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18º Capítulo/ OS MISTÉRIOS DO ACASO/ O Dom De Deus (O Poema)

Pietrodeluccapoeta777
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18º Capítulo

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A cena do churrasco foi a melhor coisa que aconteceu pra Helena desde que ela entrou na história. Ela passou capítulos avisando que ele não sabe de tudo, e aí chega um quintal com cheiro de brasa e parente fazendo piada, e é ela quem pede pra voltar. Fiqu

A cena do churrasco foi a melhor coisa que aconteceu pra Helena desde que ela entrou na história. Ela passou capítulos avisando que ele não sabe de tudo, e aí chega um quintal com cheiro de brasa e parente fazendo piada, e é ela quem pede pra voltar. Fiquei torcendo pro cunhado marcar outro logo, visse.

Conteúdo da publicação

18º Capítulo

OS MISTÉRIOS DO ACASO

O Dom De Deus (O Poema)

Pietrodeluccapoetanarcisosilva é uma publicação apoiada pelos leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se uma assinatura gratuita ou uma assinatura paga.

Até este ponto da jornada, todos os que acompanham os passos de Narciso, já compreenderam, sem qualquer margem de dúvida, que a maior e mais genuína felicidade de sua existência consistia em ver a felicidade da sua musa Helena. Para o escritor, a presença dela não era um mero capricho do destino ou uma efêmera aventura; Helena representava algo profundamente nobre, majestoso e sagrado em seu caminho. Ela era a personificação de uma realeza sutil que viera iluminar a sua vida, ocupando em especial naquele momento de tantas transformações, o lugar mais nobre no centro de seu coração. Cada sorriso dela funcionava como um combustível para a sua alma e uma validação de que valia a pena insistir no amor.

Certo sábado, o destino ofereceu uma oportunidade perfeita para quebrar a rotina e misturar os mundos de ambos. O cunhado de Narciso o convidou para um churrasquinho de fim de semana, uma reunião familiar, coisa simples e despretensiosa, daquelas que acontecem no quintal de casa com cheiro de brasa e som de risadas ao fundo. No embalo da empolgação daquele convite e movido pelo desejo constante de ter a sua musa sempre por perto, Narciso não hesitou e convidou Helena Dolly para acompanhá-lo. Para a sua grata surpresa, demonstrando uma cumplicidade cada vez maior, ela aceitou o convite prontamente.

Chegando ao local do evento, a atmosfera de simplicidade foi invadida pela presença magnética do casal. Narciso, com a fidalguia que lhe era característica, foi apresentando Helena a todos os presentes, sem exceção, passando de parente em parente. Por uma questão de respeito e discrição institucional, ele a introduzia formalmente como sua "amiga". No entanto, aquela etiqueta formal não colou muito para alguns dos convidados mais atentos. A verdade era impossível de se esconder: a eletricidade e o brilho nos olhos de ambos denunciavam que havia algo muito mais profundo ali.

Helena Dolly, percebendo os olhares curiosos e os sorrisos cúmplices, ficou um tanto encabulada e sem jeito. O embaraço dela aumentava principalmente quando alguns familiares, mais descontraídos e brincalhões, soltavam comentários em tom de brincadeira, dizendo: “De namorada nova, hein, Narciso?”. Ao ouvir aquilo, o Poeta não se continha; sentia o peito inflar de orgulho e ficava todo cheio de prosa, radiante por estar ao lado daquela notável princesa.

Helena era uma mulher vistosa, dona de uma beleza exuberante, linda e encantadora por natureza. O seu magnetismo era tamanho que não houve uma única pessoa naquele churrasco que não parasse o que estava fazendo para olhar para ela, admirada com a sua postura elegante e simpática. Como diziam, com sabedoria e malícia respeitosa, alguns dos homens mais antigos da família que ali guardavam as tradições: ”Com essa mulher aí, Narciso, dava até para você dar um desfile de braço dado na avenida principal”...

Apesar do frio inicial na barriga por estar em um ambiente novo, Helena Dolly rapidamente se sentiu em casa. A acolhida calorosa daquela gente simples foi como um verdadeiro banho para a sua alma, uma renovação espiritual necessária. Conhecer aquelas pessoas tão autênticas e diferentes de sua rotina fez com que ela se sentisse integrada, como se estivesse rodeada pela sua própria família de sangue. Sentindo aquela paz interior, ela se antecipou e aproximando-se de Narciso, confidenciou em voz baixa:

— Narciso, eu realmente me senti em casa aqui. Foi muito bom vir com você, adorei de verdade cada minuto e gostaria muito de voltar a este lugar mais vezes.

Narciso, olhando para ela com ternura, sorriu orgulhoso e respondeu:

— Que bom que você gostou, Helena! Fico imensamente feliz com isso. Pode ficar tranquila, minha linda, que eu te trarei com certeza absoluta quando tiver outra festa por aqui, ou até mesmo se for apenas para uma simples visita de fim de tarde. Aqui nós estamos em casa, as portas estão sempre abertas para nós!

Com um brilho de promessa nos olhos, ela selou o momento:

— Olha que eu vou cobrar, hein! Vou ficar esperando por esse dia.

E assim, aquele gesto maduro de amizade, respeito mútuo e carinho profundo entre os dois foi crescendo e se solidificando a cada novo dia, a cada momento compartilhado. Narciso, o Poeta, e Helena saíram juntos muitas e muitas vezes depois daquele sábado.

Perderam a conta de quantos eventos frequentaram, de quantos shows assistiram e de quantos lugares exploraram de mãos dadas. Mas além de simplesmente curtirem as atrações da vida urbana, eles viviam “Ela” — a própria existência, a essência do encontro — na íntegra. Havia uma urgência velada em seus passos, como se ambos já soubessem, lá no fundo de suas consciências, que precisavam aproveitar ao máximo aquela preciosidade romântica que tinha nascido para eles. Sabiam que o tempo é um senhor implacável e que era preciso sugar o mel daquela história o quanto desse.

Foi nesse caldeirão de vivências intensas, noites compartilhadas e confidências ao luar que foram surgindo, como fagulhas em palha seca, as chamas das inspirações artísticas. Aqueles momentos de pura vida iam se transformando gradativamente em prosas poéticas e poesias viscerais no caderno de Narciso.

O Poeta, em seus momentos de solidão e reflexão, sempre contemplava o horizonte e sentia latejar no peito o verdadeiro significado de ser um artista das palavras. Ele compreendia na carne o que é viver de verdade: o que significa sofrer pelas ausências, alegrar-se com os reencontros, chorar na calada da noite e acima de tudo, ter o poder supremo de fazer a alegria de alguém quando o seu sentimento mais puro é transposto para a brancura do papel. Na verdade, Narciso entendia que o poeta era o astro do seu próprio mundo, o arquiteto do seu universo particular e de certa forma longe do egocentrismo, o ídolo dele mesmo. Ele não operava com vaidade barata, mas sim com a lucidez de quem sabe que faz o teatro da sua vida virar a verdade do seu viver. Um poeta, afinal, é exatamente isso: alguém que transmuta a dor e o prazer em imortalidade da escrita.

O Poeta, sem qualquer sombra de dúvida, é um cara que caminha e vive de forma diferente no mundo. Ele possui uma sensibilidade aguçada que altera a sua percepção da realidade. Para ele, tudo guarda uma beleza intrínseca, tudo é lindo, mesmo quando as circunstâncias externas parecem dizer o contrário. Essa sua conexão com o plano superior é tão vasta que ele já não nutre medo algum da morte; ele compreendeu, através da sua evolução espiritual, que a morte física não passa de uma ilusão, que ela não existe como um fim, e que a nossa passagem por esta terra é curta demais para ser gasta com temores.

O Poeta aprendeu a respeitar cada religião, cada crença e cada doutrina particular, entendendo que cada ser humano está na sua busca legítima. Contudo, para ele, a fonte primordial é uma só, a Luz de Deus. Ele crê firmemente nesse Deus que é o homem supremo dos Dons, a divindade que sempre pregou o bem, o amor e a caridade que fez o mundo ser fiel às suas palavras — ou pelo menos, a maior porcentagem da humanidade que busca a retidão. Para o mundo e para o escritor, Deus é o nosso pai celestial e sempre será a fundação de tudo. E o fundamento maior que Ele criou, um verdadeiro poeta sempre seguirá como uma missão de vida: pregar o amor ao próximo, de preferência com muito esmero, dedicação e beleza técnica.

Foi sob o impacto dessa epifania espiritual e romântica que nasceu “Dom de Deus”, uma poesia que pintou de repente na mente do Poeta, surgindo como uma forma natural de traduzir as verdades que o seu coração estava vivendo e sentindo na pele. Para o Poeta, o coração humano é uma espécie de Pote místico que cada indivíduo possui no peito; um recipiente sagrado onde são guardados os anseios mais secretos, os desafetos superados, os afetos cultivados, os valores morais, os amores da vida, as paixões avassaladoras e as poesias que se libertam.

Este poema específico fala diretamente sobre a essência pura do amor. O Dom da escrita e do sentimento verdadeiro é um presente exclusivo de Deus, uma graça que só os escolhidos e os puros de coração recebem. Dignificar esse Dom através da arte é uma tarefa tão importante quanto dividi-lo com o mundo sem qualquer egoísmo ou vaidade. Quem traz a essência do amor no peito e na alma já possui esse Dom natural de forma inata. E assim, como mais um presente divino para a sua amada Helena, a poesia se materializou no papel...

DOM DE DEUS

____________________

Tenho em meu coração

Um sentimento forte, feito um pote

Transbordando peito afora

As essências do amor.

Caem em pingos,

Machucando a cada desperdício.

Contudo,

O conteúdo dignifica e faz valer,

Porque se chama coração.

*

A cada renovada,

O clima pinta.

A cada pingo,

Sabedoria.

É aprender com a verdade,

É ensinar e ser ensinado

Até ficar vacinado.

*

A vacina da experiência

É o antídoto

Da cura futura

A alguma criatura.

O pote que eu tenho

Em meu coração

Já levou muitos botes,

Sempre balança,

Mas não cai.

*

Pois dentro dele

Existe a essência do amor.

E não é qualquer um que tem!

Essa consciência,

Essa essência,

Não se compra

E nem se vende.

Já nasce com cada Ser.

*

É um Dom de Deus,

É um brinde para a alma

E um prêmio para o espírito.

Fazer amor à toa

É coisa de ator

Que representa a realidade

Nos palcos das ilusões.

Perder um grande amor

É desperdiçar a essência.

*

Muito embora

Quando ainda

Não tenha sido consumado,

Fazendo valer o jogo

Que o destino oferece:

Um mesmo homem

Pisa no mesmo chão,

Ambiente e lugares

Por muitos e muitos anos e tempos.

Mas só no tempo certo

É que o acerto acontece,

Neste pote que habita

Em nossos corações….

______________________

Ass. Narciso "O Poeta"

O Autor.

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Todas as quartas-feiras e aos sábados, haverá mais Mistérios a serem revelados!

Este capítulo é uma publicação oficial do Selo 444. Descubra os mistérios do acaso duas vezes por semana.

@PietrodeLuccaPoeta ✒️📝🖋️

Escritor, Poeta, Contista e Cronista

Athelier das Letras - Selo 444

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Thoughts

  • MargemDaPagina

    Ele apresenta-a como amiga a toda a família e o poema, logo a seguir, diz que representar é coisa de ator. O poema contradiz o Narciso melhor do que a Helena alguma vez conseguiu.

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  • anogueira52

    Churrasco bom esse.

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  • Simao

    O homem anuncia que já não tem medo nenhum da morte a meio de um capítulo de churrasco. Eu ficava de olho nele.

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  • Oliviamar

    Ela avisa que vai cobrar a próxima festa. Quem da família dele foi o primeiro a perceber que a amiga não era amiga?

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  • LivroDeCabeceira

    A cena do churrasco foi a melhor coisa que aconteceu pra Helena desde que ela entrou na história. Ela passou capítulos avisando que ele não sabe de tudo, e aí chega um quintal com cheiro de brasa e parente fazendo piada, e é ela quem pede pra voltar. Fiquei torcendo pro cunhado marcar outro logo, visse.

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  • Ovid

    Narciso apresentando a Helena como amiga para a família inteira, com todo mundo vendo o brilho nos olhos dos dois, me fez pensar em quantas vezes a palavra amiga serviu de esconderijo em festa de família. Aposto que o cunhado já sabia antes do primeiro espeto. Dois capítulos num só dia, Pietro, dá pra ver que a série está rendendo!

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  • HoracioMelo

    Eu dei-lhe dois dias para voltar à lanchonete e ele apareceu com ela no churrasco do cunhado. Perdi a aposta por excesso de confiança, pá.

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