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25º Capítulo/OS MISTÉRIOS DO ACASO /Louca Paixão!

Pietrodeluccapoeta777
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Na manhã seguinte, como sempre, Narciso chegou amistosamente à empresa. Aquela euforia transbordante de outrora parecia ter dado uma leve esfriada diante das barreiras invisíveis do cotidiano, mas…

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IsauraBrandao

Menino, essa Helena que sai correndo depois do expediente e noutro dia chega toda arrumada, eu já vi mulher assim na minha rua. Ninguém nunca soube o nome do outro homem.

Menino, essa Helena que sai correndo depois do expediente e noutro dia chega toda arrumada, eu já vi mulher assim na minha rua. Ninguém nunca soube o nome do outro homem.

Conteúdo da publicação

25º Capítulo

OS MISTÉRIOS DO ACASO

Louca Paixão!

Na manhã seguinte, como sempre, Narciso chegou amistosamente à empresa. Aquela euforia transbordante de outrora parecia ter dado uma leve esfriada diante das barreiras invisíveis do cotidiano, mas ele ainda conseguia manter intacto o seu bom humor característico e o seu espírito brincalhão. Afinal, quando estava fisicamente perto de Helena, a paixão sempre falava mais alto dentro do seu peito. Ela possuía o dom raro de derreter o coração do escritor de uma forma instantânea. E mesmo com a meia frieza defensiva que ela às vezes demonstrava, ele continuou sendo o mesmo homem cortês, atencioso e profundamente apaixonado de sempre.

— Bom dia, Helena! — cumprimentou Narciso, aproximando-se com leveza.

— Bom dia! — respondeu ela, com o tom suave.

— Sabe, Narciso... Ontem eu também fiz uma verdadeira viagem — revelou Helena, mudando o semblante.

— É mesmo? E como foi essa sua viagem, minha querida? — perguntou o Poeta, curioso.

— Bom, assim que cheguei em casa, me tranquei no meu quarto e decidi que não falaria com ninguém. Eu queria sutilmente o meu sossego, queria me isolar do mundo e ficar ouvindo as minhas músicas no último volume pelo fone de ouvido, deixando os pensamentos soltos — explicou ela, relembrando o seu retiro.

— E como foi a sensação? — quis saber ele.

— Foi muito bom, de verdade. Uma calmaria necessária — confessou Helena.

— Que bom. Sabia que eu também fiz mais um poema inteiramente dedicado a você? — disparou Narciso, estendendo o papel.

— É mesmo? Onde ele está? Deixe-me ver — pediu ela, estendendo a mão com entusiasmo.

— Está bem aqui, fresquinho — entregou o escritor.

— Sabe, Narciso... Ontem à noite eu parei para ler com calma todos os poemas que você já me fez até hoje. E eu percebi claramente que o seu estilo de escrita está mudando, está ficando diferente — observou ela, perspicaz.

— Ainda bem que você percebeu, Helena. É isso mesmo. São fatores internos que independem da nossa vontade racional. A poesia flui livremente, de acordo com o nosso estado de espírito e com o momento exato que estamos vivendo na pele — justificou o Poeta.

Pairou um breve e denso silêncio entre os dois nos corredores. Helena quebrou o mutismo, olhando-o com uma ponta de cuidado:

— Você vem se preocupando muito com o rumo das coisas, Narciso. Não ligue para isso agora, pois só o tempo poderá fazer o que é correto e dar a resposta exata — ponderou ela.

— Amor, a verdade é que eu prefiro não esperar pelo tempo. Esse compasso de espera é muito penoso para mim. E tem mais: o sonho nunca é eterno, uma hora a gente tem que acordar e encarar o chão — desabafou o escritor, com os pés no chão.

— Eu... eu não tenho muito o que te dizer sobre isso. Só não queria, de forma alguma, que você sofresse com toda essa situação — confessou Helena, baixando os olhos.

— Tudo bem, Helena. Não se preocupe com isso, não. Eu já entendi perfeitamente como as coisas funcionam e sei que não tenho o direito de exigir nada de você. Qualquer recíproca verdadeira deveria nascer na mesma intensidade, mas... deixa para lá — concluiu ele, preferindo encerrar o assunto antes que a emoção transbordasse.

O Poeta, sabia perfeitamente no seu íntimo que Helena Dolly, por algum motivo misterioso e profundo que nunca foi revelado a ele, via-se impedida de viver aquele romance de forma aberta, livre e escancarada aos olhos do mundo, exatamente como ele tanto queria e sonhava.

Com o passar das semanas, ele foi percebendo os pequenos sinais daquela engrenagem secreta: notava que em certos dias ela saía correndo logo após o término do expediente, parecendo fugir de algo, e que em determinados dias ela vinha para o escritório impecavelmente arrumada, exalando um magnetismo diferente. Mas, fazendo um balanço sincero, a verdade nua e crua é que fora Narciso quem havia caído de paraquedas na engrenagem da vida dela, e não o contrário.

Ele, na verdade, agira como um franco-atirador do amor, e continuou sendo, insistindo no alvo até o último cartucho da esperança. Afinal, como diz o velho ditado popular, a esperança é sempre a última que morre — senão, ela corre e se esconde. Contudo, apesar das dores da incerteza, Narciso nunca blasfemou contra o destino. Pelo contrário: sempre guardou uma imensa gratidão por tudo o que aconteceu nesse belíssimo episódio de sua existência. Em todas as poesias que esculpiu para Helena Dolly, o tema central sempre foi o amor puro, porque é com amor que ele maneja a caneta.

E cada composição trazia o seu brilho especial, transmitindo um efeito magnético muito agradável para quem gosta de apreciar uma boa leitura. No caso do poema anterior, que trazia um tom de despedida subliminar, as declarações eram o reflexo vivo de uma relação marcada pelo afeto indissolúvel, algo que jamais será apagado da memória do escritor. Como ele mesmo escreveu na parte final daquela obra, "Viver não é só o ato de respirar".

Atrás de cada respiração humana existe um fundo denso de vida e uma imensa sabedoria — seja ela predestinada pelas estrelas ou adquirida através dos tombos dos caminhos. Narciso sempre acreditou piamente que a essência do Ser é infinitamente mais profunda do que a ciência do homem é capaz de mensurar, concluindo que esses encontros marcantes são a consequência direta de muita caminhada de nossas almas por mundos que fogem completamente à nossa sensibilidade e percepção material.

Passaram-se quatro dias de rotina e o romance prosseguiu o seu curso clandestino. Todos os momentos de maior intimidade entre Narciso e Helena aconteciam invariavelmente no período das tardes ou ao cair das noites, uma vez que a relação real entre os dois só ganhava asas após o encerramento do expediente comercial. Foi em uma dessas manhãs de sexta-feira que Narciso resolveu ligar para a mesa de Helena, e o diálogo correu através do fio do telefone:

— Helena Dolly, bom dia! — atendeu ela, com a voz profissional.

— Bom dia, tudo bem com você? — perguntou o Poeta.

— Tudo ótimo por aqui. Fala, Narciso! — respondeu ela, mudando para o tom caloroso ao reconhecer a voz.

— O que você acha de sairmos juntos neste sábado? — convidou ele, direto.

— Eu aceito o convite! Mas tem que ser naquele nosso horário de sempre, pode ser assim para você? — sugeriu Helena.

— Tudo bem, combinado. Ah, e eu preciso te fazer uma pergunta importante... — lançou ele, deixando o ar misterioso.

— É mesmo? O que é? É algo grave? — indagou ela, imediatamente curiosa.

— Não, não é nada grave, fique tranquila. No sábado, quando estivermos juntos, eu falo. Gostaria de fazer essa pergunta olhando bem no fundo dos teus olhos — explicou Narciso, preparando o terreno.

— Entendi... Deu até um frio na barriga agora! Espera só um instante, Narciso, deixa eu atender a outra linha que está piscando aqui na minha mesa — pediu ela.

— Sem problemas. É só isso mesmo, minha querida. Um beijo grande e até mais! — despediu-se o Poeta.

— Outro beijo! Até! — respondeu ela, desligando.

Esse telefonema estratégico, efetuado em plena sexta-feira de trabalho, acabou despertando uma curiosidade gigantesca e incontrolável no peito de Helena Dolly.

Ela passava pelos corredores e olhava para Narciso, querendo a todo momento decifrar o que ele pretendia falar no encontro. A verdade é que tudo o que vinha de Narciso para Helena era dotado de um interesse absurdo; era, de fato, uma novidade constante em sua rotina. Ser cortejada diariamente com poemas personalizados, elogios sinceros e uma fidalguia quase esquecida no mundo moderno representava um fato totalmente novo em sua história. A única coisa que não era novidade para ela era aquele bando de homens que ficavam babando e orbitando atrás de seus passos pelos setores da empresa.

Afinal, Helena era impecavelmente linda, dona de uma postura altamente atraente e de uma fisionomia magnífica. Era absolutamente impossível passar por ela e não sentir o desejo de, ao menos, iniciar uma conversa. Ela tinha o poder magnético de despertar e desestabilizar muitos corações desavisados.

Enfim, o tão esperado sábado amanheceu. No âmbito profissional, dentro da empresa, tudo havia corrido estritamente dentro dos conformes e da normalidade do expediente. Assim que o relógio marcou o fim das obrigações, ambos se dirigiram para o local combinado para o encontro. Narciso, mantendo a sua habitual pontualidade britânica, chegou primeiro ao ponto de encontro, com o coração batendo no ritmo da expectativa. Helena Dolly surgiu um pouco depois, caminhando com aquela sua carinha adorável de menina sapeca que sabia o poder que tinha.

Assim que se avistaram, os dois se cumprimentaram com um abraço apertado, daqueles que tentam colar uma alma na outra, seguido de beijos calorosos e muitos olhares penetrantes que dispensavam qualquer legenda. Havia ali um clima nítido de sincero e profundo amor. Sem perder tempo, eles se dirigiram para o local que haviam escolhido juntos para passar as horas seguintes — um ambiente que, por sinal, era extremamente aconchegante, discreto e acolhedor.

MAIS UM MOMENTO DO ENFIM À SÓS!

Ao cruzarem a porta daquele santuário refúgio, o mundo exterior simplesmente deixou de existir. A atmosfera do quarto, era leve, acolhedora e discreta, foi tomada instantaneamente por uma eletricidade quase palpável. Narciso não esperou; puxou Helena pela cintura, colando o corpo dela ao seu com uma fome contida por dias de meias palavras e olhares esquivados nos corredores.

​Ali, completamente desarmada de qualquer defesa social ou trava racional, Helena rendeu-se. Estava entregue aos beijos, que começaram quentes e urgentes, logo ganharam a cadência dos desejos acumulados. O som da respiração entrecortada preencheu o espaço enquanto as roupas caíam como cascas desnecessárias. Os toques de Narciso — firmes, mas imbuídos da delicadeza de quem conhece cada centímetro daquela pele — arrancava dela arrepios e suspiros contidos que rapidamente se transformavam em gemidos involuntários, uma música aos ouvidos.

​Foi o momento em que a poesia saiu do papel e virou carne. Helena se contorcia sob o domínio suave e assertivo do Poeta, entregando-se a uma performance avassaladora que a levava às margens do delírio. Cada movimento dele parecia extrair a essência mais pura e úmida da sua feminilidade, fazendo-a arfar, cravar as unhas em suas costas e esquecer totalmente o controle que tanto lutava para manter no cotidiano.

​Naquela entrega visceral e absoluta, pele contra pele, o suor misturava-se ao perfume secreto que ela guardava só para ele. Porém, mesmo no ápice daquele êxtase devorador, em que seus corpos falavam a língua mais primitiva do amor, um detalhe ecoava mudo no peito do escritor: no meio de tantas arfagens e entregas alucinadas, ela jamais o chamara de “Meu Amor”...

(Continua...)

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Este capítulo é uma publicação oficial do Selo 444. Descubra os mistérios do acaso todas as quartas-feiras e aos sábados.

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@PietrodeLuccaPoeta ✒️📝🖋️

Escritor, Poeta, Contista e Cronista

Athelier das Letras - Selo 444

opoetalk520.substack.com

pietrodeluccapoetanarcisosilva.blogspot.com

Thoughts

  • NunoParreira

    Reli isto ao fim da tarde e à primeira tinha-me escapado o pormenor do perfume que ela guarda só para ele. Isso diz mais sobre o arranjo dos dois do que todas as conversas no corredor.

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  • LuizaFontes

    A gente parou no telefonema. Ele deixa a pergunta guardada pro sábado e desliga, e a velha aqui do sofá disse só: esse aí é do suspense. Eu fiquei do lado do Narciso dessa vez, porque quem espera resposta há semanas tem direito de escolher a hora. O que veio depois calou nós duas.

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  • LivroDeCabeceira

    Vinte e cinco capítulos e ele ainda não ouviu um meu amor dela. Esse detalhe no fim segura a história de pé pra mim.

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  • LeandroPocas

    Bolas, acaba mesmo aqui.

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  • IsauraBrandao

    Menino, essa Helena que sai correndo depois do expediente e noutro dia chega toda arrumada, eu já vi mulher assim na minha rua. Ninguém nunca soube o nome do outro homem.

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  • Ovid

    O capítulo inteiro caminha para a noite dos dois e o que fica no fim é ela nunca ter dito meu amor. Me fez pensar que a história se segura nessa ausência muito mais do que nos poemas. Aposto que no dia em que ela disser essas palavras, o Narciso não vai saber o que fazer com elas.

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  • HoracioMelo

    Ele diz que não quer esperar pelo tempo e no parágrafo a seguir passam-se quatro dias de rotina. No capítulo vinte e seis continua à espera, aposto.

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