Gostei muito do trecho sobre não existir política clara. Quase tudo que dá errado começa aí, num combinado que ninguém escreveu e todo mundo acha que entendeu.
Você usa IA no trabalho e não fala nada?
No ambiente de trabalho atual, existe um personagem que ganhou um nome curioso graças a uma pesquisa da Slack: o Clandestino. Esse personagem é alguém que usa IA diariamente, entrega resultados…
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Gostei muito do trecho sobre não existir política clara. Quase tudo que dá errado começa aí, num combinado que ninguém escreveu e todo mundo acha que entendeu.
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No ambiente de trabalho atual, existe um personagem que ganhou um nome curioso graças a uma pesquisa da Slack: o Clandestino. Esse personagem é alguém que usa IA diariamente, entrega resultados excelentes e resolve problemas rapidamente, mas prefere não comentar como a ferramenta melhorou sua produtividade. A pesquisa, que entrevistou mais de 17 mil trabalhadores ao redor do mundo, revelou que quase metade deles se sente desconfortável em contar ao gestor sobre o uso de IA em tarefas comuns. O principal motivo? O medo de parecer preguiçoso, trapaceiro ou menos capaz. A preocupação não está tanto no uso da ferramenta em si, mas na forma como ela pode ser interpretada pelos outros. A ansiedade surge da imaginação sobre o que os outros vão pensar sobre o que foi feito.

No Brasil, o quadro está em movimento. O medo de a profissão ser substituída pela IA caiu de 56% para 48% em um ano, segundo o Datafolha. Ao mesmo tempo, o uso da ferramenta no trabalho subiu de 17% para 24% entre quem já ouviu falar dela. As duas curvas se cruzando dizem algo importante: o medo não desaparece com o tempo, ele desaparece com o uso. Quem experimenta perde parte do pavor. Quem só ouve falar continua imaginando o pior.
Só que existe um intervalo entre usar e admitir que usa. E é nesse intervalo que mora o problema real. Um levantamento de 2025 encontrou que quase um terço dos trabalhadores mantém o uso de IA em segredo, e mais de um quarto atribui isso à síndrome do impostor. Impostor de quê? De um trabalho que a pessoa de fato entregou. A vergonha não nasce de ter feito algo errado, nasce de ter feito algo bem rápido demais para o próprio senso do que merece ser chamado de mérito.
Aqui cabe fazer justiça aos dois lados, porque nenhum dos dois inventou essa tensão sozinho.
Quem esconde alguma coisa geralmente tem um motivo de verdade. Seja qual for. Um estudo recente apontou que o silêncio sobre o uso de IA pode ser por causa de medo de avaliação negativa, insegurança no emprego, falta de confiança da liderança ou até mesmo a ausência de uma política clara sobre o assunto. Ninguém esconde por prazer, né? Acontece que muita gente ainda avalia o valor pelo esforço visível, e não pelo resultado entregue.
Liderar é desafiador, e até os melhores líderes têm pontos cegos. Quando a cultura da empresa não é clara ou é contra o uso da IA sem reconhecer seu uso frequente, a equipe esconde suas ações. E pelo simples fato de não existir diálogo aberto. Quase metade dos executivos, 49% segundo o relatório Technology at Work, da Ivanti, admite deixar os próprios funcionários por conta própria para descobrir como usar IA, sem treinamento nenhum. A pressa em adotar a ferramenta não veio acompanhada da pressa em ensinar como falar sobre ela..
O erro, se é que existe um, não está em nenhum dos lados sozinho. Ele mora no espaço entre eles. Uma cultura sem regras claras pode fazer com que quem usa se sinta inseguro para falar e com que quem lidera desconfie do que não entende.
Um cargo não vira descartável só porque alguém usou uma ferramenta. Ele vira frágil quando a relação em volta dele perde transparência. Comunicação é sobre não deixar que o medo do julgamento vire hábito de esconder o próprio processo.
Quando foi que contar como você trabalha virou motivo de vergonha?
Thoughts
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PermalinkDuas coisas diferentes estão empilhadas aqui. A Slack mede quem declarou desconforto num questionário, o Datafolha mede uso relatado entre quem já ouviu falar da ferramenta. Nenhuma das duas mede comportamento. Eu já vi um número desses virar política inteira, e a tensão é real mesmo sem ele.
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PermalinkGostei da ideia de que o medo some com o uso e não com o tempo. Vale pra muito mais coisa do que ferramenta de trabalho.
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PermalinkIsso já rodou antes com outros nomes. Em 2005 ninguém contava que a proposta saía de um modelo de planilha pronto, porque o mérito estava em ter feito do zero. Em 2012 foi o Stack Overflow. Eu vi essa mesma cena três vezes e o silêncio só muda de ferramenta.
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PermalinkAdorei ler isso, obrigado por trazer pra cá! Quero acompanhar, você tem mais coisas publicadas por aqui?
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PermalinkEu moro nesse intervalo.
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PermalinkGostei muito do trecho sobre não existir política clara. Quase tudo que dá errado começa aí, num combinado que ninguém escreveu e todo mundo acha que entendeu.
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PermalinkA política vai ser escrita depois do primeiro incidente em que alguém tiver de explicar de onde saiu um número errado. Aí a empresa descobre que precisa saber quem usou o quê, e a conversa deixa de ser vergonha.
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PermalinkAconteceu comigo em fevereiro. Reescrevi um cálculo de comissão que rodava desde 2009 em três dias com ajuda da ferramenta, e entreguei dentro do prazo de duas semanas que já estava aprovado. Se eu contasse, o próximo prazo já sairia com três dias escritos nele. A conta é essa, e ela não tem nada a ver com preguiça.
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PermalinkTrês dos números vêm com fonte. O do terço que esconde aparece só como um levantamento de 2025, e é precisamente esse que carrega o argumento todo.
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PermalinkA IA veio para ficar.
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