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17º Capítulo / OS MISTÉRIOS DO ACASO / Narciso, "O Poeta" se chateia com a Helena!

Pietrodeluccapoeta777
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17º Capítulo

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AmandaPeixoto

Ele pede algo sólido e ela responde que a primeira vez foi ótima. Nem uma palavra sobre o futuro. O narrador corre pra explicar que o Narciso falou da boca pra fora, mas ninguém corre pra explicar a Helena, e é a Helena que eu queria ouvir explicada, viss

Ele pede algo sólido e ela responde que a primeira vez foi ótima. Nem uma palavra sobre o futuro. O narrador corre pra explicar que o Narciso falou da boca pra fora, mas ninguém corre pra explicar a Helena, e é a Helena que eu queria ouvir explicada, visse.

Conteúdo da publicação

17º Capítulo

OS MISTÉRIOS DO ACASO

Narciso, "O Poeta" se chateia com a Helena!

Pela primeira vez desde que os seus caminhos se cruzaram de forma tão intensa, o poeta experimentou o sabor amargo da insatisfação. Certo dia, Narciso, O Poeta, sentiu-se profundamente chateado com a insistente imprevisibilidade que rondava a sua história com Helena. Havia um pressentimento incômodo no fundo de sua alma, um sussurro que dizia que aquela relação, por mais ardente que fosse, não dava indícios de evolução. Ele acreditava, naquele momento de desânimo, na hipótese de que o romance estaria fadado a não seguir conforme seu instinto desejava. Afinal, a rotina deles havia se transformado em um ciclo repetitivo: eram beijos apaixonados nos motéis, cantos escondidos, abraços apertados que pareciam parar o tempo, transas ardentes que faziam o chão tremer e na sequência, "tchau, até amanhã".

Nessa dinâmica quase mecânica os dias foram se arrastando, até que o íntimo de Narciso se aborreceu por completo. O orgulho do artista e o coração do Poeta apaixonado, clamavam por algo mais sólido, por uma certeza que Helena parecia não saber ou não poder dar. Movido por esse cansaço emocional, ele tomou uma decisão drástica e se afastou.

O silêncio que se seguiu foi uma barreira invisível, porém, pesada. Narciso ficou sem conversar com Helena Dolly por longos quatro dias. No entanto, aquele silêncio total não passou de uma fachada; por dentro, foi uma verdadeira tortura para ele interromper a convivência e o fluxo de palavras de uma hora para outra. No ambiente profissional que compartilhavam, a atmosfera tornou-se densa, quase sufocante. Agora, as poucas palavras trocadas limitavam-se ao estritamente essencial: falavam somente sobre assuntos de trabalho, com um tom formal que mal parecia pertencer a dois amantes.

Helena, percebendo a mudança brusca, olhava para ele com os olhos carregados de interrogações, buscando um parecer, uma explicação silenciosa para aquele gelo repentino. Mas Narciso, se manteve firme em sua armadura, saía andando, fingindo indiferença, demonstrando que não queria mais papo. No fundo, ele percebia que a sua frieza havia mexido com ela, quebrando a habitual segurança daquela mulher tão resolvida.

Porém, o distanciamento do Poeta era apenas parcial. De longe, fingindo ler um documento ou focar em uma tarefa qualquer, Narciso olhava para Helena de cantoneira, bem de soslaio, na "meia folha", garantindo que ela não percebesse a sua vigilância constante. Helena, por sua vez, ficava absolutamente sem entender nada daquela atitude. Em alguns momentos, ao cruzar com ele nos corredores, ela esboçava um sorrisinho amarelinho, uma tentativa tímida de quebrar a rigidez do ambiente. Sabendo que um sorriso poderia desarmá-lo, Narciso saía de fininho, inventando uma urgência qualquer para não esticar a conversa e não ceder ao impulso de abraçá-la.”

Quando o calendário invisível daquela disputa de orgulhos estava para completar o quinto dia de hostilidades silenciosas, o destino — ou o desejo inconsciente — forçou um encontro. Narciso parou próximo à mesa de Helena para fazer uma ligação telefônica. Ao desligar o aparelho, o Poeta permaneceu parado ali por alguns minutos, a poucos passos dela, mantendo o corpo imóvel e a mente perdida em pensamentos profundos. Helena, que já não suportava mais aquela distância, aproveitou a proximidade e rompeu a barreira.

— Quer dizer que você não fala mais comigo? — perguntou Helena, com a voz mansa, mas firme. — O que é que eu te fiz, Narciso? Se eu te aborreci em algo, me desculpa!

Narciso virou-se devagar, encarando-a com o olhar sério de quem guardava dias de angústia.

— Claro que sim, Helena. Você está brincando com os meus sentimentos ou por acaso ainda não percebeu o que está acontecendo aqui?

— Claro que não, Narciso! Eu jamais brincaria com você. Mas por que você mudou tanto? Por que só está falando comigo o estritamente essencial?

O Poeta suspirou, deixando transparecer o peso que carregava no peito.

— Bom, Helena, a verdade é que esta situação toda está me cansando. Está me desanimando de verdade. Tem horas em que você age como se nem me visse, passa por mim e finge que eu não existo, como se eu fosse um fantasma neste lugar. Tô cansado de ficar pagando sapo para você, de viver nessa corda bamba! Você é linda, eu te adoro, você sabe disso, mas você não é a única mulher do mundo.

Helena Dolly, contudo, possuía uma inteligência emocional rara. Ela sempre conseguia encontrar a palavra certa para quebrar o gelo mais espesso e dar uma esfriada na temperatura quando os ânimos se exaltavam. Tinha saídas estratégicas e respostas convincentes para tudo, e não se deixou abalar pelo desabafo do Poeta. Com um olhar terno e uma voz que desarmava qualquer exército, respondeu:

— Já vi que você não me conhece mesmo, né, Narciso? Eu te admiro muito, poeta. Muito mesmo, de verdade. Você deve estar completamente enganado sobre o que eu sinto. Se eu ficar olhando fixamente para você aqui dentro, se eu te der a atenção que meu coração quer dar, todos ao redor vão perceber o que há entre nós. E eu não quero isso, precisamos ser discretos para nos proteger.

Narciso ouviu, mas o cansaço ainda falava mais alto que a paixão.

— Bom, como eu já disse, esta situação está me cansando. E se continuar desse jeito, vai chegar um momento em que teremos que encerrar o que temos de uma vez por todas.

Helena aproximou-se um passo, diminuindo a distância entre os dois, e falou com uma sinceridade que ecoou na alma do escritor:

— Não se preocupe, Narciso. A última coisa que eu quero nesta vida, a última mesmo, é te magoar. Você me faz muito feliz como mulher, de uma forma que há muito tempo eu não sentia. Te falo isso de coração aberto, desde aquela primeira vez, foi ótima.

Aquelas palavras operaram um milagre no peito do Poeta, mas ele ainda precisava de um tempo para digerir o impacto. Olhou nos olhos dela, sentindo o gelo derreter, e disse:

— Linda, deixa eu dar uma volta para respirar um pouco. Depois eu retorno e nós continuamos a nossa conversa. Tchau.

E saiu a passos largos, pois também tinha algumas pendências reais a resolver com relação aos seus afazeres profissionais. Enquanto caminhava, o peso que carregava pareceu evaporar. Depois de tudo o que ouvira da boca de Helena Dolly, Narciso sentiu-se muito mais tranquilo. No fundo de seu ser, ele sabia que aquela história estava longe do fim; sentia que ainda teriam muitos e muitos momentos intensos a serem vividos juntos. Era óbvio que ela gostava dele. Tratava-se de uma química perfeita, uma sintonia rara onde, tecnicamente, um estava nas mãos do outro, ligados por fios invisíveis de desejo e cumplicidade.

É claro que, quando ameaçou terminar e disse que ela não era a única, Narciso falava tudo da boca para fora, contrariando a sua própria vontade mais profunda. Ele a queria, e muito. No entanto, o seu protesto era legítimo: ele não queria viver escondido para sempre daquela forma tão fragmentada.

E foi justamente o turbilhão dessas emoções que abriu as portas da percepção. De repente, como acontece com os verdadeiros artistas, pinta a poesia vinda de uma luz misteriosa. Era o amanhecer de um novo sentimento que se desenhava na mente de Narciso. Isolando-se mentalmente do barulho do mundo exterior, ele se conectou com a inspiração divina, saboreando cada fração de segundo que corresponde ao contexto triunfal de um criador literário.

A poesia intitulada “Você é a minha Vida”, assim como tantas outras que nasceram de forma espontânea em seu caderno, foi o fruto maduro de uma alegria gerada com muita sinceridade e muito amor. E Helena Dolly, quando a recebeu, não conseguiu esconder a satisfação genuína. A cada novo verso que ganhava, seus olhos brilhavam; era, na verdade, um momento muito especial e significante em sua existência. Nunca ninguém havia feito aquilo por ela; esse lance de receber poesias personalizadas e carinhos em demasia era algo inédito e avassalador.

Amar Helena Dolly tornou-se um dos maiores e mais intensos prazeres que já haviam acontecido na vida de Narciso, o Poeta. Tanto que, no livro de memórias do seu coração, ela já ocupava um lugar definitivo na curta relação das mulheres que ele realmente amou em toda a sua jornada — que foram, ao todo, apenas três.

VOCÊ É A MINHA VIDA ….

___________________________

Como diz a música de um amigo:

Eu tô querendo você,

Sim!!!

Tô querendo ficar com você.

O teatro

Está cada vez mais real.

A cada minuto,

Ficar contigo

É uma constante

Em meu coração,

Que está longe

Mas sempre perto de você.

Disfarço, mas

Não consigo nem me enganar:

O seu coração é meu

E o meu é seu.

O risco

É apenas consequência do prazer.

Sinto isto,

E agradeço a Deus

Pelo adereço,

Pelo endereço,

E sei que não é tropeço,

Mas está nas linhas.

A questão

É o aceitar.

O homem pensa ser inteligente,

Mas é só gente

Querida pela inspiração.

Não é conspiração,

É só amor,

O qual era dúvida em mim.

Paixão e adoração

Vem depois.

Nós dois

Já somos um poema,

Uma só pessoa,

Uma só ideia. Acho lindo.

Se a morte me encontrar amanhã,

Vou feliz,

Vou sinceramente feliz.

Um pedaço de você

Comigo já tenho,

E o prazer é tanto

Que parece continuação de outras vidas.

Na minha vida,

Com você,

Sensível e amigo eu sou.

Te entendo e compreendo;

Sua situação

É a mesma que a minha.

Sou eu a te querer

E você a me querer.

De certo,

O tempo é curto,

Mas é tanto querer

E grande é o prazer.

Jogo confete

Que reverte em dádivas

Das dicas do cupido,

E cumpro assim as regras do amor.

E da minha boca,

Ouvirás mais de um milhão de vezes:

Eu te amo…

E tenho a certeza do que digo.

_________________________

Ass. Narciso "O Poeta"

Obrigado por dedicar seu tempo às minhas palavras. Este espaço é mantido vivo pela paixão daqueles que ainda acreditam no poder da escrita autêntica e visceral. Considere tornar-se um assinante — na modalidade gratuita ou paga — para não perder nenhum capítulo dessa jornada literária. Vamos, juntos, manter acesa a chama da literatura.

Todas as quartas-feiras e aos sábados, haverá mais mistérios a serem revelados!

Este capítulo é uma publicação oficial do Selo 444. Descubra os Mistérios do Acaso duas vezes por semana.

_____________________________

@PietrodeLuccaPoeta ✒️📝🖋️

Escritor, Poeta, Contista e Cronista

Athelier das Letras - Selo 444

opoetalk520.substack.com

pietrodeluccapoetanarcisosilva.blogspot.com

Thoughts

  • AlmaTavares

    Ele desliga o telefone e fica ali parado a poucos passos dela, uns minutos, sem fazer nada. Foi esse momento que me deixou mais inquieta, mais do que a discussão toda. Já decidiu perdoar e ainda não sabe como voltar.

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  • tintaDeTerca

    Quatro dias falando só o essencial no serviço, isso eu já vi de perto, casal achando que ninguém percebia. Todo mundo percebe. O sorrisinho amarelo dela no corredor foi o mais verdadeiro pra mim.

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  • AmandaPeixoto

    Ele pede algo sólido e ela responde que a primeira vez foi ótima. Nem uma palavra sobre o futuro. O narrador corre pra explicar que o Narciso falou da boca pra fora, mas ninguém corre pra explicar a Helena, e é a Helena que eu queria ouvir explicada, visse.

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  • versoAlheio

    Cara, o poema abre dizendo que é a música de um amigo. Deu vontade de ouvir enquanto lia o resto. Que música é essa?

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  • Ovid

    A Helena entra na lista curta das mulheres que o Narciso amou de verdade, e são só três. Isso me fez pensar em como a gente guarda essas listas em silêncio e nunca diz em voz alta. Aposto que as outras duas ainda aparecem antes do fim da série. Continua trazendo os capítulos, Pietro, estou acompanhando!

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  • tresPaginas

    Quatro dias sem falar e ele a espreitar por cima de um documento. Aguentei acordada até ao telefonema, o que para mim é um recorde.

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  • aleroz

    Parece como não compra o apartamento antes de saber se consegue morar nele. Primeiro aluga, experimenta a vizinhança, a rotina, os barulhos, os defeitos. Se depois de dois meses sem pagar e perceber que não funciona, encerra o contrato e procura outro lugar.

    So que fazemos isso com pessoas....

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