou de ideia. Meu palpite é que ele vira o elo da Aurora com o resto, e que o comandante perde o caso pra quem descer do helicóptero.

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