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40º Capítulo /OS MISTÉRIOS DO ACASO “Quando Vamos Nos Ver Outra Vez?” Pergunta Sem resposta

Pietrodeluccapoeta777
Pensamento

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Depois do gráfico ladeira abaixo, ela querendo marcar a próxima e ele com a conta dada por quitada. Tchê.

Depois do gráfico ladeira abaixo, ela querendo marcar a próxima e ele com a conta dada por quitada. Tchê.

Conteúdo da publicação

40º Capítulo

“Quando Vamos Nos Ver Outra Vez?”

Matéria Complicada

Este capítulo traz o declínio da relação entre o Poeta e sua amada musa, na verdade, uma virada de chave fundamental na estrutura da história: A transição do luto do fim para a aceitação filosófica e o renascimento espiritual dão um toque de maturidade incrível. A convivência temporal de aproximadamente dez meses mostra o porquê o Narciso é diferenciado, com tudo, ele não se deixa abater, compreende que a matéria do amor exige reciclagem e que a vida é o estágio temporal do espírito. A inclusão de dois poemas fortes — "Matéria Complicada" e "O Tema" — marcam o encerramento de um ciclo cármico e o início de uma nova jornada sob a luz radiante do sol.

​Foram meses de um convívio intenso, repleto de amor sincero com a mulher que deu e recebeu muito prazer, foram momentos inimagináveis de alegrias compartilhadas e de fatores cotidianos que fizeram com que o casal Narciso vivesse em pleno estado de felicidade. Observando a retrospectiva do momento vivido, o tempo cronológico foi curtíssimo e a durabilidade da união idem, a intensidade, as cenas estão eternizadas e gravadas nas almas. Porém, o mundo de Narciso parecia estar acabando e desmoronando à sua volta.

Lúcido e sensato, ele sabia perfeitamente bem que era inútil lutar sozinho por um amor claramente unilateralizado, a construção do romance dependia das duas vontades; ao longo dos tempos Helena mantinha-se em uma postura reprovada pelo Poeta, que era de total indiferença. Não bastando as severas dificuldades que o escritor atravessava em segredo, ele percebia claramente a sua musa se distanciando física e emocionalmente, demonstrando que pouco estava ligando para ele. E Narciso, em seu papel de observador silencioso, testemunhava as claras mudanças de comportamento e as atitudes frias daquela que andou lado a lado, mas preferiu recolher-se a questionar ou iniciar cobranças inúteis. O prenúncio do fim, era claro.

​Enfim, chegou o grande dia inesperado — que já era previsto há algum tempo — infelizmente aconteceu. O romance chegou findou, foi duro para o Poeta acreditar, estava tudo acabado e cada qual seguiu o seu caminho, o seu destino e propósitos. Narciso pressentia que já estava próximo de acontecer tal desfecho, pois os modos, hábitos e as respostas de Helena estavam completamente diferentes em relação a tudo o que haviam construído na intimidade. Cauteloso e com uma fidalguia rara, o Poeta sempre procurou cuidar para que tudo ocorresse naturalmente, sem atritos, agressões verbais e terminar da forma mais serena possível. Assim foi no começo e no fim da história.

Ele fez religiosamente o que o seu coração mandou: fez poemas imortais, estruturou um livro inteiro e rabiscou dedicatórias viscerais. Tudo isso brotou de um sentimento nobre, limpo e sincero, embora fugaz na linha do tempo. Durante o período em que estiveram juntos, Helena parecia ter sido o alicerce e a fundação da arquitetura estética que compôs o romance. O laço encerrou sinceramente sem mágoas ou ressentimentos; embora passageiro, foi um amor verdadeiro, daqueles em que o corpo de ambos traduzia nitidamente, no calor dos lençois, em especial o que a essência de Helena dizia em sussurros quase chorados. Mesmo com o peso do término, era com muito orgulho e imenso prazer que o Poeta continuava a falar e a escrever sobre a sua musa.

​Narciso não é de guardar rancor, de alimentar ressentimentos pretéritos; ele guarda o amor puro, porque a vida lhe ensinou a compreender que apenas o afeto legítimo é capaz de alimentar as suas inspirações literárias. O melhor de tudo o que ficou daquela chuva de amor foram as lembranças cristalinas: as brincadeiras sussurradas no escritório, os passeios de sábado, as cervejinhas geladas à beira-mar, o primeiro beijo roubado e as noites intensas de amor e afeto em pleno quarto de hotel. De fato, foi um sonho real, muito lindo e sublime.

O desenho da relação era nítido para o Narciso porque gostar de alguém da forma pura e avassaladora como ele gostou de Helena é raridade que só se vê em roteiro de novela; talvez nem ela mesma tivesse tido ou venha a ter alguém que a ame com tamanha devoção e entrega neste mundo. Mas o melhor resultado dessa matemática afetiva, quem ganhou foi o próprio amor, e dessa certeza o Poeta nunca teve dúvidas. De certa forma, foi fim de jogo, acabou o romance carnal, mas não acabou a amizade respeitosa; ela era e sempre será uma figura especial para Narciso, e desperdiçar qualquer momento com sentimentos negativos seria um desperdício inútil de energia espiritual.

​E o poema intitulado "Matéria Complicada" surge exatamente como mais um testemunho que traduz a dor de um amor não correspondido como uma das partes pensou que seria. É mais uma forma poética de dizer também que a união de duas pessoas fortalece o sentimento, mas, para que isso aconteça, ele tem que existir de fato e haver a vontade explícita de fazer dar certo. O amor já nasce com cada pessoa, como uma semente divina; cabe a cada um, aprimorar, regar e reciclar essa força constantemente ao longo da vida que por sinal é curta demais.

Como é complexo amar! No curso da faculdade da vida, todos os seres humanos acabam sendo aprovados com o tempo, após passarem pelas provas e exames das dores, e isso ocorre sem a menor pretensiosidade. Narciso e Helena souberam usar e abusar da ternura mútua e do carisma que fez o elo magnético entre eles. Por isso, entender o sentimento em sua totalidade é um Dom concedido por Deus; é como um flash fotográfico ou um relâmpago que corta o céu escuro: rápido, cortante e luminoso.

Uma parte dessa rapidez nós comandamos com o nosso livre-arbítrio, mas a outra metade fica depositada nas mãos misteriosas do destino, e nem sempre as coisas correrão do nosso modo ou conforme a nossa vontade. Esta é a essência que expressa a poesia "Matéria Complicada", dedicada também à querida Helena, discorrendo sobre a forma, o modo e como pode se tornar indestrutível a união quando ambos têm fé em Deus. No entanto, os quesitos amor e sabedoria são obrigatórios para usufruir desta dádiva, pois quem os possui jamais se sentirá sozinho em qualquer lugar do mundo.

​... Matéria Complicada …

__________________________

Gostaria de poder entender o sentimento

E o propósito do abstrato

Que é um extrato de um trato

Ou até mesmo um atestado,

Um verdadeiro contrato

Selado pelos corações.

O amor,

Que tanta gente possui, e

Não sabe utilizar, talvez

Por falta de vontade,

Começa quando com por egoísmo

Se despreza a outra metade

E faz disso uma grande tempestade

Para entender que dois

É mais forte que um,

Dizer que o amor é cego

É inteligente,

Pois onde ele está

Não há singularidade

Na cidade

Consta no aprendizado

Como a Matéria Complicada

E para quem aplica

Não há dificuldade

O difícil é o querer

E querer é só reciclagem

Pois o amor

Já nasce com o Ser....

______________________

​Ass. Narciso "O Poeta"

​

O momento inimaginável chegou! Sozinho, chateado e um triste com o desfecho dado, mas profundamente maduro com os ensinamentos da vida e sempre simpático com todos ao seu redor, Narciso decide optar por não deixar que os acontecimentos lhe abatesse o espírito. Ele tinha em mente a convicção de que sua jovialidade e sua força interna mereciam outra oportunidade no futuro. Tudo o que aconteceu foi somado em sua bagagem como uma nova e valiosa experiência existencial, e assim ele continuou firme poetizando a vida. Na sublime condição de poeta, nada vale mais do que a própria vida, exceto o amor que a justifica.

​Passaram-se um mês e meio do término silencioso — de recolhimento e reconstrução interna. Plenamente ciente dos fatos e com as feridas quase cicatrizadas pelo tempo, ele procurava dar continuidade à sua realidade prática, que era não deixar o barco afundar. Sempre inspirado e conectado com o invisível, Narciso não perdeu o entusiasmo pelas palavras e continuou a poetizar a vida e o cotidiano.

​

Foi nesse período de calmaria que ele escreveu o poema "O Tema", contradizendo a lógica do medo e afirmando categoricamente que não devemos temer a nada nesta vida terrena, pois ela é bela por excelência. Só devemos temer, de fato, ferir o coração de quem amamos, pois o amor é um Dom e uma dádiva direta de Deus, uma lição de vida perene.

​

A existência funciona como um belo teclado onde devemos estar sempre, com paciência e persistência, tocando na mesma tecla da evolução. A inspiração para “O Tema” surgiu em um bonito dia de sol na cidade. Aproveitando a bondade e o calor do astro rei, Narciso acomodou-se confortavelmente em uma poltrona de sua sala, colocou seus óculos de leitura, apanhou uma caneta de sua estimada coleção e, diante de uma folha em branco, começou a se conectar com as linhas espirituais que formam os versos a seguir…

​

O Tema

_____________________

Não temas

Em teimar

Se o tema

É teimar

Não há o que temer

Quem não teme

Em buscar a verdade

A essência certamente

Tem em seu elo

Um fragmento

Entre a perfeição e a matéria,

Não temas

Em teimar

Porque Deus

Não está longe de ti

Se tu, és a suprema imagem

E a luz emanada dele

Não há o que temer

Pois, se não sabes

Estas isento dos atributos

Que geram dissabores

Oriundos das causas cármicas negativas

Que beleza

Viver a beleza

Da bela vida

Que por excelência

Possui essência,

Não temas

Em desvalorizar a matéria

Por si só

Ela já é sem valor

E desvalorizada está,

A matéria

É apenas a morada

Do espírito

Que igual a outro objeto

Também possui seu ciclo de vida

Nasce, cresce

E decresce desvalorizada

Deteoriorizada

Conforme sua missão

Neste mundo

Neste plano

Portanto, não temas .....

​________________________

Ass. Narciso "O Poeta"

​

Ao transmutar a dor da perda em evolução espiritual, Narciso compreendeu que as decepções da matéria são pequenas diante da imortalidade do espírito. O amor por Helena cumpriu sua missão cármica, deixando como herança um teclado de infinitas poesias prontas para ecoar no tempo.

​

Contudo, a carne possui seus próprios mistérios e o destino adora pregar peças na lógica dos homens. Meses após esse recolhimento e essa elevação espiritual, o reencontro inevitável aconteceu — não por cobrança, mas pelo magnetismo irresistível que ainda orbitava entre os dois. Aquela noite de sábado não foi uma tentativa de reatar o romance, mas sim a celebração derradeira do desejo em sua voltagem máxima: um erótico premium, selvagem e sem amarras, onde o pompoarismo hipnotizante de Helena e a entrega voraz de Narciso incendiaram o quarto pela última vez.

​

Ao final do ato, na energia da penumbra envolta na fumaça do delírio e recuperando o fôlego entre os lençois amassados, Helena virou-se para o Poeta com o olhar brilhando de paixão e um sorriso de satisfação saciada, soltando a frase que selaria a ironia de toda essa jornada:

​

— Meu Deus, eu adorei esta noite... QUANDO VAMOS NOS VER OUTRA VEZ?

​

Narciso apenas sorriu em silêncio, acolhendo o elogio à sua dignidade de homem e de poeta. Ele sabia que, para ela, aquela pergunta era o desejo de repetir o espetáculo; para ele, porém, era a certeza de que a dívida do passado estava quitada e que o barco da sua vida já navegava para novos mares.

​

ENQUETE DOS MISTÉRIOS DO ACASO:

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O que pesou mais no reencontro definitivo de Narciso e Helena?

Vote e deixe sua análise crítica nos comentários do post:

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[ Opção 1 ] A maturidade de Narciso, que conseguiu viver o prazer do reencontro sem se deixar prender novamente pelas ilusões do passado.

​

[ Opção 2 ] A irônica cegueira de Helena Dolly, que após a noite inesquecível não percebeu que o ciclo sentimental de Narciso já estava encerrado.

​

[ Opção 3 ] A força incontrolável da atração física, provando que a "matéria complicada" da paixão carnal nem sempre segue a lógica do espírito.

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​

Este capítulo é uma publicação oficial do Selo 444. Descubra os mistérios do acaso todas as quartas-feiras e aos sábados.

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_________________________

@PietrodeLuccaPoeta ✒️📝🖋️

Escritor, Poeta, Contista e Cronista

Athelier das Letras - Selo 444

opoetalk520.substack.com

pietrodeluccapoetanarcisosilva.blogspot.com

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Respostas

  • pavor_da_selic

    Depois do gráfico ladeira abaixo, ela querendo marcar a próxima e ele com a conta dada por quitada. Tchê.

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  • meioCapitulo

    Parei no meio do poema O Tema e pulei pro final por causa da enquete 😅 Vou de opção 3, a carne ganhou essa!

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