A sala de reunião estava em silêncio.
Do outro lado das grandes janelas, Aurora podia ser vista.
Parada.
Flutuando.
Os pesquisadores a observavam como se ela fosse parte da paisagem.
Havia psicólogos, biólogos e especialistas de diferentes áreas.
Nenhum deles tinha uma resposta.
— Talvez não devêssemos tentar descobrir o que ela é ainda.
— E fazer o quê?
— Observar.
— É isso que estamos fazendo há dias.
— Então continuamos.
Um dos biólogos abriu alguns relatórios.
— Não encontramos nenhuma alteração biológica compatível com o fenômeno.
— Nenhuma?
— Nenhuma.
— O corpo dela é humano?
— Tudo o que conseguimos analisar indica que sim.
— Tudo?
Ele hesitou.
— Tudo que conseguimos medir.
Outro pesquisador olhou para os gráficos.
— Isso é o que está me incomodando.
— O quê?
— Os dados.
Ele apontou para a tela.
— A quantidade de radiação registrada ao redor dela não deveria ser compatível com a existência de um ser humano.
— Nem com a existência desta sala.
— Nem desta cidade.
Silêncio.
— O problema é que ninguém está sendo contaminado.
— Nenhum dano celular.
— Nenhuma alteração genética.
— Nenhuma doença.
— Nenhuma queimadura.
— Nada.
Um especialista abriu outro arquivo.
— O radiotelescópio registrou uma assinatura energética que não conseguimos explicar.
— Quanto?
— A intensidade é comparável ao que esperaríamos de uma estrela de nêutrons.
A sala ficou em silêncio.
— Uma estrela de nêutrons?
— Em termos de intensidade detectada.
— Isso não pode estar certo.
— Eu sei.
— Uma estrela de nêutrons tem uma massa absurda.
— Eu sei.
— E densidade absurda.
— Eu sei.
— Então como uma garota está produzindo uma assinatura semelhante?
Ninguém respondeu.
Outro pesquisador olhou pela janela.
Aurora continuava ali.
— Ela nem emite luz.
— Eu sei.
— Nem calor suficiente para explicar isso.
— Eu sei.
— Então o que exatamente estamos medindo?
Silêncio.
Um psicólogo falou:
— Talvez estejamos cometendo um erro básico.
Todos olharam para ele.
— Estamos tentando descobrir o que ela está fazendo.
Ele apontou para Aurora.
— Mas talvez ela não esteja fazendo nada.
— Como assim?
— Talvez isso simplesmente seja o estado dela.
Um biólogo franziu a testa.
— Isso seria ainda pior.
— Por quê?
— Porque significaria que não existe um mecanismo que possamos desligar.
Outro pesquisador balançou a cabeça.
— Ou ela está tentando nos confundir.
— Como?
— Não sei.
— Então isso não é uma teoria.
— Talvez seja.
— Ela não fez absolutamente nada desde que apareceu.
— Exatamente.
— E isso é o que está nos confundindo.
Todos voltaram a olhar para Aurora.
Ela estava parada.
Os cabelos se moviam levemente com o vento.
O rosto permanecia tranquilo.
Ela observava o movimento das pessoas.
Um carro passando.
Um pássaro.
Uma árvore.
Os próprios pesquisadores atrás das janelas.
Como se nada daquilo tivesse importância especial.
— Talvez ela esteja esperando alguma coisa.
— Talvez.
— Talvez esteja aprendendo.
— Talvez.
— Talvez saiba exatamente o que está fazendo.
— Talvez.
— Talvez nem saiba que está fazendo.
Silêncio novamente.
Um dos biólogos fechou o relatório.
— Temos uma garota com um nível energético que não deveria existir.
Outro corrigiu:
— Temos uma garota com um nível energético que não deveria existir neste universo físico como conhecemos.
Ninguém respondeu.
Ele continuou:
— Se os dados estiverem certos, a Terra não deveria permanecer intacta perto dela.
Olhou para Aurora.
— Mas está.
Outro pesquisador completou:
— Ela também.
Todos ficaram olhando pela janela.
Aurora continuava imóvel.
Sem luz.
Sem brilho.
Sem explosões.
Sem emitir qualquer sinal visível de energia.
Apenas existindo.
Um dos pesquisadores falou quase para si mesmo:
— É como ter uma estrela de nêutrons dentro de uma garota.
Ninguém corrigiu.
Porque, naquele momento, aquela comparação parecia menos absurda do que qualquer outra explicação.
A única coisa realmente absurda era que Aurora estava ali.
Inteira.
Viva.
Flutuando.
E olhando pela janela.
Como se o mundo inteiro fosse apenas uma paisagem.
#terror #horror #horrorsobrenatural #ficcaosobrenatural #terrorpsicologico #ficcao #conto #contosdeterror #historiasdeterror #darkfiction #darkstory #horrorstory #sobrenatural #misterio #floresta #adolescente #albinismo #criatura #possessao #paranormal