Já tinha encontrado ritmo e cadência nessa falta de decência, até porque não vim a este mundo para me guardar por questões morais, inocência ou quais razões mais; no fim, apenas posso ser tenaz em ser audaz.
Talvez eu só queira, na minha mente perturbada, que alguém leia e entenda realmente o que deve ser sentido, essa poesia ao ser lida, porque tudo é sobre entender que deve ser sentido, então sinta ao ler e ao ser lido.
Não estou só, talvez apenas esteja vago, do tipo que vagueia, aqui agora no escuro, eu comigo, mas, se fechar os olhos, posso estar também contigo. Você lê comigo? Estou escrevendo para mim e para você, entende? Dói, amigo. Das coisas de que não me privo.
Um céu cheio de estrelas, na matéria negra desse universo infinito, que, mesmo belo, nos deixa aflitos, mas enquanto nos desviamos dos problemas, das facadas, balas e escolhas de procedência duvidosa. Ainda assim insisto e fico.
Obviamente estou escrevendo esse roteiro desde 93. Não sei como vai terminar, nem me lembro muito bem como foi o começo. Lembro de algumas partes passadas e tenho a consciência de que estou no meio, mas, diante do tempo, quem sou? Mais alguém de provável saco cheio.
Vamos, respira, vive, sente, levanta, grita, sintoniza, bebe sua água, come sua comida, sorri, faz rir, faz valer a pena existir e tenha plena consciência de que não estamos sós aqui. Escrevi, porque só assim entendo o sentir. Você entende por que escolheu ler, porque eu já senti e li.
Não sou uma solução, nem tampouco um problema; somos equações matemáticas constantes e ambulantes, rumo a uma resolução não satisfatória, porque nunca é aquela que esperamos. Mas sempre o que resulta do que fomos, amamos, cantamos, que fizemos da vida rindo e chorando. Mas, principalmente, reclamando.
Vivendo de forma voraz esse sonho de escrever uma tentativa plausível, amor, um sentimento que não pode ser descrito, dor, essa poesia que englobe um pouco do meu todo, um pouco do infinito, ódio, algo que não seja o folclore de um mito, sim, todo aquele, o qual sinto. Amando, dolorosamente odiar. Dolorosamente, odiando amar. Odiando, amar dolorosamente. E ainda assim amando.