Capítulo 21
Os Mistérios do Acaso
HELENA DOLLY A LITURGIA DO DESEJO
(encerramento da primeira parte)
O MANTRA DA NEGAÇÃO
Naquele amanhecer úmido e frio, Helena subitamente resolve pregar uma peça no Narciso. Ela não fez charminho e nem enrolou muito, foi direto no assunto com a maior intimidade:
— Narciso! Bom dia, preciso falar com você uma coisa séria! – Disse ela em tom irônico sem divagar a seriedade.
De pronto o Poeta quis saber do que se tratava!
— Pois não Helena, em que posso ser útil? – respondeu ele sem “mela-mela”.
— Meu Gatão preto, eu preciso falar urgentemente com você, mas só posso falar mais tarde e tem que ser em particular, muito bem reservado, se é que você me atende! Ah, a nossa intimidade nos permite.
O Poeta ficou estatístico, pensativo e claro com uma alegria radiante, ele jamais esperava partir dela tal convite. Ela continuou falando:
— Narciso eu sinto muito sua falta, dos seus carinhos e do cuidado enorme com o meu corpo, você é muito especial, o único que me deixou completamente fora de mim na cama. O seu beijo, sua boca, língua, meu Poeta lindo. – Mas não pode!
O Poeta nada falou, talvez soubesse que essa frase viria, para desmoronar o seu castelo de areia.
Como exímia observadora e detalhista, naquela manhã, a Helena falou ao Poeta sobre o seu desejo e claro ele aceitou depois de fazer um breve suspense.
A princípio quando foi abordado pela Helena, o Poeta, tomando o peso da hesitação no peito, temeu ter cometido algum deslize que a desagradasse. O receio, contudo, era infundado. A abordagem estratégica de Helena já havia cumprido com precisão o seu papel: plantar no Poeta a eterna e inquieta "pulga atrás da orelha". O que será que a Helena tinha de tão importante para falar com o Narciso?
Disse ele:
— Sou todo ouvidos, minha querida... — respondeu atentamente e prontamente rendido aos encantos da sua musa.
— A escrita é algo fascinante, Narciso. Você sabia que apenas os poetas — e alguns raros mortais escolhidos, possuem a alma das palavras? E as palavras, por sua vez, habitam a alma das pessoas? — indagou Helena Dolly.
— Para ser honesto, Helena, eu não sei disso não. Só sei que amo criar histórias e dar vida a versos que tocam o íntimo de quem lê. É um fenômeno magnético e ao mesmo tempo magnífico… puramente mágico — devolveu ele.
Helena, então, permitiu-se abrir frestas de sua armadura, mantendo intacto o aroma de mistério que sempre a envolveu:
— Quando te vi pela primeira vez, te achei uma figura bacana, divertida, mas, um alguém comum como tantos amigos que conheci. Porém, com a convivência, fui me apegando notando que você carrega algo distinto. O seu olhar, a sua essência, essa calma... Não é apenas pelo fato de você escrever, mas por ostentar um magnetismo que me capturou de um jeito único. Você despertou a mulher que habita dentro de mim, isso eu pude sentir e sinto desde aquele primeiro dia.
Narciso permaneceu em silêncio, apenas ouvindo, sentindo o peito aquecido por uma alegria discreta. Percebeu que sua musa acabara de lhe entregar uma declaração implícita, porém avassaladora. Mas, sempre foi uma chuva de verão.
— Minha querida, você me deixou sem palavras, murmurou ele, poupando vocábulos para não quebrar o feitiço encantador que acabará de ouvir.
— Mas não pode! — repetiu mais uma vez, interrompeu Helena, sorrindo com aquele que se tornara o seu mantra pessoal: a negação charmosa no ápice do jogo de sedução.
A LITURGIA DA CARNE E A ANATOMIA DO DESEJO
Há belezas que dispensam explicações; apenas exigem reverência. Helena Dolly, aos seus trinta e quatro anos, habita o ápice de sua forma escultural, uma arquitetura biológica, um monumento de 1,78m de altura e sessenta e nove quilos harmoniosamente distribuídos. Cada curva delicada parece desenhada para o propósito único da atração. Contudo, sob a fachada irretocável, Helena guarda uma sensibilidade epidérmica de contornos quase místicos.
Sua "flor", como batizou poeticamente sua intimidade, é um santuário de terminações nervosas em permanente prontidão. Quando tocada na aula de línguas com a precisão de um mestre, ela não apenas reage; ela se transmuta. O processo de degustação de sua feminilidade é uma navegação por águas bravias: ao menor contato milimétrico, ela se desfaz em espasmos de orgasmos múltiplos, uma cascata de sensações que a lança em um estado lúdico e ímpar. A delicadeza com que seus lábios são explorados provoca a sensação de gravidade zero — como se o espírito flutuasse enquanto o corpo permanece ancorado no prazer.
Helena adora os toques do Poeta, ela é entusiasta da entrega visceral. Sob o clima daquele momento, onde a temperatura do ambiente mimetiza o incêndio de suas veias, transforma o ato amoroso em uma celebração calculada. Para ela, o prazer é um diálogo de reciprocidades profundas. Encontra satisfação sublime exatamente na exploração oral, reconhecendo ali a conexão mais visceral entre dois corpos.
Com a destreza de quem domina a anatomia do desejo, sua língua retribui e percorre o membro de seu amado em movimentos rítmicos e circulares. Em um ápice de entrega, acolhe sua totalidade, provocando calafrios sistêmicos enquanto sorve, com afeição e técnica, a virilidade de seu parceiro. Contudo, Helena é também estrategista do gozo: retarda o clímax dele, mantendo-o no limite da razão enquanto exige o retorno à sua própria "flor", extraindo dali o néctar reservado para a ocasião. Ambos vão às estrelas, ao planeta sol extasiados de prazer.
O VASO, A MONTARIA E A TEMPESTADE
No princípio dessa história, Helena confessa ter sentido um assombro reverencial diante da magnitude do "instrumento" que a visitava: denso, pulsante, desenhado por veias que mapeavam força e vigor. Uma peça rígida e quente que despertava nela um querer próximo da agonia prazerosa.
Apesar das dimensões imponentes, um vulto de aproximadamente vinte e cinco centímetros, a dor era nota ausente nessa sinfonia. Experiente na arte do acolhimento, Helena sentia apenas a presença preenchedora daquele encontro. Suas mãos sutis deslizavam da base ao ápice, reconhecendo cada relevo. O Poeta, por sua vez, encontrava sua ruína e glória no som: o coro de gemidos roucos de Helena era o combustível para sua firmeza inabalável.
Dotada de uma entrega dinâmica, ao ver seu parceiro deitado, vulnerável e entregue sobre o leito, Helena decidia assumir as rédeas da celebração. Como uma amazona a dominar uma força indomada, posicionava-se sobre ele, iniciando uma montaria solene. Aos poucos, a cadência acelerava, ditada pela urgência do sangue.
Nesse entrechoque de peles, Helena alcançava orgasmos sucessivos, enquanto a firmeza em seu interior clamava por mais. Ele, agindo como um autêntico experiente da alcova, mantinha um controle hercúleo, represando o próprio ápice para servi-la até a exaustão. Helena, fustigada pela fadiga prazerosa, via sua intimidade arder em brasas, suplicando por novas variações.
O desfecho veio com uma força poética e avassaladora. Quando o Poeta finalmente cedia, a natureza represada transborda em uma torrente quente e alva, projetando-se sobre seu corpo, seios e lençois como um selo inevitável da entrega tão desejada.
Mesmo quando a fisiologia pedia trégua, o Poeta não deu aquele momento por encerrado. Mestre da arte do amor, retornava à fonte: dedicava-se a arrancar novos espasmos da flor e Helena através de carícias orais executadas com maestria, deixando-a com as pernas trêmulas, o corpo banhado em fluídos, a alma levíssima e em em estado hipnótico.
APARELHAMENTO NATURAL
Foi a partir daquele momento que o Poeta notou uma aura diferenciada em sua musa.
Então, surge ali, a imagem de uma nova mulher. Com mudanças sutis, um sorriso mais gracioso e um silêncio que libertou seus pensamentos, Helena após aquele ato aparentava ter ficado com a essência lapidada pelos astros. Uma candura sóbria, própria do instinto feminino que transcende as aparências, revelada em cada gesto.
Ao cair da noite, a luz que toca sua pele não era mera claridade, mas parte de seu aparelhamento natural, um arranjo invisível que destacava a perfeição das suas curvas, o brilho dos cabelos e a postura firme. Seus olhos são águas profundas onde se refletem histórias vividas e promessas por cumprir. Falam da coragem silenciosa de quem aprendeu a atravessar tempestades para desabrochar sob o lema que ela própria batizou: “MAS NÃO Pode!”...
Helena Dolly caminha hoje com a soberania de quem possui a liberdade mental. Seu aparelhamento interior, feito de resistências, escolhas firmes e coragem, é a base de uma força que dispensa discursos. Ela não busca aplausos; age com a naturalidade de quem sabe o que quer e conhece o valor do segredo e dos mistérios. Ela é o símbolo da serenidade, um convite para libertar a luz escondida sob a escuridão que habitava sua essência de mulher.
O DECRETO DO FIM E O INÍCIO DO PACTO SECRETO
Foi ao final daquele anoitecer, com o suor ainda secando sobre a pele e os corpos descansando sob a penumbra do quarto, que o inevitável foi dito.
Não houve brigas, gritos ou acusações. Apenas a constatação lúcida de que o relacionamento, nos moldes tradicionais e perante o mundo, chegará ao seu ponto final. As exigências do cotidiano e as marcas do passado impunham o encerramento do que parecia seguir para a eternidade.
— Acabou, Narciso... O nosso “nós” perante os outros termina aqui, declarou Helena, ajeitando o cabelo e fitando-o com uma serenidade quase dolorosa.
Não tendo muito o que dizer, o Poeta concordou assentindo com a cabeça, sem um sopro de voz. O fim do relacionamento formal estava decretado.
Contudo, por alguns minutos olharem-se nos olhos — ainda impregnados pela lembrança do êxtase recente, compreenderam a farsa daquela despedida. Como decretar o fim de um vício que corre nas veias? Como distanciar duas almas que se entrelaçam com tal magnetismo?
Sem que uma palavra formal de acordo fosse pronunciada, ficou selado o pacto invisível: perante o mundo, o ponto final; entre quatro paredes, a continuidade da liturgia. A partir daquela noite, não seriam mais namorados ou casais convencionais. Seriam cúmplices de um segredo clandestino, enredados em encontros furtivos onde a dor do término seria constantemente afogada no oceano de suas próprias paixões... uma sequência de encontros sem compromisso, mas carregados de desejo, que haveria de se estender pela longa noite dos dias que viriam. Essa foi a decretação da vida de amantes.
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Assim termina a primeira parte de! OS MISTÉRIOS DO ACASO.
Todas as quartas-feiras e aos sábados, haverá mais Mistérios a serem revelados!
Este capítulo é uma publicação oficial do Selo 444. Descubra os Mistérios do Acaso todas as quartas-feiras e aos sábados.
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@PietrodeLuccaPoeta ✒️📝🖋️
Escritor, Poeta, Contista e Cronista
®Athelier das Letras - Selo 444
opoetalk520.substack.com
pietrodeluccapoetanarcisosilva.blogspot.com
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