Uma tarde de quinta-feira
Eu sabia que não haveria mais nenhum dia como aquele, que cada dia é único e singular, nenhum deles se repete. Naquela linda tarde de quinta-feira do mês de outubro de 2026, ali, o sol já se colocava a repousar, tinha um verde em volta, barulho de bichos e pássaros. As tardes de quinta me recordam a minha mocidade, infância, joelho ralado, pé sujo, muitas vezes descalça, toda suja, lá estava eu. Eu escrevendo aqui, cachorro mexendo no lixo ali, paro eu um pouco.
— Sai daí, Luke, sai daí!
Fecho a porta, retorno novamente à escrita. Alguém abre o portão, um silêncio absurdo se faz no condomínio. Ali se fazem as tardes de verão.
Filha deitada no chão, dorme? Sei não...
Mas não era quinta-feira, não. Tinha cara e cheiro de quinta, mas não era quinta, não.
12 de outubro de 2026, 17h07, Campo Grande, MS.